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Especial
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Diario na Historia
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De novo, o Capibaribe enfurecido.
DIARIO DE PERNAMBUCO, 10 de fevereiro de 1869: Quando
escrevíamos ontem sobre a cheia desse rio ainda não podíamos
calcular, nem mesmo fazer uma pequena idéia, do que podia ela
ser. Interceptadas as comunicações por terra com os arrabaldes
mais molestados e sendo dificultosíssima a comunicação
por água, ninguém sabia ao certo o que fizera a cheia
que muitos equiparam à que presenciou Pernambuco no ano de 1854.
O Caxangá, a Passagem, os Remédios, a Torre, Afogados,
Manguinho, Capunga, Ponte dUchoa, Poço, Caldeireiro e Apipucos
foram outras tantas vítimas desse horrível flagelo. Sem
dúvida muitas pessoas pereceram: entre outras conta-se um homem
que desaparecera em Ponte dUchoa com o cavalo que montava, uma
criança no lugar de Taquari da Passagem, e uma moça cujo
cadáver foi encalhar nos Afogados. Caíram as pontes do
Caldeireiro, a da Torre, a da Passagem da Madalena e a pênsil
do Caxangá, e dizem que a de São João, perto de
Paudalho. Ficaram abaladas: a dos Afogados, a velha da Boa Vista e a
dos Remédios. Caíram muitas casas pequenas na Passagem,
na Torre, no Caxangá e em Afogados; caíram igualmente
várias olarias e fábricas, e os engenhos que foram banhados
pelas águas da enchente perderam, além de muitos animais,
quase a totalidade da safra próxima e o restante da presente.
Nos lugares mais inundados casas houve que tiveram oito palmos dágua;
entre outras vimos várias no Taquari que apresentavam um medonho
aspecto. Todos os arrabaldes atormentados pela cheia viram-se ainda
a braços com a fome; porque, invadidas as lojas e armazéns
de comestíveis e sendo inesperada essa enchente, ninguém
teve bastante o que comer e que distribuir pela pobreza, que clamava
por alimentos. Não obstante as providências tomadas, quase
todos os arrabaldes ficaram sem recursos e entregues às suas
próprias forças. Ontem, porém, depois que as águas
baixaram, ordens foram transmitidas e recursos enviados em auxílio
da população atormentada.
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