Sensação de poder e euforia. prazer momentâneo
que faz o usuário entrar num caminho sem volta: as duas drogas são as
que mais causam dependência
Euforia, êxtase, um prazer que muitos acham indescritível
é o que normalmente sentem as pessoas que experimentam a cocaína
e o crack pela primeira vez. O problema é que, com o tempo, o
usuário precisa sempre de uma dose maior para se satisfazer.
A compulsão e o vício são só uma questão
de tempo. A cocaína é um estimulante e o crack é
alucinógeno, adianta a psiquiatra Gilvanete Delgado. Segundo
a especialista, a primeira provoca sensação de bem estar,
atuando no Sistema Nervoso Central. Já o crack aumenta os batimentos
cardíacos, libera adrenalina no cérebro, atua no sistema
nervoso, causando danos irreversíveis.
Na realidade, o crack e a cocaína são a mesma
droga. Só que o primeiro, acrescido de bicarbonato de sódio
e transformado em pedra, tem cerca de seis vezes mais potência
que a segunda. Os efeitos, ainda que em um caso sejam mais intensos
que no outro, também são semelhantes. Ao serem consumidos,
crack ou cocaína atuam diretamente no cérebro.
A droga impede que, no sistema nervoso central, os neurônios
recapturem o excesso de neurotransmissores ( responsáveis pela
transmissão de mensagens de uma célula para outra). Por
conta dessa quantidade extra, há um aumento do estímulo
motor. O usuário tem a sensação de estar mais forte,
mais ativo. A isso, soma-se grande euforia. A alteração
do genes é uma das conseqüências que o dependente
desses tipos de drogas pode sofrer. Seus filhos poderão nascer
com algum tipo de deficiência, diz Gilvanete Delgado.
danos - O coração também sofre com o uso da cocaína
e do crack. O risco de infarto do miocárdio aumenta sensivelmente.
Um usuário tem 24 vezes mais chances de ter o ataque cardíaco
na primeira hora depois do uso da cocaína se comparado a população
em geral. Entre usuários da cocaína em pó, aspirada
pelo nariz, o uso constante e por anos pode causar deformação
do septo nasal. Quem usa droga injetável também
pode ter infecção do lado direito do coração,
a chamada endocardite, avisa o cardiologista Sérgio Montenegro.
A cocaína é extraída da folha de coca,
vendida na forma de um pó branco. O crack é o derivado
mais perigoso da cocaína. Para obtê-lo, adiciona-se à
cocaína água e bicarbonato de sódio. A mistura
é aquecida, transformando-se em pedras, que são fumadas.
O QUE SÃO
A cocaína é uma droga extraída da
folha da planta de coca, vendida na forma de um pó branco.
O crack é o derivado mais perigoso da cocaína. Para obtê-lo,
adiciona-se à cocaína água e bicarbonato de sódio.
A mistura é aquecida, transformando-se em pedras, que são
fumadas
COMO SÃO USADOS
Cocaína aspirada
Passa primeiro por filtros do aparelho respiratório, o que faz
com que menos quantidade chegue ao cérebro
Cocaína injetada
O baque na corrente sangüínea
passa pelo fígado, coração e pulmão
antes de atingir o cérebro
Crack
Passa direto dos pulmões para o cérebro, num intervalo
de cinco a dez segundos depois de fumado
AS POSSÍVEIS CONSEQÜÊNCIAS DO USO
Acidente vascular cerebral (AVC)
Alguns estudos identificam relação entre intoxicação
aguda por cocaína e crack e acidentes vasculares cerebrais, os derrames.
A via intranasal parece ser responsável por 80% dos casos de derrame
(com hemorragia) ligados ao uso da droga
Hipoglicemia
Todo consumidor de cocaína e crack apresenta hipertermia.
O aumento da temperatura corpórea inibe a glicogênese (não permite a
formação de carboidrato), causando hipoglicemia (falta de açúcar no
sangue). Uma pessoa hipoglicêmica pode ter convulsões sérias
Infarto agudo do miocárdio
Cocaína e crack provocam o aumento da pressão do sangue
nos vasos, sobrecarregando o coração. Além disso, as drogas favorecem
o aparecimento de coágulos, que podem impedir a passagem de sangue no
coração e causar o infarto agudo do miocárdio
Danos pulmonares
De tão perigoso, o crack pode provocar estragos logo
no primeiro mês de uso. O fumo causa uma reação inflamatória em todo
o pulmão, diminuindo a capacidade respiratória da pessoa, que apresenta
tosse intensa e expectoração de mucos negros
Convulsão e insuficiência renal aguda
Dez por cento dos pacientes intoxicados por cocaína atendidos
nas salas de emergência apresentam convulsões. O percentual aumenta
entre usuários de crack. Pelo menos 1/3 dos consumidores de ambas as
drogas desenvolve insuficiência renal aguda