Karla Veloso
DA EQUIPE DO DIARIO
Você já sentiu a falta de moedas na hora
de pagar alguma conta que exija uns trocados? Saiba que não é
o único. Isso mesmo, o mercado todo está clamando por
moedas. O desaparecimento delas, segundo o Banco Central, foi causado
pela redução na fabricação. Em 97, o Meio
Circulante do BC colocou 800 milhões de unidades de moedas no
mercado. Desde então a produção vem caindo gradativamente,
até o ano passado, quando foram fabricadas apenas 146 milhões.
Uma diferença de 81,75% em relação ao volume original.
Durante seis anos do Plano Real ainda não havia existindo
crise de moedas. Coincidentemente ou não, o sumiço delas
do mercado corresponde aos cortes que o BC vem sofrendo no orçamento.
O chefe adjunto do departamento do Meio Circulante do BC, Luís
Henrique Cabral, afirma que a produção de moedas caiu
por conta da redução do orçamento.
Só no ano passado o corte em nossa verba foi
de 50%., reclama Cabral. Ele diz que para este ano há estimativa
de se produzir mais moedas, pois foi solicitado uma suplementação
orçamentária de R$ 58 milhões. O Meio Circulante
não é responsável apenas pela produção
de moedas. Respondemos pela fabricação das cédulas,
segurança e transporte. E, a prioridade é a segurança,
adianta.
Mas, segundo Luís Cabral, não foi apenas a
redução na fabricação das moedas que ocasionou
a falta no mercado. Ele acredita que o velho hábito do brasileiro
de guardar as moedas no cofrinho também contribui. As pessoas
ainda não se acostumaram à estabilidade do real, e acham
que as moedas não valem nada. Andar com elas na carteira é
carregar peso, avalia. A estimativa é de que cada brasileiro
tenha em seu poder 34,3 moedas, de vários valores, sem usá-las.
Para tentar reverter o quadro, o Banco Central lançou
uma campanha no rádio, estimulando a população
a usar as moedas. Principalmente as de R$ 0,10 e R$ 0,05 e R$ 0,01.
Essas, segundo Cabral são as mais esquecidas em casa pela população.
As de R$ 0,01 são um caso sério. Muitas vezes as
pessoas passam por cima delas na rua e nem apanham. Acham que não
vale nada, comenta.
Enquanto a produção não é elevada
ou a população aprende a utilizar as moedas, o comércio,
que necessita delas para passar o troco, sofre. Que o diga o proprietário
da Baratus Papelaria, José Ferreira. O comerciante costuma trocar
diariamente R$ 100,00 em notas por moedas. A operação
é feita com os bancos ou com os fiteiros próximos à
sua loja. Ele conta que se não tomar esta medida termina perdendo
dinheiro. O cliente faz uma compra de R$ 40,60, e não tem
o dinheiro trocado. Para não perder a venda, perco R$ 0,40. Imagine
isso várias vezes ao dia, o quanto meu lucro não é
reduzido, lamenta.
O Banco Central pretende colocar em circulação no segundo
semestre deste ano duas novas cédulas, a de R$ 2,00 e a de R$
20,00. De acordo com Luís Cabral o lançamento das duas
notas vai representar uma redução de aproximadamente R$
10 milhões/ano nos gastos do departamento do Meio Circulante.
A escolha será feita entre os bichos da fauna brasileira que
estão em extinção. Há cinco concorrentes.
Mas, de acordo com Cabral, os mais cotados são a tartaruga-marinha
e o tamanduá-bandeira. O BC disponibilizou no site www.bcb.gov.br,
até a próxima sexta-feira, as figuras dos cinco animais
para que a população participe do processo de seleção.
A palavra final, no entanto, será do Conselho Monetário
Nacional.