Comissão espera por acordos internacionais para
quebrar sigilo bancário e fiscal nos EUA
BRASÍLIA - Com base nas informações
de que já dispõe, provenientes da quebra do sigilo bancário
do deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), o presidente da CPI do Futebol,
senador Álvaro Dias (PSDB-PR), vai pedir hoje que a Advocacia
Geral da União (AGU) solicite a quebra de sigilos bancário
e fiscal no exterior de empresas de propriedade do presidente do Vasco.
Para isso, espera contar com acordos internacionais que o Brasil mantém
com os Estados Unidos.
Dias vai tomar a medida por base nos dados divulgados em
reportagem da Rede Globo. Segundo a emissora, o deputado possui uma
mansão na Flórida no valor de US$ 400 mil; carros de luxo
e participação societária na empresa Lolo Investiments,
que tem sede em Palm Beach e Ilhas Virgens. Isso revela que o
deputado cometeu uma coleção de ilícitos como crime
contra o sistema financeiro nacional e a ordem tributária,
acredita o presidente da CPI, que já tem conhecimento da movimentação
bancária e das declarações de renda de Miranda.
Álvaro Dias quer ainda que o deputado explique por
que o dinheiro da compra desse patrimônio veio de um paraíso
fiscal, lembrando que na movimentação financeira
de Eurico Miranda constam negócios nas Ilhas Virgens Britânicas.
Em decorrência dessa evasão de divisas, acredito
que agora não falta mais nada para que seja instaurado um processo
disciplinar contra o deputado, lembrou Álvaro Dias.
Para o relator da CPI do Futebol, senador Geraldo Althoff
(PFL-SC), a reportagem embora não revelando se o deputado
Eurico Miranda sonegou essas informações na declaração
de bens reforça, na comissão do Senado, a certeza
de que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar o quanto
antes, as justificativas que foram pedidas pelo presidente do
STF, ministro Carlos Velloso, que concedeu liminar em favor de Eurico
Miranda e do Vasco da Gama, suspendendo as quebras de sigilos bancário
e fiscal.
A expectativa do senador Althoff é marcar para
breve o depoimento do deputado Eurico Miranda, no Senado, lembrando
que, por ser parlamentar, o presidente do Vasco tem foro privilegiado,
podendo marcar o dia, a hora e o local do depoimento.
Durante depoimento na CPI da CBF/Nike, na quarta-feira passada,
Miranda ironizou os colegas, afirmando que só falaria sobre aquilo
que quisesse. Por haver prestado depoimento espontâneo, sem juramento,
o presidente do Vasco valeu-se dessa condição para não
responder se mantém o seu patrimônio todo no País
ou se tem algum bem no exterior e se todas suas propriedades constam
da declaração de Imposto de Renda.