Líder do assalto ao trem pagador terá que cumprir 28 anos de pena
LONDRES - Ronald Biggs passou a sua primeira noite numa prisão, depois de permanecer 31 anos foragido no Brasil. Após desembarcar no início da manhã de ontem numa base aérea militar no interior da Inglaterra, o líder do "assalto ao trem pagador", em 1963, foi detido pela Scotland Yard e levado a uma clínica, sendo submetido a exames médicos. Os exames mostraram que Biggs estava apto para comparecer diante de um juiz. A sessão no tribunal durou oito minutos e o juiz determinou que o célebre criminoso cumpra os 28 anos restantes de sua sentença de prisão de 30 anos. Biggs foi levado em seguida à penitenciária de Belmarsh, em Londres, onde deve permanecer, pelo menos nos próximos dias.
A polícia e a Justiça fizeram questão de mostrar à opinião pública que Biggs está sendo tratado como um criminoso comum, sem regalias. Mas os advogados de Biggs anunciaram que vão tentar cancelar a sentença de prisão. Eles alegam que a saúde de Biggs, que tem 71 anos de idade, é muito precária e ele deve ser libertado por razões humanitárias.
A polêmica em torno do retorno de Biggs ganhou novos contornos ontem com a iniciativa da Press Complaints Comission, órgão que regula a atuação da Imprensa no país, de investigar o papel que o tablóide The Sun exerceu no retorno do criminoso. Os jornais britânicos não podem, por exemplo, oferecer dinheiro para criminosos para produzir reportagens. Mas é quase certo que o The Sun, que trouxe Biggs num jatinho do Brasil, pagou uma grande quantia de dinheiro para o ex-foragido da Justiça britânica. Além disso, há o aspecto ético da participação de um jornal - mesmo que um tablóide sensacionalista - no desfecho de uma das capítulos mais lendários da história do crime no país.
Ele viveu no Brasil nos últimos anos sem documentos, disse ontem a porta-voz do Ministério da Justiça, Luzia Carneiro.