Viajar para lugares com baixas temperaturas nesta
época do ano, requer, sobretudo, vestimentas adequadas
Ana Braga
Da equipe do DIARIO
Início de 2001. Férias programadas em Nova Iorque e
a meteorologia anuncia o pior inverno na cidade, desde 1982. Oito graus
celsios negativos. Quem viaja para destinos com baixa temperatura, precisa
ter cuidado redobrado com o que leva na mala. O turista, sobretudo saído
debaixo da Linha do Equador, onde o termômetro raramente marca abaixo
de zero, deve saber o que pode salvá-lo de uma verdadeira gelada - e
com estilo. Um dos impasses do turista não acostumado com o frio é
como conseguir as roupas: comprando, alugando ou pedindo emprestadas?
No de compra, outra dúvida: o que fazer com as peças quentes, quando
retornar da viagem? Um sobretudo em lã grossa não sai de um guarda-roupas
para ruas onde a temperatura média anual é de 29ºC - exceto em caso
de mofo. Engana-se quem pensa que só no estrangeiro, o frio pode incomodar.
“Numa das viagens ao Rio Grande do Sul, vi uma amiga minha ter que ser
socorrida em hospital”, lembra a agente de viagens Beth Guedes, da Mangaio
Ateliê de Turismo. “Gramado, Nova Petrópolis e Novo Hamburgo às vezes
esfriam tanto quanto cidades de Europa”. Especialista em roteiros no
País, Beth recomenda precaução, caso o destino seja gelado. “Apesar
do nordestino ter boa resistência ao frio, não custa nada levar na mala
peças para usar por baixo, meia de lã, luvas e jaqueta, de preferência
em couro legítimo para esquentar bem”. Quem sai do Brasil, tem três
opções para se armar contra o frio: comprar no país de origem, comprar
ou alugar no destino e pedir emprestado. A primeira esbarra na pequena
oferta de roupas de inverno. A segunda, na possibilidade de desuso das
peças, quando a viagem acabar. Já a última, basta um parente ou amigo
bonzinho; Caso da estudante angolana Isabel da Silva. “Saí de Recife
para ver meu noivo em Boston. Ele me disse que estava muito frio e vi
que minhas roupas não seriam suficientes. Então pedi mais dois casacos
emprestados a uma amiga”, conta Isabel. Imagine a troca, sair de Luanda,
terra de calor intermitente, para a neve nos Estados Unidos. SERVIÇO
- No Recife, uma produção básica, que não inclui peças para um inverno
rigoroso, custa cerca de R$ 210 (preço simulado na loja Pé-de-Meia).
Na sacola de compras vão peça íntima (calcinha ou cueca em malha térmica),
blusa com manga longa (na mesma malha), meia-calça e um par de luvas
em lã natural, blusa com gola alta, meia soquete e blazer. Um gorrinho
(providência indispensável) acrescenta apenas R$ 12 na conta. A loja
também têm guarda-roupa para mini-turistas (crianças até doze anos de
idade). “Baseada em experiências próprias, decidi oferecer peças de
frio na loja”, conta a proprietária da Pé-de-Meia, Elizabeth Oliveira
Dias. “Quando comecei a viajar, morria de frio, congelava ao sair para
comprar roupa”, lembra. “Se o inverno for muito severo e pedir roupas
como capotes e overcoats, os brasileiros compram fora mesmo. Caso contrário,
dá para sair do País protegido”.