Edição de Quarta-Feira, 7 de Fevereiro de 2001
 
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Frederico Barbosa em Contracorrente

Carolina Leão
especial para o DIARIO

A poesia brasileira passou por um processo de implosão nas últimas décadas. Primeiro, atestaram a ausência de ideologias, a supremacia dos yuppies e o fim das utopias que por muito tempo impulsionaram a produção poética de gerações contraculturais. Nos anos 80, tirando cânones literários como João Cabral de Melo Neto, pouco nomes se destacaram e os últimos moicanos dos anos 70 arriscaram escrever impressões em uma geléia geral que obteve pouca visibilidade na cultura brasileira. Os autores migraram para outras áreas como a comunicação tornando a poesia assim: rarefeita. Contracorrente, o terceiro livro de poemas de Frederico Barbosa, embora ele não tenha a intenção de fazê-lo um manifesto da poesia sobrevivente, ilustra bem esse panorama literário.

  Logo na orelha do livro, encontra-se um pequeno ensaio do autor sobre a perspectiva literária nacional. O poeta aponta o concretismo como o único momento no qual o Brasil teve uma vanguarda artística, lança uma farpa para o que ele classifica de neo-conservadorismo e arrisca-se em uma contracorrente. Ou melhor: uma rígida e vigorosa forma de exercitar seu ofício sem a pseudo-verborragia da poesia dita marginal ou o lirismo comedido do qual ele está, como Manuel Bandeira, farto. O livro, que tem posfácio do crítico Antonio Risério e contracapa assinada por Antonio Cândido, traz um pedido poético urgente, explícito nas letras, desenhadas em caixa alta, negritadas e na diagramação visualmente concretista que parodia os cartazes futuristas do início do século XX.

  O autor tem influência dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e leva-os para a sua poética. O que não quer dizer que essa preferência pessoal faça parte da estética predominante no livro. Ele utiliza recursos que estão presentes na poesia universal: fonética, métrica, jogo lingüístico, ritmo. Elementos que foram explorados ao extremo pelos criadores do concretismo. Sobre este, Frederico Barbosa não poupa a sua glosa. "Esse movimento foi uma revolução da poesia mundial do período". No entanto, faz ressalvas. "Por ter publicado um livro pela coleção Signos (organizada por Haroldo) e estar ligado à poesia concreta, de alguma forma, os críticos têm uma necessidade de enquadrar tudo que faço dentro dessa corrente". No livro, que foi produzido durante a década de 90, fica à mostra uma literatura equivalente àquela experimentada por escritores como Paulo Leminsky e, atualmente, Arnaldo Antunes. A influência da poesia universal (Mallarmér, T.S Eliot, João Cabral de Melo Neto) surge nas suas citações de forma consciente mas independente. Uma faceta irônica, a exemplo de Leminsky dos haicais e sua "eterna adolescência", divide a sua presença com uma temática contemporânea (teorizada pelos críticos literários como pessimista) ..

  Frederico Barbosa é natural de Pernambuco mas mora desde os seis anos em São Paulo. Naquela cidade, ele obtém como possível e natural inspiração a diversidade (e caos) da metrópole cosmopolita. O poeta já trabalhou como crítico literário na Folha de S. Paulo e no Jornal da Tarde. Em 1992, ganhou o Prêmio Jabuti, por Nada Feito Nada, livro de poemas.

Serviço

Contracorrente, de Frederico Barbosa

Editora: Iluminuras

(64 páginas)






 

 
 
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