Edição de Quinta-Feira, 22 de Fevereiro de 2001
 
Início Diario de Pernambuco Viver RoRô no toca-discos

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Assinaturas e Renovações
 
Expediente
 
Edições Anteriores do Diario de Pernambuco




Viver

RoRô no toca-discos

Caio Fernando Abreu nasceu em Santiago, região dos pampas próxima à Argentina, em 1948, e morreu por conseqüência de complicações da Aids, aos 48 anos, em 26 de fevereiro de 1996. Trabalhou como jornalista em revistas, colaborou como crítico literário em jornais, ganhou prêmios, fez do exílio belos e comoventes contos. Transitou das crônicas ao drama teatral com a fluidez dos versos catárticos, que conquastaram fãs em todo o Brasil. Desde os adeptos da terapia reichiana aos que participaram do mesmo clima político tenso e castrador.

  O fato de o texto de Caio Fernando Abreu ter essa vertente inquieta, nervosa e homoerótica foi responsável pela identificação de uma Literatura brasileira específica, desenvolvida nas experiências vivenciadas pelo autor, que transformou alegorias, metáforas e até mesmo Astrologia em criações poéticas e literárias. Ao dar dimensão maior aos aspectos da personalidade de escritores que criaram Literatura a partir do cotidiano, alguns críticos terminaram eclipsando a força intelectual e o registro poético que suas obras trouxeram junto aos experimentos pessoais típicos dessa geração. Com Caio Fernando Abreu não foi diferente.

  Seu primeiro livro, Limite Branco, foi lançado em 1971, mas foi apenas com Morangos Mofados (publicado na série Cantadas Literárias pela Editora Brasiliense), de 1982, que ele se definiu profissionalmente e teve destaque no cenário literário brasileiro. O livro foi desenvolvido através da continuação de Pedras de Calcutá (1977), inspirado em verso do poeta gaúcho Mario Quintana, onde fala sobre a juventude brasileira em meio ao golpe militar de 64. Morangos Mofados, certamente uma clássico da geração 80 e seu livro mais importante, é dividido em duas partes: o mofo e os morangos.

  Na primeira parte do livro, Caio Fernando apresenta, ainda, a ditadura militar, anteriormente tema em Pedras de Calcutá, e o processo de repressão da liberdade que representou essa geração de Morangos Mofados (aquele tipo de fruta de entressafra que precisa ser vendida o mais rápidopossível se não apodrece nas prateleiras dos supermercados). Daí, a velocidade pela qual ele corre com sua literatura abordando a cultura da juventude das décadas de 70 e 80 e estéticas artísticas e comportamentais surgidas nos rastros delas. Na segunda parte do livro, há uma esperança limiar. Linha tênue entre os percalços políticos, as experiências emocionais e a tentativa de amar, como sempre tema corrente na sua obra. 


Voltar






 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br