Ruas, praças, edifícios e igrejas inspiram o visitante
a sonhar com o romantismo do passado
Micheline Batista
Da equipe do DIARIO
Diz Eduardo Alarcão, um pintor de Lisboa, que a capital portuguesa
tem cores, cheiros e sorrisos. E, além de ter tudo o que as outras
metrópoles oferecem, tem coisas únicas, que mais ninguém
tem. Coisa de apaixonado? E é. Mas, se você for a Lisboa
e não se apaixonar, para que terá servido a travessia
do Atlântico? Para isso há uma receitinha básica:
perca-se. Andar a pé e se perder, pelo centro de Lisboa, é
a melhor maneira de conhecer a cidade e se apaixonar. Está tudo
ali ao alcance das mãos, ou melhor, dos pés. Por isso
é bom calçar tênis ou sapatos confortáveis.
E não esqueça da máquina fotográfica.
A região conhecida como Baixa-Chiado é um
bom começo. O transporte público de Lisboa funciona de
fato e com certeza você não vai encontrar dificuldades
para chegar, seja de ônibus ou metrô, à Praça
dos Restauradores. Ao lado fica o Palácio Foz e, na seqüência,
a antiga Estação Ferroviária do Rossio. Desça
pela Travessa Nova, onde você vai dar de cara com o Teatro Nacional
D. Maria II, um edifício medieval que foi usado como sede da
Inquisição até o século XVIII.
Passe direto pela Praça D. Pedro IV, que os lisboetas
chamam de Rossio, chegando à Praça da Figueira. De lá
partem autocarros (ônibus) e bondes elétricos que podem
levá-lo ao Castelo de São Jorge, uma visita imperdível.
Custam entre 160 e 165 escudos. Aproveite para fazer uma parada na Catedral
da Sé, construída a mando do primeiro rei de Portugal,
Afonso Henriques, no século XVII. Para chegar ao castelo propriamente
dito, pegue o autocarro 37, que pára bem no arco. A entrada é
grátis, mas você nunca entra, fica apenas passeando
pelas muralhas e jardins. A vista do terraço explica Lisboa para
você. Já a Olisopónia, uma sala multimídia
montada dentro do castelo, conta a história da cidade (cerca
de 600 escudos).
Depois, faça um aperitivo no Miradouro Santa Luzia,
logo abaixo. Peça um chope, ou melhor, um imperial, que vai lhe
custar uns 300 escudos. Se quiser, volte andando para a Praça
da Figueira ou pegue outra condução. Recomece pela Augusta,
uma rua de pedestres. Aprecie com calma as vitrines das lojas, os cafés,
até pare para tomar um. Em Lisboa o café expresso, que
eles chamam de bica, torna-se um vício. No final há o
Arco da Vitória e a Praça do Comércio. Pegue à
esquerda pela rua da Alfândega. Se estiver perto do meio-dia,
páre para almoçar no bicentenário Café Martinho
dArcada, um dos prediletos do poeta Fernando Pessoa.
IGREJAS - Continuando a caminhada, prossiga pela Igreja Nossa Senhora
da Conceição. Mais à frente fica a Casa dos Bicos,
uma interessante construção recheada de elementos volumosos
na fachada. Hora de dar a meia-volta. Ande em direção
oposta, até a Igreja do Corpo Santo, do século XV. Procure
a rua Serpa Pinto. Lá você encontra o Museu do Chiado e
o Teatro de São Carlos, a ópera lisboeta. Tem mais igreja
pela frente. Desta vez é a Nossa senhora dos Mártires,
na rua Garrett. Cansado de subir e descer ladeiras? Calma. Ainda há
as igrejas Nossa Senhora da Encarnação e Nossa Senhora
do Loreto e a Praça Luís de Camões.
Que tal fuçar uns brechós transados? Pergunte
pela rua do Norte. Descendo a rua da Trindade você chega ao Convento
do Carmo, destruído por um terremoto em 1755 e o único
exemplar de arquitetura gótica conservado em Lisboa. Na rua do
Carmo, aliás, ficam a megastore portuguesa Valentim de Carvalho
e o shopping Armazéns do Chiado, com uns seis pavimentos repletos
de lojas. Na seqüência, o Elevador de Santa Justa poderá
levá-lo de volta à rua Áurea, onde na esquina funciona
um café com bandeira brasileira. Espere o entardecer, sorvendo
algumas taças de vinho tinto. Com certeza vai valer a pena.