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Eleição do Tribunal Eleitoral fica acirrada
O presidente em exercício do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Manoel Rafael Neto, jogou um balde de água fria nos planos do desembargador Antônio Camarotti. Ontem, depois de empossar Camarotti no TRE, Manoel Rafael se recusou a fazer a eleição que irá definir quem comandará o Tribunal pelos próximos dois anos. Ele alegou que "a votação não precisava, obrigatoriamente, ter sido realizada hoje (ontem)" e marcou a disputa para amanhã, às 17h.
A decisão de protelar a votação causou espanto entre as pessoas que foram ao Tribunal assistir à posse do novo presidente. Camarotti preferiu silenciar diante do fato novo. "Só vou me pronunciar depois da eleição", avisou. Segundo informações de bastidores, Manoel Rafael quer mais tempo para fazer campanha porque viu suas chances de ser presidente do TRE aumentarem com a saída da disputa, pelo menos temporariamente, do ex-presidente do TJ Etério Galvão. O processo em que Etério Galvão tentava barrar a entrada de Camarotti no Eleitoral foi extinto pelo desembargador Ozael Velozo.
Especula-se que dos cinco juízes eleitorais (fora os candidatos) que vão eleger o próximo presidente do TRE, três já decidiram o voto. Sérgio Marinho Falcão, segundo informações, deverá votar em Camarotti; Araquém Mariz e Mauro Alencar seriam eleitores de Manoel Rafael. Os "indecisos" seriam os advogados Mário Gil Rodrigues e José Paes.
Teoricamente, José Paes e Mário Gil são ligados a Etério Galvão e, por tabela, apóiam Manoel Rafael. Apesar da proximidade com o ex-presidente do TJ, Mário Gil está fazendo campanha no Palácio das Princesas para emplacar seu irmão, Carlos Gil, na vaga de desembargador que surgirá, em junho, em função da aposentadoria de Waldemir Lins. A indicação será feita pela Ordem dos Advogados do Brasil.
O Palácio das Princesas também tem todo interesse em "ajudar" a eleger o presidente do TRE. Até porque, quem assumir o Tribunal irá comandar o processo eleitoral que definirá quem será o próximo governador, os dois senadores do Estado, além de todos deputados federais e estaduais. Ajudando agora, o Palácio das Princesas espera ser favorecido em 2002.
O interlocutor do governador neste processo é o secretário de Governo, Dorany Sampaio. Ontem, ele foi à solenidade acreditando que Camarotti venceria a disputa e seria empossado na mesma sessão. A vitória de Manoel Rafael não agradará ao Palácio, uma vez que ele é aliado político de Etério Galvão, um desafeto de Jarbas Vasconcelos.
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