(Atualizado no dia 02/03/2001)
 
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Imóveis

Reocupação vai exigir investimentos

Projeto explora potencial imobiliário de áreas como São José, São Pedro, Boa Vista e Bairro do Recife

A valorização imobiliária de uma área depende de vários fatores: infra-estrutura urbana (água, energia elétrica, esgotos, ruas asfaltadas), transporte, proximidade com hospitais, supermercados, escolas. Mas o que dizer de locais que teoricamente reúnem condições para serem valorizados, e não são?

Boa parte dos bairros centrais do Recife, como São José, São Pedro, Boa Vista, Bairro do Recife (em processo de revitalização) sofreram esvaziamento tanto de moradores quanto do comércio, nas últimas décadas. Não há explicação convincente para a saída dos moradores dessas áreas.

  "Estamos nos articulando para realizar um convênio com a UFPE, Câmara de Diretores Lojistas (CDL) e Caixa Econômica Federal para realizar um levantamento dos espaços habitacionais desocupados do Centro", adianta a secretária-adjunta de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Ambiental da Prefeitura da Cidade do Recife, Luciana Azevedo. Segundo ela, a dinamização dos espaços centrais e sua revalorização passa necessariamente pelo retornodas moradias a essas áreas.

  Batizado de Morar no Centro, o programa da Prefeitura pretende reduzir o adensamento de bairros como Espinheiro, Graças e Casa Forte, estimulando as pessoas, entre outras coisas, a residirem no Centro do Recife. "A proposta é incentivar os trabalhadores a morarem perto do seu trabalho", diz a secretária-adjunta.

  Para o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Arménio Ferreira, os bairros descritos pela Prefeitura como extremamente povoados estão longe de serem definidos, pelo menos do ponto de vista técnico, como densamente habitados. Como áreas com potencial imobiliário a serem exploradas no Centro, ele aponta o setor de casarios antigos existentes entre a rua Imperial e a avenida Sul; o de armazéns junto a linha ferroviária do Cais José Estelita, além do miolo delimitado entre a rua da Aurora e a Cruz Cabugá (na altura da Fiepe). "São áreas enormes, algumas muito degradadas, que estão perdidas por falta de intervenção do Poder Público e por conta de proprietários que só especulam", salienta.

  Brasília Teimosa é outro ponto da cidade que chama a atenção das imobiliárias e construtoras, por sua localização privilegiada. Se não fosse uma invasão, o local teria terrenos com preços apenas 10% mais baratos que os do Pina (onde o metro quadrado edificante custa, em média, R$ 500,00).

  Dependendo do investimento em infra-estrutura na comunidade, os valores dos terrenos poderiam, inclusive, superar os de algumas áreas da orla. A análise é do diretor da Emphasis Negócios Imobiliários, Lourenço Novaes Cavalcanti. "Houve até um projeto de um restaurante panorâmico no local, que não deu certo por causa da vizinhança", lembra. Também admirador de Brasília Teimosa, Jairo Rocha, dono da imobiliária com o mesmo nome, cita a Boa Vista como um bairro com grandes possibilidades imobiliárias. "Ainda existe espaço lá para alguns arranha-céus", diz.

  Outro bairro esquecido é a Imbiribeira. "Tem boa infra-estrutura, mas tem problemas de solo, que exige fundações profundas, encarecendo o custo das construções", explica Antenor Lino, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi). (Cleide Galdino)








 

 
 
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