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Brasil

FHC define tarefas para Celso Lafer  

  BRASÍLIA - Mais forte do que quando deixou o Governo, em julho de 1999, depois de uma passagem pelo Ministério do Desenvolvimento de apenas seis meses, Celso Lafer assume hoje o cargo de ministro das Relações Exteriores com a missão de conseguir um encontro entre os presidentes Fernando Henrique e George Bush, dos Estados Unidos, antes da reunião de chefes de Estado das Américas que acontecerá em abril próximo, em Quebec, no Canadá. Lafer e o presidente da República concluíram ser necessário uma maior aproximação com os EUA, por causa das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), durante uma audiência de uma hora e meia, no Palácio da Alvorada, ontem.
  “Essa é a prioridade do presidente da República e a minha também. Os EUA têm forte poder de influência nas decisões da Alca. Temos interesses em comum e consideramos desejável um encontro entre os dois presidentes antes da cúpula de Quebec, ao contrário do que era previsto anteriormente”, disse Lafer. O novo chanceler brasileiro assumirá o Itamaraty com o mesmo poder de decisão de Pedro Malan, da Fazenda, e Alcides Tápias, do Desenvolvimento, em relação aos rumos da política de comércio exterior. Lafer, Malan e Tápias deverão ser os únicos ministros que integrarão o conselho da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que ganhou status legal e o poder de decidir sobre temas como as tarifas de importação e exportação.
  Para o novo chanceler brasileiro, a Camex deve dar prioridade aos contenciosos comerciais que o Brasil vem enfrentando, principalmente no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). O mais grave caso que chegou à OMC envolvendo o Brasil diz respeito à guerra comercial pelo mercado internacional de aeronaves regionais entre a Embraer e a canadense Bombardier. Celso Lafer avisou que o Brasil será firme e duro com o Canadá, especialmente num momento em que o governo daquele país acaba de anunciar novos subsídios à Bombardier, que acabaram prejudicando a Embraer em recente licitação promovida por uma empresa americana.
  Na reunião que Lafer teve com FHC, além da Alca e da nova administração americana, as relações comerciais com os países da Ásia, da União Européia e as nações latino-americanas, o sucesso na recuperação do Timor Leste, o fortalecimento do Mercosul e a expansão das exportações brasileiras foram os temas que mais se destacaram.

 
 
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