Façam suas apostas
Kildare Rodrigues
Hoje é o grande dia para o Congresso. Deputados e senadores
estarão escolhendo os futuros presidentes das suas respectivas Casas
pelos próximos dois anos. A eleição promete ser a mais disputada da
história do Congresso e qualquer previsão de resultado fica difícil.
Mesmo assim, usando a matemática, se não dá pra saber os nomes dos vencedores,
pelo menos dá pra fazer uma projeção. A Câmara possui 513 deputados
que dificilmente faltarão à sessão de hoje. Mas vamos tomar 500 como
o número base. Com este número de deputados votando, só ganha a eleição
quem obtiver 251 votos - 50% mais um dos presentes. Menos que isso,
a disputa vai para um segundo turno. A oposição toda tem 109 votos,
mas está dividida. Se Aloízio Mercadante (PT-SP) tiver menos de 50 votos
será uma desmoralização para o PT que, sozinho, tem uma bancada com
56. Do lado governista Aécio Neves (PSDB-MG) e Inocêncio Oliveira (PFL-PE)
terão que conquistar 251 votos dos 430 restantes - 500 menos os possíveis
70 da oposição. Valdemar Costa Neto (PL-SP)e Nelson Marquezelli (PTB-SP)
correm por fora. No Senado são 81 votos, mas a coisa também está embolada.
Jader Barbalho diz ter 23 votos do PMDB e 14 no PSDB. O PFL afirma que
tem parte desses votos e torce para que peemedebistas como José Fogarça
e Roberto Requião votem em Jefferson Peres (PDT-AM). Com o lançamento,
ontem, da candidatura do senador Arlindo Porto (PTB-MG), o PFL quer
embolar ainda mais esse quadro para impedir a vitória de Jader. Resta
saber se vai conseguir. A sorte está lançada. Façam suas apostas!
Do senador José Eduardo Dutra (PT-SE), ao saber que
ACM conta com seu voto: “Se ACM conta como votos elogios justos e circunstanciais,
isso só demonstra que está com dificuldade de avaliação política, o
que pode ser a causa de sua decadência”.
Discagem seletiva
O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou nos últimos
dias para senadores que ainda hesitam em votar em Jader Barbalho para
a presidência do Senado. Mas não discou para tantos indecisos
quanto a cúpula do PMDB gostaria que fizesse.
Salvo pela indecisão
O senador Arlindo Porto (PTB-MG) foi acusado de abuso de
poder econômico e uso da máquina na eleição
de 1994. Escapou por um voto no julgamento: Maurício Correia,
que admitiu a prática de crimes eleitorais, mas ficou em dúvida
se eles haviam influenciado o resultado da eleição. A
diferença para o segundo colocado foi de apenas 0,26%.
Voz do Brasil
A voz do senador Arlindo Porto foi ouvida duas vezes no
plenário do Senado, segundo brincadeira que corre entre senadores:
nos discursos que fez quando saiu para o ministério do presidente
Fernando Henrique Cardoso e quando voltou, magoado, ao deixar o Governo
federal.
Sem alternativa
Até a última hora o PFL tentou encontrar uma
terceira via de fato viável para enfrentar Jader. Segunda à
noite, Jorge Bornhausen ligou para Artur da Távola, secretário
de César Maia. O tucano declinou o convite.
Alívio imediato
A terceira via que o PMDB mais temia estava no próprio
PFL: Agripino Maia (RN). Tinha votos em outros partidos e até
no PMDB. Por isso, a sigla chamou Fernando Bezerra (Integração
Nacional) de volta. O suplente do ministro, Tasso Rosado, é amigo
de Agripino.
Voto de confiança
Tião Viana (PT-AC) disse a Jefferson Péres
que vai lhe mostrar seu voto, para enterrar as insinuações
de ACM de que teria apoio no PT do Acre para o seu candidato. Péres
desconversou e recusou a gentileza. Disse apenas que o baiano está
tentando desestabilizar a oposição.
Mapa eleitoral
José Genoino (PT-SP) só espera o fim da eleição
no Congresso para iniciar de fato sua campanha ao governo paulista.
Arlindo Porto (PTB), o candidato da terceira via no
Senado que o PFL demorou tanto a encontrar, corre o risco de ser cassado
pelo TSE. Acusado de crimes eleitorais, escapou por um voto no primeiro
julgamento. Mas há um recurso do PT. Na hipótese, remota, de ganhar
a eleição, poderá ser o primeiro presidente cassado da Casa.