Cachês milionários, vips na platéia, peças quase únicas no preço e na proposta. Quem vê tanto glamour num desfile de moda - ou mesmo olha com desdém a vitrine de uma lojinha do Centro - pode não conhecer o mundo que está por trás. Em toda a cadeia do estilismo, a maioria dos profissionais estudam, pesquisam, competem e, muitas vezes, amargam um mercado de trabalho tão seletivo e restrito que em quase nada lembra o luxo das passarelas.
Nem os prêmios Josué Cristiano Gomes da Silva, do Congresso Nacional Têxtil, e Nelson Chaves da Fundaj, tampouco o curso no conhecido Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Cetict), deram à professora pernambucana Maria Alice Rocha a segurança de um emprego. "Quando terminei o curso, quis trabalhar na cidade, mas nenhuma empresa pôde comprar meu conteúdo. Fui a São Paulo e montei uma empresa", lembra.
Maria Alice era sócia de um birô em São Paulo, quando a UFRPE a convidou para assumir uma cadeira. "Vendi minha parte, voltei e pensei em montar um birô de modano Recife, serviço raro na cidade". Hoje, é professora da disciplina Vestuário, do curso de Economia Doméstica da Universidade Federal de Pernambuco. A professora também coordena cursos de extensão, como o de Pesquisa em Moda e Modelagem Industrial. "Ao contrário do que possa parecer, a demanda é sempre além das vagas. Esse ano, os cursos começarão a partir de abril".
O profissional de moda pode trabalhar, por exemplo, como gerente de produção, estilista, assistente de estilo ou ter o próprio negócio. É o caso do estilista pernambucano Marcelo Taulbert, 31. Com a também estilista Andréa Monteiro, Taulbert montou, há quatro meses, um escritório em casa, de onde saem idéias e trabalhos para marcas de surf e streetwear, perfis dos principais clientes. "Durante o Carnaval, vou à Califórnia com a Rota do Mar, para fazer pesquisas de coleções".
lucros - Por mês, o estilista chega a ganhar R$ 5 mil. "Também estão com a gente, como prestadores de serviços, um expert em estamparia, Geovani Galo, e uma modelista, Regina Araújo", diz Taulbert, que tem na bagagem os cursos de modelagem e estilo da reconhecida Fundação Armando Alvares Penteado (SP).
Também objetivo de montar o próprio negócio, o relações públicas Roberto Rocha fez o curso técnico de estilismo e moda do Senac. "Só tenho ótimas referências do curso. Pena que falta apoio do empresariado, tanto viabilizando matéria-prima quanto possibilitando emprego", analisa. "Por isso que tem muita gente trabalhando em lojas de tecidos, recebendo R$ 270,00 , valor pago a um comerciário". Além da UFRPE e Senac, o Senai e Sesc também oferecem cursos na área.
Serviço
UFRPE - 3302.1061 e 3302.1064
Senac - 3423.2228
Senai - 3438.5144
Sesc - 3441.8900
Marcelo Taulbert e Andréa Monteiro - 3222.9395