Edição de Segunda-Feira, 5 de Março de 2001
 
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Os meios e o fim

Laércio Portela
E-mail:politica@dpnet.com.br

A nomeação de cargos comissionados na Prefeitura e Câmara Municipal tem sido um dilema para o PT do Recife. A questão é mesmo delicada. O problema é que seus líderes têm se desdobrado para justificar os erros. Entenda-se por erro, o deslize ético de seus atos. Sim, porque os petistas reiteram que vêm sempre agindo conforme a lei. Acontece que nem tudo que é legal é ético. Mesmo porque, a ética é forjada por preceitos que nós seguimos sem a imposição da norma. Dois casos ilustram os equívocos do partido. O primeiro atingiu a figura da primeira-dama Luzia Jeanne, nomeada presidente da LAR e, ao mesmo tempo, assessora da Secretaria de Saúde. A nomeação para a assessoria foi fruto de uma manobra para que a primeira-dama tivesse garantido seu salário de servidora pública federal à disposição da PCR, uma vez que o cargo de presidente da LAR não é remunerado. O jeitinho petista de ajustar as coisas foi condenado pela opinião pública e a primeira-dama entregou o cargo na Saúde. Agora, o presidente da Câmara, DilsonPeixoto, faz jogada do mesmo quilate para contemplar o vereador neo-aliado Antônio Luiz Neto (PRTB), lotando-o em seu gabinete para garantir ao parlamentar o acúmulo do salário de vereador e de servidor municipal à disposição da CMR. Os petistas alegam que tais nomeações são detalhes menores, que não colocam em xeque o projeto maior do partido. Sendo assim, parece que aderiram ao ditado que diz que "os fins justificam os meios". Luís Fernando Veríssimo me parece mais saudável quando afirma, com propriedade, que "os meios qualificam o fim".

Só há uma saída decente para a dupla Dilson Peixoto/Antônio Luiz Neto no caso da nomeação do vereador do PRTB como assessor especial: a entrega do cargo e o pedido de licença não remunerada
da PCR. Não existe paliativo moral para o caso

Explicação
  O Governo do Estado precisa dar uma explicação sobre documento da Secretaria de Produção Rural que restringe aos líderes políticos ligados ao Palácio o poder de escolher as associações que devem receber sementes no Interior do Estado. Se existe de fato, a prática tem que ser extirpada. O silêncio soa como mea-culpa.


Auto-crítica
  O vice-presidente Marco Maciel admite em entrevista à Revista República deste mês que a reforma político-partidária está atrasada, já deveria ter saído há muito tempo do papel. “Estamos atrás do tempo perdido”, afirma. A declaração só pode ser encarada como uma auto-crítica do Governo FHC, que não teve a menor vontade política de tocar a reforma, optando apenas por aprovar a emenda da reeleição.

Galhofa
  Murilo Mendonça (PMDB) tem um prognóstico nada otimista para os oposicionistas na Câmara. “Daqui para o meio do governo do PT, a oposição vai caber dentro de uma caixa de fósforo”. Citando Montesquieu, o vereador avisa que o “poder corrompe”. “Éramos 31 governistas na gestão Magalhães, somos, agora, 12 oposicionistas e, daqui para lá, ha, ha, ha...”.


Laços de família
  Em São José do Belmonte, o prefeito Manoel Gomes de Carvalho Pires (PFL) tem se esforçado para bater todos os recordes de nepotismo: seu filho é chefe de gabinete; a esposa, secretária de Educação; o irmão, secretário de Transportes; a cunhada, secretária de Finanças; o sobrinho, secretário de Saúde; a prima, secretária de Agricultura; a sobrinha, diretora de Saúde; e a nora, assessora de Ação Social.


Fora de época
  A Executiva Estadual do PSB, presidida por Jorge Gomes, se reúne hoje pela manhã para definir, dois anos após a posse de Jarbas Vasconcelos no Palácio das Princesas, que tipo de oposição vai fazer ao Governo do Estado. A idéia é promover uma marcação mais cerrada à gestão, através do acompanhamento diário dos despachos e atos do governador e seus secretários.


Firmeza 1
  Mário Covas vai deixar a imagem de um administrador público competente, mas turrão. Difícil de dobrar. Pode-se questionar seus posicionamentos, mas nunca dizer que ele não era uma pessoa de opinião e de caráter firmes. Algo que falta aos políticos locais, mais dados a coquetéis, inaugurações e poses para o Diário Oficial e colunas sociais.


Firmeza 2
  Os políticos pernambucanos contemporâneos, com raríssimas exceções, gostam mesmo é de fazer política à base da ambigüidade e das futricas de bastidores. Não mostram a cara e nem assumem, sem disfarces, seus atos e posições. Falta-lhes, o que sobra a Covas, coragem de se expor.


 Luciana Santos (PC do B) será a madrinha do navio Olinda, que está sendo construido no estaleiro Libra, no Porto do Rio, por encomenda da empresa anglo-holandesa Nedloyds. A embarcação, um porta-conteineres, fará o transporte de mercadorias do Brasil para países do Extremo Oriente. Luciana foi convidada pela diretoria da empresa estrangeira e estará no Rio, no dia 22 de março, para estourar o champagne no casco da embarcação.








 

 
 
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