Edição de Segunda-Feira, 12 de Março de 2001
 
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Empresas adotam novas políticas

Imagine uma promoção através da qual você só muda de área, continua com um cargo no mesmo nível do anterior e, na maioria das vezes, com o salário sem alterações significativas? Imaginou? Pois bem, ela não é ficção, existe de verdade e antes que você a interprete como uma punição ou algum tipo de queimação profissional disfarçada, saiba que ela pode ser o sinal de que a empresa está lhe preparando para, entre outras coisas, fazer parte do seu quadro de executivos de alto nível.

  Também conhecida na linguagem dos RH como deslocamento horizontal na empresa, esse tipo de movimentação profissional é usada - especialmente por grandes companhias - como estratégia de desenvolvimento das competências dos funcionários. "É a maneira que as empresas encontraram para fazer com que os profissionais tenham uma visão geral do negócio em que estão envolvidos", explica a psicóloga e consultora da NBS Consulting Group, de São Paulo, Eli Helena de Souza Prado.

  Alargar a carreira é a expressão mais ouvida pelos profissionais envolvidos nessa dança de funções. "Hoje em dia, um engenheiro, por exemplo, tem que conhecer um pouco de tudo. Quanto mais ele dominar assuntos de outras áreas, melhor para o seu crescimento dentro da companhia", arremata a consultora.

Polivalência também é a palavra predileta do diretor técnico-científico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) Ênio Resende. Autor de dez livros de RH, sendo os últimos quatro sobre carreira e remuneração, Resende acha que o deslocamento horizontal é uma tendência imposta pela competitividade do mercado e pela globalização. "Quanto mais as pessoas dominam novos conhecimentos e tecnologias, dentro ou fora das suas áreas de atuação, mais elas se tornam empregáveis", esclarece. Segundo ele, mais de 30% das grandes empresas de São Paulo já adotam esse tipo de metodologia de promoção.

  Na Companhia de Bebida das Américas (AmBev), fabricante das marcas Antarctica, Brahma e Skol, o deslocamento horizontal é definido pelo diretor de Gente e Qualidade, Maurício Luchetti, como uma cultura. "Um executivo completo tem que conhecer bem o negócio da empresa", diz Luchetti, que experimentou na pele o modelo de gestão horizontalizante da AmBev. Antes de ocupar o atual cargo, foi diretor regional de vendas do Centro-Oeste. Com a promoção, continuou diretor, mas, desta vez, cuidando do setor de RH, área totalmente diferente da que atuava.

  Foi graças ao senso de observação da empresa, que o talento do engenheiro baiano Ricardo Madureira, 30 anos, hoje gerente da filial da AmBev em Teresina, Piauí, tem sido reconhecido. Na companhia desde 1994, ele começou como engenheiro de processo e produção de uma cervejaria em Salvador. Depois de ascender verticalmente, passando para a coordenação de Qualidade da mesma empresa e para a coordenação corporativa de Qualidade da AmBev, em São Paulo, foi promovido a gerente corporativo de Recursos Humanos, área distinta das que havia trabalhado, recebendo outras promoções. Para ele, o desafio de conhecer áreas diferentes é o que o motiva. "Às vezes dá um friozinho no estômago, mas faz parte do trabalho", brinca. (C.G.)








 

 
 
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