Seqüências de humor das novelas divertem o público e também os autores e atores que as interpretam
Não raro, quando o assunto é novelas, a conversa fica mais acalorada ao se comentar as cenas dos núcleos de humor. Atualmente, os personagens cômicos das três tramas exibidas à noite na Rede Globo estão disputando palmo a palmo as atenções com os protagonistas. Em Estrela-Guia, não há quem não se divirta com o engraçadíssimo Alaor (Sérgio Mambertti). Em Um Anjo Caiu do Céu, Selmo de Windsor (Daniel Dantas) e Paulinho (Cássio Gabus Mendes) usam e abusam dos trejeitos cômicos. Já a entrada em cena de Amapola (Zezé Polessa) e seu mordomo Venâncio (Tadeu Melo) é garantia de boas risadas em Porto dos Milagres.
Craque em fazer comédias para as 19h, Antônio Calmon, autor de Um Anjo Caiu do Céu, diz que tem facilidade para criar esse tipo de cena. "Sou, por natureza, um cara brincalhão e irreverente. Também acho, modestamente, que não faço um humor destrutivo, de mau gosto ou que fira os outros. Acho nojento o riso conseguido às custas da desgraça alheia. Mas também adoro escrever cenas dramaticamente carregadas, cenas policiais, de amor...".
Aguinaldo Silva, autor de Porto dos Milagres, aproveita para se divertir enquanto trabalha. Segundo ele, esta é uma das características das novelas que escreve com Ricardo Linhares. "Mesmo quando as situações são sérias, o tratamento que eu e o Ricardo damos a elas é engraçado. Ou seja: o que a gente faz poderia ser chamado de tragicomédia. Quando escrevo uma cena de humor, eu me inspiro no dia-a-dia. Tudo o que vejo me parece sempre um pouquinho engraçado, ou patético", afirma Aguinaldo.
Se para os criadores imaginar diálogos irreverentes é uma festa, imagine para as criaturas que os interpretam. Sérgio Mambertti foi logo carregando no sotaque para fazer Alaor, o coronelão conquistador de Estrela-Guia. "Também colecionei expressões em Pirenópolis, interior de Goiás, como Crucrécorró!, que quer dizer Cruz credo, que coisa horrorosa!. Agora, todo mundo já fala na rua os bordões do Alaor quando me vê", diverte-se ele.
A reação do público, aliás, muda diante de intérpretes de tipos cômicos. Pelo menos é o que constata Daniel Dantas vivendo o afetado estilista Selmo de Windsor em Um Anjo Caiu do Céu.
"Acho que esses personagens estimulam as pessoas a se aproximarem e falarem com o ator. Talvez porque fica claro que quem está aparecendo na televisão é apenas um personagem, não sou eu", afirma Daniel. Já no horário nobre, em Porto dos Milagres, uma dupla do barulho vem se sobressaindo, não dando vez nem para romances em alto-mar. As cenas de Amapola e Venâncio, a patroa e o fiel mordomo vividos, respectivamente, por Zezé Polessa e Tadeu Melo, são aguardadas ansiosamente pela maioria dos telespectadores. Mas a diversão começa antes das gravações, durante as duas horas que Zezé leva para se montar.
"Ensaio com o Tadeu no camarim e ali mesmo já começamos a brincar muito", conta a atriz. "Os personagens extrovertidos sempre têm mais brilho. Mas o mais importante é eles terem envolvimento e importância na história que se passa à volta deles. Este, no caso, é um mérito dos autores da novela.