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Vilão e herói de uma só vez
Antônio Fagundes perdeu dez quilos e pegou um bronze
caprichado para viver os novos personagens
Dez quilos mais magro e com a pele bronzeada pelo sol
da Bahia, Antônio Fagundes sentirá o gostinho de ser, ao
mesmo tempo, vilão e herói em Porto dos Milagres, novela
das 20h da Rede Globo que estréia amanhã. Na história
de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, livremente inspirada na obra
de Jorge Amado, ele será Bartolomeu, um empresário importante,
e também seu gêmeo, Félix, um charmoso trambiqueiro
que anseia por herdar a fortuna do irmão. Convidado
a viver um personagem, o ator diz que se surpreendeu ao saber que teria
dois papéis na trama. Eu li a sinopse e tinha só
um personagem. Quando mandaram os capítulos, os autores disseram:
Tem uma surpresa para você. Eu morri de felicidade.
Se fazer um já era bom, fazer dois é melhor ainda,
admite. Como a história dá um salto de 20 anos, o ator
aparecerá nos primeiros capítulos com o cabelo pintado
de preto, ora de cara limpa (Bartolomeu) ora de cavanhaque e bigode
(Félix). Mas assumirá seus cabelos brancos quando Félix
aparecer mais velho.
SÍMBOLO - Prestes a completar 52 anos em abril, Fagundes sabe
que ainda (ou, quem sabe, até mais atualmente) arranca suspiros
do público feminino. Sem falsa modéstia, ele sorri e admite
ficar orgulhoso quando vê seu nome em eleições de
escolha dos mais bonitos.
Do tipo família, o ator é pai de Dina, de
21 anos, Antônio, de 20, e Diana, de 19, filhos que adotou quando
era casado com Clarice Abujamra. Ele ainda tem Bruno, de 11, do casamento
com Mara Carvalho, de quem se separou recentemente. Todos moram em São
Paulo com as mães. Mas, apesar das constantes viagens a Comandatuba,
na Bahia, onde grava Porto dos Milagres, Fagundes garante que dá
atenção a eles. Talvez eu tenha uma vida mais presente
do que muito pai que tem uma profissão mais regular e carga horária
menor. Nós ficamos sempre juntos e viajamos muito também,
assegura.
Em breve, seu tempo será ainda menor. Além
da novela, o ator voltará em cartaz em março, em São
Paulo, com Últimas Luas. Nesta temporada, Cássia Kiss
e Leonardo Brício entram no espetáculo, repetindo no palco
a família que formam na televisão. Queria muito
trazer a peça para o Rio. Não piso nos palcos daqui há
12 anos. Mas ainda falta patrocínio, diz.
Em outubro, Fagundes deverá rodar Deus é Brasileiro,
filme de Cacá Diegues baseado num conto de João Ubaldo
Ribeiro. O excesso de trabalho, porém, não o assust. Não
acumulo tensões, nem sinto o desgaste que as pessoas costumam
atribuir ao trabalho. Ao contrário, sinto prazer. Sou capaz de
me concentrar nos cinco minutos em que estou trabalhando e relaxar enquanto
os outros estão gravando. Sento num canto e fico lá, tomando
minha cervejinha e lendo um livro... Aí vou e gravo.
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