Edição de Segunda-Feira, 12 de Março de 2001
 

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Monitor morre em rebelião na Febem

Motim ocorreu na unidade de Franco da Rocha (SP), onde os menores denunciam que vêm sendo torturados

Um monitor morreu e dezenas de pessoas ficaram feridas em uma rebelião na unidade da Febem de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, ontem, após o resgate de vinte internos. Três homens com revólveres e pistolas, misturados com as visitas dos garotos, dominaram os monitores no setor onde a revista de entrada é feita, por volta das 11h, e atiraram em dois funcionários, desarmados. Um deles, Renato Araújo Feitosa, morreu e, o outro, Flavio José Araújo, foi internado em estado grave. O número de feridos poderia ter sido maior, porque os rebelados invadiram o setor onde ficam os garotos ameaçados de morte, segundo o sindicato dos funcionários da Febem.

  Houve confronto em cima do telhado da unidade, por volta das 18h, entre internos e policiais, que terminaram controlando a rebelião quando dois helicópteros da PM desceram no telhado da unidade da Febem. PMs da tropa de choque, segundo imagens mostradas pelas emissoras de TV, atiraram com munição de borracha nos adolescentes, até mesmo naqueles que já estavam agachados e deitados. Os rebelados fizeram pelos menos quarenta funcionários como reféns, depois que a rebelião se espalhou. Cinco reféns foram agredidos e atirados de cima do telhado, de uma altura de quase três metros.

  É o quinto motim na mesma unidade da Febem, que hoje tinha cerca de 400 internos e foi inaugurada há menos de um ano. Todos os adolescentes são considerados perigosos. Entre eles, está F.P., 17, conhecido como Batoré, apontado como autor de quinze homicídios, sendo que três das vítimas eram policiais. Ele foi resgatado de uma perua da Febem, no ano passado, e acabou depois recapturado pela polícia. Na história da Febem, três funcionários morreram, todos nos últimos 12 meses. Por causa disso, o sindicato ameaça parar hoje a categoria, em protesto. No início da noite, a tropa de choque ocupou partes da unidade de Franco da Rocha, mas as autoridades não confirmavam o número de feridos.

  Duas das três pessoas que promoveram o resgate ficaram dentro da unidade da Febem, segundo a polícia. A terceira conseguiu escapar. Logo que dominaram os pavilhões, os rebelados passaram a exigir a presença de entidades de direitos humanos, do padre Júlio Lancelotti, da Pastoral da Criança e do Adolescente, e de um juiz. Parte dos reféns foi levada para o telhado, de onde os rebelados observavam a movimentação da tropa de choque da PM. Às 17h40, um dos monitores foi empurrado de cima do telhado, após ser agredido pelos adolescentes.

  Em seguida, percebendo que os policiais se preparavam para invasão, os garotos derrubaram colchões em chamas nos corredores, para montar barricadas. Eles foram surpreendidos por dois helicópteros da PM, que se aproximaram do telhado e desceram policiais da tropa de choque, armados com escudos e espingardas. Do lado de fora, a polícia usou gás pimenta para dispersar jornalistas e familiares dos internos, que entraram em pânico ao ouvir os primeiros disparos.

  Segundo Conceição Paganelli, presidente da Amar (Associação das Mães e Amigos das Crianças e Adolescentes em Risco), os internos se rebelaram porque haviam sido agredidos por funcionários durante a semana, um dia após a visita da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Esta semana, a Febem admitiu a existência de tortura nas unidades.


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