Edição de Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2001
 
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Vida Urbana

Governo define regras para garantir qualidade da água

Portaria federal cobra mais rigor de empresas que fornecem o produto

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão executivo do Governo Federal, definiu o novo padrão de potabilidade (condição de consumo) da água distribuída à população. A partir deste ano, as empresas responsáveis pela captação, tratamento e abastecimento terão que ser mais rigorosas no quesito qualidade. O assunto está previsto em portaria publicada no final do mês passado pelo Ministério da Saúde. Entre as novidades da nova regulamentação está o envio anual ao consumidor de um relatório contendo informações sobre as condições da água que chega à sua residência.

  Uma outra determinação da portaria é o estabelecimento de limites de tolerância ao organismo humano das cianobactérias (algas azuis), encontradas nas águas. Para quem não se lembra, esses microorganismos foram responsáveis em 1996 pelo episódio em Caruaru que ficou conhecido como Tragédia da Hemodiálise, onde 44 morreram por conta da contaminação da água usada pelas máquinas de diálise e outras 100 apresentarem problemas de intoxicação. "A partir deagora, vai haver um parâmetro para a presença das cianobactérias, o que não existia antes", informou o diretor de Vigilância Sanitária, Jaime Brito, que participou da elaboração da portaria.

  Segundo ele, as novas regras valem para tanto para as empresas quanto para os sistemas alternativos, como carros-pipas e poços, responsáveis em Pernambuco pelo abastecimento de 40% da população. "Até então, não havia nenhuma regulamentação sobre o assunto para esses sistemas alternativos", completou Brito. Os principais parâmetros que serão usados como referência de qualidade da água estão relacionados aos fatores físico-químicos, que apontam a quantidade de substâncias como ferro e alumínio, e bacteriológicos, que determinam a presença de coliformes fecais.

  Para se adequar às novas regras, as empresas terão um prazo de dois anos. Mas de acordo com o diretor técnico da Compesa, Álvaro Menezes, a previsão é de que algumas mudanças previstas pela portaria já saiam do papel este ano. "Esperamos que possamos fazer ainda este ano as modificações nas coletas de água, que passam a acontecer em maior número", informou. Atualmente, a coleta acontece na chamada água bruta, nas estações de tratamento, nos reservatórios, na rede distribuidora e na casa do usuário. O envio de informações sobre a qualidade da água ao consumidor deverá ser um dos últimos itens a ser posto em prática pela Compesa. "Isso porque teremos que informatizar ainda mais os nossos serviços", completou Menezes.

DOENÇAS - A revisão dos padrões de potabilidade da água teve como base critérios de qualidade estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso porque a contaminação do produto ou a presença acima do permitido de substância químicas e coliformes fecais podem causar doenças como diarréia, intoxicações, hepatite A e cólera.






 

 
 
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