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Produção da indústria aumenta 6,9%
RIO - Apesar da leve desaceleração de março, quando a produção industrial recuou 0,3%, a indústria brasileira continuou produzindo em níveis recordes. Fechou o primeiro trimestre com alta de 6,9%, sobre o mesmo período do ano passado - o melhor resultado nesse tipo de comparação dos últimos quatro trimestres. Em relação a março do ano passado, a alta foi de 7,7%.
A desaceleração nada tem a ver ainda com a alta dos juros iniciada em março ou com as incertezas da Argentina. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), não fossem os impactos das reduções de 4% na indústria química e na produção de petróleo, afetada pelo naufrágio da plataforma P-36, a produção industrial teria fechado o mês de março positiva em 0,7%.
"A baixa na extrativa mineral tem a ver com o acidente da plataforma, já a química é uma indústria mais complexa. Não dá para apontar um motivo", disse o economista Sílvio Sales, chefe do Departamento da Indústria do IBGE. Com o acidente da P-36, em meados de março, a bacia de Campos deixou de produzir 86 mil barris/dia. Naquele mês, a produção da Petrobras caiu 6%, em relação a fevereiro. As indústrias química e a extrativa mineral têm pesos importantes na estrutura industrial.
"A indústria, em dezembro, bateu um recorde. Estamos apenas 2,1% acima do patamar do último mês do ano. Não lemos essa perda de ritmo como uma nova tendência porque não foi expressiva", afirmou Sales. "Todos esses números são anteriores à mudança do ambiente macroeconômico", ressaltou o economista.
Sales acha, no entanto, que a pesquisa de abril pode ainda não mostrar uma redução nos investimentos porque os indicadores da indústria automobilística já divulgados mostram uma manutenção do ritmo da produção. "Esse é um importante setor.
A indústria automobilística tem crescido acima da média nacional, justificando o bom desempenho da indústria de bens de consumo duráveis (22,4%). Em relação a março do ano passado, o setor teve aumento de 31,5% na produção. O setormais fraco, em quase todas as comparações, continua sendo o de bens de consumo não duráveis, cujas vendas dependem mais do poder de compra do consumidor.
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