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Sabor e lucros do cachorro-quente

Longe de apresentar sinais de saturação, atividade de dogueiro reúne mais de 1,5 mil pessoas, que movimentam cerca de 20 milhões por ano

Roberto Cavalcanti
ESPECIAL PARA O DIARIO

Eles estão por toda parte. Das ruas do Centro às praias, dos grandes eventos populares aos arredores dos estádios de futebol, é difícil não se deparar com os chamados dogmóveis. O agravamento da crise do desemprego a partir de 1997, fez surgir uma nova categoria de profissionais informais - a dos dogueiros motorizados - que luta para ter sua atividade reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Só na Região Metropolitana do Recife eles já somam mais de 600 profissionais. Em todo o Estado, segundo estimativas da Associação dos Dogueiros de Pernambuco, são mais de 1,5 mil e movimentam anualmente em torno de R$ 20 milhões por ano.
  Dependendo do ponto e do período do ano, o faturamento de um dogueiro pode ultrapassar os R$ 2 mil mensais, valor superior ao salário de muitos profissionais liberais de nível superior. Com o início da temporada de verão, a partir de novembro, as perspectivas de lucros aumentam em torno de 40%, principalmente pelo grande movimento nas praias. Boa Viagem, por exemplo, passa a ter de 40 para 70 automóveis estacionados ao longo da orla. O crescente número de dogueiros no bairro tem, inclusive, despertado os próprios autônomos para a necessidade de promover o ordenamento do comércio no bairro, questão que vem sendo discutida com a Diretoria de Controle Urbanístico da Prefeitura do Recife (Dircon).
  De acordo com o presidente da Associação dos Dogueiros de Pernambuco, Sérgio Antunes, só nos últimos dois anos o número de profissionais que ocupam as ruas do Grande Recife apresentou um crescimento de 120%. Motivados pela chance de ter o próprio negócio ou como complemento da aposentadoria, muitas pessoas resolveram investir até R$ 25 mil na compra de carros apropriados para a atividade, a exemplo da Fiorino, e de kits compostos por vitrine, compartimento térmico, cubas para molhos e fogões especiais.
  Há mais de 15 anos na atividade e um dos precursores do dogmóvel no País, Sérgio Ariedi diz que ingressou na atividade por necessidade. Casado e com dois filhos, o ex-taxista e ex-auxiliar de contabilidade garante que resolveu empregar todo o dinheiro que tinha na época em um carro que comportasse todos os apetrechos necessários á produção de cachorros-quentes. “No início foi difícil, mas com o tempo eu criei meu próprio ambiente de trabalho. Hoje, consigo sustentar a família apenas com o dinheiro gerado pela venda de cachorros-quentes e refrigerantes”.
  O administrador de empresas Marcos Tormente é outro que, por falta de emprego formal, resolveu ingressar na área. Há cinco anos vivendo exclusivamente da venda de cachorros-quentes, ele, que deixou para trás a agitação de São Paulo, assegura até R$ 1,5 mil por mês. “Ainda dá para juntar um pouco, possibilitando a capitalização para investir futuramente numa lanchonete ou um pequeno restaurante”, adianta.

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