Edição de Quarta-Feira, 7 de Fevereiro de 2001
 
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Vida Urbana

Ladrões assaltam posto da PM

Homens levaram armas e soltaram presos, que se recusaram a fugir

Numa ação inusitada, cinco homens - três deles vestidos com fardas da Polícia Militar - assaltaram o destacamento da PM localizado na cadeia pública de João Alfredo. O episódio aconteceu por volta das 7h de ontem. Além de prenderem em uma das celas habitadas por três presos os três soldados que estavam de plantão no destacamento, os ladrões ainda mandaram que os PMs ficassem nus. Em seguida, abriram duas celas para facilitar a fuga dos presos. Nenhum deles, no entanto, quis fugir. O mais surpreendente é que os detentos ainda soltaram os soldados. O grupo fugiu levando seis revólveres calibre 38 - sendo dois particulares- um fuzil com dois carregadores e 80 cartuchos, 74 balas de revólver 38, a farda de um dos PMs, além de mais 12 munições particulares e uma algema. A ação não durou mais que vinte minutos. A quadrilha usava rádios para se comunicar e estava armada com pistolas.

  O tenente Sérgio Nogueira, do Batalhão de Nazaré da Mata, que esteve no destacamento para colher os depoimentos das vítimas, disseque há indícios de que o grupo pretendia assaltar o Banco do Brasil. "Durante a invasão à cadeia, o telefone do destacamento tocou. O próprio assaltante que estava vestido com farda de tenente atendeu e recebeu a informação de um vigilante do Banco do Brasil de que vários suspeitos foram vistos rondando a agência", informou. Cinco homens invadiram a cadeia, mas os presos disseram ter visto outros assaltantes cercando o local.

CONTINÊNCIA - Um dos soldados que estava de plantão, Jurandir Tavares da Silva, disse que os três homens fardados chegaram ao local sem levantar suspeitas. "Até me ergui e fiz continência para um deles, o que vestia farda de tenente. Nesse momento, ele me atacou colocando uma pistola em minha barriga", lembrou. O outro soldado vítima, João José de Andrade, disse que não houve tempo de reagir. "Se reagisse a gente morria", comentou. Os ladrões, segundo os PMs, estavam muito tranqüilos. O grupo levou apenas a farda do soldado Maciel Alexandre da Cruz. A farda foi encontrada horas depois abandonada no distrito de Bizarra, em Bom Jardim, junto com os carros usados no assalto, uma S-10 verde e um Astra de cor prata, de placa KKT-4004.

  Um dos presos que soltou os PMs, Edilson Francisco de Lima, 25 anos, disse que não adiantava fugir. "Já estou pagando caro pelo que eu não fiz. Se fugisse, ia ser pego logo pela Justiça e voltava para cá", comentou. Edilson disse ainda que tomou a decisão de soltar os soldados porque "eles tratam os presos bem". Policiais do Batalhão de Nazaré da Mata fizeram buscas e bloqueios na região na tentativa de localizar os assaltantes. No Banco do Brasil, ninguém quis falar sobre a suposta tentativa de roubo à agência.

  Os soldados vítimas do assalto já estavam no fim do plantão. PMs que se encontravam no local aproveitaram a ocasião para denunciar que a única viatura do destacamento é um Fusca que há 40 dias está sem gasolina e ainda tem problemas de marcha. "Mantemos o carro através de um convênio com a prefeitura, mas o prefeito alega que só poderá dar um jeito no veículo após o período de transição", disse um dos PMs.






 

 
 
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