Exemplo da Índia
A Índia, país em desenvolvimento como o
Brasil, dá uma lição ao Mundo. Com a economia basicamente
agrária e problemas de dívida externa, tem na pauta de
exportação produto de elevado valor agregado. É
o segundo vendedor mundial de software, atrás só dos Estados
Unidos. Essa indústria de alta tecnologia representa ingressos
anuais de R$ 6,3 bilhões.
O sucesso da ex-colônia inglesa constitui exemplo
do grande retorno que o investimento em educação propicia.
Quando se tornou independente em 1947, apenas 17% da população
era alfabetizada. O governo, na década de 50, comprometeu-se
a dobrar as inversões no setor educacional a cada cinco anos.
Hoje, mais de 60% dos indianos sabem ler e escrever.
Além da ênfase no ensino básico, a Índia
desenvolveu um dos mais ambiciosos programas mundiais para formação
de recursos humanos altamente qualificados. Encaminhou milhares de jovens
para cursos de pós-graduação - sobretudo nas áreas
de ciências exatas - nas melhores universidades européias
e americanas.
Subjacente a esse esforço, implantou a política
de desenvolvimento nuclear decorrente dos permanentes conflitos fronteiriços.
Com a desaceleração do programa, grande parte dos cientistas
- detentores de sólida formação matemática
e lógica - se voltou para a área de informática,
forte consumidora desse tipo de conhecimento. O espetacular avanço
nas exportações contou com poderosos aliados além
da expansão da informática.
O processo de globalização não respeita
fronteiras em busca de vantagens comparativas. O custo de vida nas cidades
indianas é muito mais baixo que nas do Vale do Silício,
meca da tecnologia de ponta americana. Os salários também.
Esses fatores, somados à oferta de mão-de-obra qualificada,
fizeram as grandes empresas do setor, como a Microsoft, deslocar grande
parte do esforço de produção de software para o
Oriente.
A Índia, nos 54 anos de vida independente, serve
de exemplo aos países periféricos. Prova que o investimento
em recursos humanos tem elevada rentabilidade ao longo do tempo. Na
economia globalizada, torna-se cada dia mais claro que a qualificação
da mão-de-obra constitui variável crítica para
a competitividade do país no mercado internacional e para a atração
de investimentos que geram produtos de elevado valor agregado. É
alternativa à pauta de exportação tradicional das
nações em desenvolvimento, baseada em produtos do setor
primário em crescente deterioração nas relações
de troca. A lição vale para o Brasil.