Marcio Markman
Três rodadas e cinco líderes. O Campeonato
Pernambucano deste ano ao menos começou de forma bem diferente
das últimas edições do século passado, quando
o Sport logo abriu vantagem sobre seus rivais. Infelizmente, apesar
do equilíbrio, isso não significa que a competição
está nivelada por cima.
O Recife é um time arrumadinho, que joga junto há
algum tempo, a AGA surpreendeu e demonstrou uma disposição
de estreante e o Central revela um novo artilheiro, o atacante Fábio.
Mas o motivo para os três times estarem na liderança na
verdade é o fraco futebol apresentado pelos grandes até
aqui.
Náutico e Sport estão montando suas equipes,
trazendo reforços de qualidade, mas, até aqui, ainda não
mostraram muita coisa. As derrotas para Central e AGA são frutos
desta má qualidade. Devem melhorar, sem dúvida, com a
chegada de Sangaletti, aos Aflitos, e Axel, Paulo Isidoro, Jaques, Eduardo
Marques e Evandro, à Ilha.
Já o Santa Cruz, que ontem suou para vencer o Recife,
no Arruda, essa realidade ainda parece distante. O time tem ganho seus
jogos, está bem na classificação tanto do Estadual
quanto no Nordestão, mas demonstra uma clara fragilidade. O técnico
Ricardo Rocha tem feito o que pode e, com razão, reclama da falta
de opções que tem nas mãos. E o que é pior:
enquanto não possui peças para montar a equipe que deseja,
vê seus maiores rivais fazendo o que sua diretoria não
consegue realizar.
Por sinal, o jogo de ontem no Arruda foi de doer.
Cadê os gols?
Com três rodadas disputadas, o Campeonato Pernambucano
sofre com a falta de gols. Tudo bem, até que a mudança
nos critérios de pontuação surtiu efeito e apenas
um jogo terminou no 0 x 0. Mas, em compensação, apenas
uma partida terminou em goleada e, ainda assim, só por 3 x 0,
na vitória de ontem do Central.
Ele é um mau-caráter, um babaca.
É uma laranja podre que devemos jogar fora para não estragar
as outras.
Ricardo Rocha, técnico do Santa Cruz, incomodado com as vaias
de um torcedor da Turma da Tesoura
Piores momentos I
Jogo mais importante da rodada, Santa Cruz 2 x 1 Recife
reservou ao torcedor um festival de lances bizarros. No primeiro deles,
jogada na área do Santa Cruz e uma seqüência de cheiradas
de jogadores dos dois times. Minutos depois, o goleiro Vantuir bateu
um tiro de meta e, além da bola, arremessou longe a chuteira.
Piores momentos II
Até o árbitro Valdomiro Matias marcou presença
no grotesco festival. Em uma descida do Recife, ele acabou entrando
na trajetória da bola e armou um contra-ataque para o Santa Cruz.
No final, para coroar a lambança, Arley entrou na área
e quando todos pensam que sairia o terceiro gol tricolor, o lateral
chutou o chão.
Copa Davis
Mudança à vista na equipe brasileira da Copa
Davis. Alexandre Simoni, que chegou esta semana às semifinais
do ATP Tour de Bogotá, pode estar ganhando a vaga de Fernando
Meligeni como jogador número 2. Em má fase técnica,
Fininho tem como arma a experiência. Uma dor de cabeça
para o técnico Ricardo Accioly.
Portuguesa
A torcida da Portuguesa (SP) bem que poderia fazer um agradecimento
formal à diretoria do Santa Cruz, que deixou ir embora o técnico
Renê Simões. Sob o comando de Renê, a Lusa paulista
é a líder isolada do disputadíssimo Campeonato
Paulista. O zagueiro Tinho, outro ex-tricolor, é o capitão
da equipe.
Timinho
Ainda sobre o futebol paulista, será que alguém
é capaz de dizer quando vai acabar o inferno astral do Corinthians?
Depois da vice-lanterna na Copa João Havelange, o Timão
continua caindo pelas tabelas. A campanha de seis jogos e apenas uma
vitória na atual temporada já valeu a demissão
do técnico Dario Pereyra.
Ontem foi dia de lembrar de um dos maiores narradores
esportivos do Brasil, que infelizmente já passou para o andar
de cima. Se estivesse vivo, Ivan Lima, o Bola de Ouro, estaria completando
63 anos e, certamente, narrando os gols de um dos jogos da rodada do
Pernambucano, com seu estilo inconfundível. A data foi lembrada
ontem no Arruda pelo grande amigo e ex-colega de equipe de Ivan, o comentarista
José Santana.