Edição de Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2001
 

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Façam suas apostas

Kildare Rodrigues

Hoje é o grande dia para o Congresso. Deputados e senadores estarão escolhendo os futuros presidentes das suas respectivas Casas pelos próximos dois anos. A eleição promete ser a mais disputada da história do Congresso e qualquer previsão de resultado fica difícil. Mesmo assim, usando a matemática, se não dá pra saber os nomes dos vencedores, pelo menos dá pra fazer uma projeção. A Câmara possui 513 deputados que dificilmente faltarão à sessão de hoje. Mas vamos tomar 500 como o número base. Com este número de deputados votando, só ganha a eleição quem obtiver 251 votos - 50% mais um dos presentes. Menos que isso, a disputa vai para um segundo turno. A oposição toda tem 109 votos, mas está dividida. Se Aloízio Mercadante (PT-SP) tiver menos de 50 votos será uma desmoralização para o PT que, sozinho, tem uma bancada com 56. Do lado governista Aécio Neves (PSDB-MG) e Inocêncio Oliveira (PFL-PE) terão que conquistar 251 votos dos 430 restantes - 500 menos os possíveis 70 da oposição. Valdemar Costa Neto (PL-SP)e Nelson Marquezelli (PTB-SP) correm por fora. No Senado são 81 votos, mas a coisa também está embolada. Jader Barbalho diz ter 23 votos do PMDB e 14 no PSDB. O PFL afirma que tem parte desses votos e torce para que peemedebistas como José Fogarça e Roberto Requião votem em Jefferson Peres (PDT-AM). Com o lançamento, ontem, da candidatura do senador Arlindo Porto (PTB-MG), o PFL quer embolar ainda mais esse quadro para impedir a vitória de Jader. Resta saber se vai conseguir. A sorte está lançada. Façam suas apostas!

Do senador José Eduardo Dutra (PT-SE), ao saber que ACM conta com seu voto: “Se ACM conta como votos elogios justos e circunstanciais, isso só demonstra que está com dificuldade de avaliação política, o que pode ser a causa de sua decadência”.

Discagem seletiva
  O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou nos últimos dias para senadores que ainda hesitam em votar em Jader Barbalho para a presidência do Senado. Mas não discou para tantos indecisos quanto a cúpula do PMDB gostaria que fizesse.

Salvo pela indecisão
  O senador Arlindo Porto (PTB-MG) foi acusado de abuso de poder econômico e uso da máquina na eleição de 1994. Escapou por um voto no julgamento: Maurício Correia, que admitiu a prática de crimes eleitorais, mas ficou em dúvida se eles haviam influenciado o resultado da eleição. A diferença para o segundo colocado foi de apenas 0,26%.

Voz do Brasil
  A voz do senador Arlindo Porto foi ouvida duas vezes no plenário do Senado, segundo brincadeira que corre entre senadores: nos discursos que fez quando saiu para o ministério do presidente Fernando Henrique Cardoso e quando voltou, magoado, ao deixar o Governo federal.

Sem alternativa
  Até a última hora o PFL tentou encontrar uma terceira via de fato viável para enfrentar Jader. Segunda à noite, Jorge Bornhausen ligou para Artur da Távola, secretário de César Maia. O tucano declinou o convite.

Alívio imediato
  A terceira via que o PMDB mais temia estava no próprio PFL: Agripino Maia (RN). Tinha votos em outros partidos e até no PMDB. Por isso, a sigla chamou Fernando Bezerra (Integração Nacional) de volta. O suplente do ministro, Tasso Rosado, é amigo de Agripino.

Voto de confiança
  Tião Viana (PT-AC) disse a Jefferson Péres que vai lhe mostrar seu voto, para enterrar as insinuações de ACM de que teria apoio no PT do Acre para o seu candidato. Péres desconversou e recusou a gentileza. Disse apenas que o baiano está tentando desestabilizar a oposição.

Mapa eleitoral
  José Genoino (PT-SP) só espera o fim da eleição no Congresso para iniciar de fato sua campanha ao governo paulista.

Arlindo Porto (PTB), o candidato da terceira via no Senado que o PFL demorou tanto a encontrar, corre o risco de ser cassado pelo TSE. Acusado de crimes eleitorais, escapou por um voto no primeiro julgamento. Mas há um recurso do PT. Na hipótese, remota, de ganhar a eleição, poderá ser o primeiro presidente cassado da Casa.






 

 
 
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