SÃO PAULO - A Anfavea ainda não
fechou questão sobre a unificação da alíquota
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis.
Segundo o superintendente da Fiat, Gianni Coda, que é contra
a unificação imediata, a decisão oficial deverá
ser tomada hoje, quando as montadoras se reunirão para discutir
o assunto. O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto,
recebeu bem a proposta, feita pelo Secretário da Receita Federal,
Everardo Maciel. Os carros populares teriam o preço elevado enquanto
os veículos médios cairiam de preço.
Isto porque seria estabelecida uma alíquota intermediária
entre as duas cobradas atualmente, de 10% para os carros populares e
de 25% para os veículos médios. As montadoras ainda
não se reuniram, o que significa que unificar alíquota,
pelo menos por enquanto, é uma opinião pessoal de Pinheiro
Neto. Não sei dizer se ele está defendendo o interesse
da General Motors, companhia que ele trabalha, afirmou Coda.
A Anfavea informou, por meio de sua assessoria de Imprensa,
que a bandeira da unificação não é de seu
presidente, mas do secretário da Receita Federal. A entidade,
no entanto, admite que a medida beneficiaria as exportações,
já que aumentariam as vendas de carros de maior valor agregado
ao exterior. A Fiat é contra a unificação da alíquota
porque estaria ameaçada de perder vendas.
Cerca de 60% da sua produção no Brasil é
de veículos com motor 1.0. O superintendente da Fiat defende
uma mudança planejada, a médio e longo prazo, na alíquota
de automóveis. Ele disse que as montadoras investiram muito nos
últimos anos na produção dos populares e não
podem ver os preços subirem de uma hora para outra. Isso traria
prejuízo, inclusive para os fornecedores.
Segundo ele, a importação de autopeças
aumentaria porque o índice de nacionalização de
componentes dos carros médios é de 60% a 70%, contra 95%
dos carros populares. A medida também traria problema à
balança comercial brasileira, que teria grande impacto da importação
de componentes.
Um ano ainda é pouco para pensar em unificar
a alíquota do IPI. a medida gera uma confusão imediata.
Se acontece agora até o emprego estaria em jogo, afirmou
Coda. No ano passado, somente a Fiat brasileira investiu R$ 600 milhões
na construção de uma fábrica de motores para os
veículos populares.