Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO
Encantar crianças é sempre um bom negócio.
Não é à toa que o faturamento anual do mercado
nacional de brinquedos chega a R$ 950 milhões. No vácuo
desse filão promissor sobrevive um outro segmento, o dos brinquedos
artesanais. Sem grife, nem tecnologia, mas com muita imaginação,
eles também têm o poder de atrair os baixinhos e, com uma
vantagem, são dezenas de vezes mais baratos que os industrializados.
Qualidade, antes apontada como o principal diferencial entre
as duas categorias de brinquedos, já não é um item
tão destacado. Há quem fabrique produtos tão bons
quanto os comprados nas lojas. É o caso dos brinquedos lúdicos
da Arte-Gravatá, uma cooperativa que reúne treze artesãos
daquele município. Produzimos entre 800 a mil brinquedos
por mês. São mais de 200 tipos feitos em madeira, com formas,
cores e espessuras diferentes, para estimular a criança a aprender,
explica o artesão Mário Sérgio Trajano da Silva.
Os produtos da Arte-Gravatá custam entre R$ 2,80
e R$ 330,00 (escorrego para creche em forma de elefante, todo em madeira)
e já foram exportados até para a Holanda. Além
de fornecer para escolas do Recife e outras espalhadas por Caruaru,
Garanhuns, Arcoverde e Petrolina, a cooperativa mantém um estande
de vendas no Shopping Center Recife.
Com o mesmo padrão da Arte-Gravatá, mas trabalhando
de forma autônoma, o artesão Gilvan Manuel dos Santos tornou,
há doze anos, seus pequenos caminhões de madeira conhecidos
em todo o Recife e Agreste de Pernambuco. O caminhão-baú,
com a marca da Coca-Cola é o que faz mais sucesso no meio da
criançada, assegura. No Shopping Recife, os brinquedos
fabricados por Gilvan podem ser encontrados no estande da Arte-Gravatá
por preços que variam entre R$ 10,00 e R$ 35,00. Só
ganho R$ 3,00 em cada carrinho, adianta, calculando os custos
de produção.
ROI-ROI - Sem o know how dos produtores de Gravatá, mas com a
habilidade de fabricar um dos brinquedinhos mais populares e barulhentos
- especialmente do período carnavalesco - Antonio Gomes da Silva,
o Toinho do roi-roi não sabe o que fazer para dar conta de tantos
pedidos. Depois de aprender o ofício com o pai, desde os 15 anos,
ele vive de fazer roi-roi. Com a ajuda de quatro pessoas, consigo
produzir duas mil unidades por semana e sustentar a família,
diz Toinho. Por cada dúzia do brinquedo, o artesão cobra
R$ 3,50. Ele sai de Nazaré da Mata, onde mora, para fazer entregas
na Casa da Cultura, no Mercado de São José (Recife), no
Alto da Sé e no Mercado da Ribeira (Olinda).
Embora os lucros sejam pequenos, os artesãos nunca
reclamam do trabalho. Só ganho R$ 0,10 em cada roi-roi.
É trabalhoso fazer, mas eu gosto, admite Toinho. Outro
apaixonado pela arte de confeccionar brinquedos é o aposentado
Ary Moura Barbosa. Há trinta anos ele fabrica bonecas de pano
de três faces. Elas têm três personagens em
um só corpo, o chapeuzinho vermelho, o lobo mau e a vovó.
Outra versão, a do Sítio do Pica-Pau Amarelo, tem Emília,
Dona Benta e a Anastácia, explica Ary. O aposentado, que
aprendeu o ofício com a mulher (já falecida) diz que fazer
o brinquedo é uma forma de homenagear a esposa.
Para produzir as bonequinhas, Ary precisa da ajuda de uma
costureira, uma pessoa para fazer o enchimento e outra para o acabamento.
Uso seis tipos diferentes de tecidos, além de isopor, fitas,
arame -para os óculos da boneca. É muita mão-de-obra,
reconhece. Com uma produção de cerca de mil unidades por
mês, ele distribui boa parte para o Recife e Olinda, mas também
atende pedidos do Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo
e Rio Grande do Sul. Cada boneca é vendida no atacado por R$
3,50. A concorrência não me assusta, garante
o artesão.
Serviço
Arte-Gravatá: (81) 3533-0501
Gilvan Santos: 9192-2878
Toinho do roi-roi: 9984-2956
Ary Barbosa: 3428-1697