Edição de Quinta-Feira, 22 de Fevereiro de 2001
 
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A Dama da Noite no palco

Em 98, o público recifense pôde conferir a adaptação do seu perturbador conto A Dama da Noite, no II Festival de Teatro do Recife. A peça narrava a história de Dana Avalon, que durante o espetáculo divagava sobre a sua vida na noite e a convivência com personalides que estavam ao seu lado no universo noctívago sem encontrar qualquer saída para apatia na qual se encontravam. A peça foi tirada do livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso cuja temática gira em torno de personagens alienados, homossexuais, solitários e que têm comum em a identidade marginal.

  Para conhecer mais sobre o universo literário e pessoal do ex-punk Caio Fernando Abreu, que gostava da música de Eric Satie e sugeria ao seu leitor que ouvisse Angela RoRô enquanto lia alguns de seus contos, o melhor é recorrer aos três livros de maior repercussão e que sintetizaram esse clima sombrio que marcou a sua obra: O Ovo Apunhalado, Pedras de Calcutá e Morangos Mofados. A editora Companhia das Letras é atual detentora dos direitos do artista reunindo em sua coleção Os Dragões Não Conhecem o Paraíso, Morangos Mofados, Onde Andará Dulce Veiga?, Pedras de Calcutá e o seu último livro de coletâneas Estranhos Estrangeiros.

  Caio Fernando Abreu narrou, sobretudo, o percurso do ser homem em direção ao amor ou ao encontro de alguém que ele julgava estar apaixonado, expôs toda a ausência de resistência à paixão e sua fragilidade diante do desejo de proteção. Com a mesma dedicação missivista de escritores como Mário de Andrade, Ana Cristina César e tantos outros que deixaram registradas em cartas um pouco de suas respectivas personalidades, Caio Fernando Abreu escreveu, perto de sua morte, aos amigos íntimos: "Na minha lápide, vou querer algo do tipo: Caio F., que muito amou".


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