Os meios e o fim
Laércio Portela
E-mail:politica@dpnet.com.br
A nomeação de cargos comissionados na Prefeitura e Câmara
Municipal tem sido um dilema para o PT do Recife. A questão é mesmo
delicada. O problema é que seus líderes têm se desdobrado para justificar
os erros. Entenda-se por erro, o deslize ético de seus atos. Sim, porque
os petistas reiteram que vêm sempre agindo conforme a lei. Acontece
que nem tudo que é legal é ético. Mesmo porque, a ética é forjada por
preceitos que nós seguimos sem a imposição da norma. Dois casos ilustram
os equívocos do partido. O primeiro atingiu a figura da primeira-dama
Luzia Jeanne, nomeada presidente da LAR e, ao mesmo tempo, assessora
da Secretaria de Saúde. A nomeação para a assessoria foi fruto de uma
manobra para que a primeira-dama tivesse garantido seu salário de servidora
pública federal à disposição da PCR, uma vez que o cargo de presidente
da LAR não é remunerado. O jeitinho petista de ajustar as coisas foi
condenado pela opinião pública e a primeira-dama entregou o cargo na
Saúde. Agora, o presidente da Câmara, DilsonPeixoto, faz jogada do mesmo
quilate para contemplar o vereador neo-aliado Antônio Luiz Neto (PRTB),
lotando-o em seu gabinete para garantir ao parlamentar o acúmulo do
salário de vereador e de servidor municipal à disposição da CMR. Os
petistas alegam que tais nomeações são detalhes menores, que não colocam
em xeque o projeto maior do partido. Sendo assim, parece que aderiram
ao ditado que diz que "os fins justificam os meios". Luís Fernando Veríssimo
me parece mais saudável quando afirma, com propriedade, que "os meios
qualificam o fim".
Só há uma saída decente para
a dupla Dilson Peixoto/Antônio Luiz Neto no caso da nomeação
do vereador do PRTB como assessor especial: a entrega do cargo e o pedido
de licença não remunerada
da PCR. Não existe paliativo moral para o caso
Explicação
O Governo do Estado precisa dar uma explicação
sobre documento da Secretaria de Produção Rural que restringe
aos líderes políticos ligados ao Palácio o poder
de escolher as associações que devem receber sementes
no Interior do Estado. Se existe de fato, a prática tem que ser
extirpada. O silêncio soa como mea-culpa.
Auto-crítica
O vice-presidente Marco Maciel admite em entrevista à
Revista República deste mês que a reforma político-partidária
está atrasada, já deveria ter saído há muito
tempo do papel. Estamos atrás do tempo perdido, afirma.
A declaração só pode ser encarada como uma auto-crítica
do Governo FHC, que não teve a menor vontade política
de tocar a reforma, optando apenas por aprovar a emenda da reeleição.
Galhofa
Murilo Mendonça (PMDB) tem um prognóstico
nada otimista para os oposicionistas na Câmara. Daqui para
o meio do governo do PT, a oposição vai caber dentro de
uma caixa de fósforo. Citando Montesquieu, o vereador avisa
que o poder corrompe. Éramos 31 governistas
na gestão Magalhães, somos, agora, 12 oposicionistas e,
daqui para lá, ha, ha, ha....
Laços de família
Em São José do Belmonte, o prefeito Manoel
Gomes de Carvalho Pires (PFL) tem se esforçado para bater todos
os recordes de nepotismo: seu filho é chefe de gabinete; a esposa,
secretária de Educação; o irmão, secretário
de Transportes; a cunhada, secretária de Finanças; o sobrinho,
secretário de Saúde; a prima, secretária de Agricultura;
a sobrinha, diretora de Saúde; e a nora, assessora de Ação
Social.
Fora de época
A Executiva Estadual do PSB, presidida por Jorge Gomes,
se reúne hoje pela manhã para definir, dois anos após
a posse de Jarbas Vasconcelos no Palácio das Princesas, que tipo
de oposição vai fazer ao Governo do Estado. A idéia
é promover uma marcação mais cerrada à gestão,
através do acompanhamento diário dos despachos e atos
do governador e seus secretários.
Firmeza 1
Mário Covas vai deixar a imagem de um administrador
público competente, mas turrão. Difícil de dobrar.
Pode-se questionar seus posicionamentos, mas nunca dizer que ele não
era uma pessoa de opinião e de caráter firmes. Algo que
falta aos políticos locais, mais dados a coquetéis, inaugurações
e poses para o Diário Oficial e colunas sociais.
Firmeza 2
Os políticos pernambucanos contemporâneos,
com raríssimas exceções, gostam mesmo é
de fazer política à base da ambigüidade e das futricas
de bastidores. Não mostram a cara e nem assumem, sem disfarces,
seus atos e posições. Falta-lhes, o que sobra a Covas,
coragem de se expor.
Luciana Santos (PC do B) será a madrinha do navio Olinda,
que está sendo construido no estaleiro Libra, no Porto do Rio,
por encomenda da empresa anglo-holandesa Nedloyds. A embarcação,
um porta-conteineres, fará o transporte de mercadorias do Brasil
para países do Extremo Oriente. Luciana foi convidada pela diretoria
da empresa estrangeira e estará no Rio, no dia 22 de março,
para estourar o champagne no casco da embarcação.