Edição de Quarta-Feira, 7 de Fevereiro de 2001
 
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E-business só aceita gênios profissionais

Empreendedor deve ter boa idéia e projeto viável

Edgard Nogueira, criador do site de busca brasileiro Aonde.com.br e Shaw Fanning, o norte-americano que desenvolveu o polêmico Napster, são exemplares. Garotos saídos da adolescência, que ficavam trancados dia e noite em seus quartos, causando preocupações aos pais. De repente, viraram milionários, por terem criado um site ou uma ferramenta que não existia, revolucionando tudo. Em especial, a mente de milhões de outros jovens que sonham com a Web e uma conta milionária.

  Esse sonho era bastante comum, há um ano, quando o mercado de Internet estava enlouquecido e supervalorizado: qualquer idéia maluca valia milhões. O clima mudou, gênios de plantão.

Hoje uma idéia inovadora pode até dar certo, mas é fato que a Internet, atualmente, é coisa para gente grande, sobretudo depois das sucessivas desvalorizações, na Nasdaq - a bolsa de valores eletrônica especializada em empresas da nova economia. O mercado amadureceu e investidores não colocam mais dinheiro seguro em projetos aventureiros.

DIFERENCIAL - Essa é arecomendação dos profissionais que trabalham com incubação de empresas de tecnologia - geralmente as mesmas que antes rezavam para encontrar um pequeno Shaw Fanning. Um dos gerentes do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Fred Arruda aconselha: "A grande questão não é a pouca idade dos empresários, mas sim a experiência deles", diz.

  Ele conta que o mercado anda exigindo uma qualificação maior das pessoas. "O Cesar, por exemplo, trabalha com um modelo de incubação que não faz apostas em qualquer projeto que pareça genial." Arruda admite que existe muito folclore sobre o tema.

  Para o analista de novos projetos da incubadora carioca Aceleradora.com, Daniel Sterenberg, a figura do jovem gênio revolucionário sempre vai existir. "As melhores invenções vão continuar saindo da cabeça de adolescentes que passam o dia no quarto navegando na Web ou em projetos universitários", afirma. De acordo com ele, achar um personagem assim é difícil. "Uma idéia vinda de um jovem desses tem uma chance de dar certo em um milhão."

  Sterenberg também acredita que o currículo e a bagagem de informações de um empreendedor é fundamental para que alguém se interesse por um projeto.

  O diretor da Idéias.net, uma das maiores incubadoras do País, acredita que nunca se deve descartar uma boa proposta, vindo de quem quer que seja. "Muitos segmentos na Internet não dão mais espaço para esse tipo de jovem pioneiro, mas não quer dizer que ninguém dê." Segundo ele, deve ser levada a sério qualquer proposta que tenha "começo, meio e fim", contanto que seja baseada em um plano de negócios bem pensado. "Em negócios, quanto mais flexível se for, melhor, mas tudo deve ter viabilidade econômica", sentencia.

Essa mentalidade mais profissional é sentida também pelos próprios jovens empreendedores. Nada melhor para se verificar isso do que naqueles ambientes que servem como uma espécie de escola, para que idéias possam ser incubadas e futuramente darem certo, ou seja, nas empresas juniores e nas pré-incubadoras. Uma dessas é o Recife Beat, que, assim como o Cesar, está na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

COMBINAÇÃO - Jefferson Valadares está fazendo mestrado em Computação e já tem sua empresa no Recife Beat, a Jinx Palyware, desenvolvedora de jogos para a Internet. Ele percebeu, há algum tempo, esse amadurecimento na Web brasileira. Tanto que sua empresa não tem exclusivamente pessoas ligadas ao curso de computação. A Jinx tem cinco sócios, dois deles são formados em administração.

  "Está mais difícil conseguir dinheiro rapidamente para uma idéia, mas acreditamos que continua havendo recursos para bons projetos", afirma. A Jinx aposta na experiência de seus integrantes para ter êxito. Valadares, inclusive, já fez parte de uma idéia que deu certo, a Newstorm, hoje uma unidade do Cesar.

  Na UFPE, todas as faculdades possuem uma empresa júnior. A do Centro de Informática é o Citi, que funciona como um diretório estudantil, com eleições de dois em dois anos. O presidente do Citi, José Leovigildo, diz que a maioria das idéias nascidas por lá acabam se incubando. "A maturidade está bem maior mesmo. A maioria dos projetos chega completamente mastigada, mesmo vindo de cabeças jovens", constata. Todos em busca do dinheiro. (E.S.)






 

 
 
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