Karla Veloso
Da equipe do DIARIO
O preço oferecido pela Petrobras pelo álcool nordestino
não agradou os fornecedores da região e há um sério risco dos próximos
três leilões programados pelo Governo, não serem realizados. Ontem,
no terceiro leilão de álcool combustível produzido pela usinas e destilarias
do Nordeste, dos 45 milhões de litros colocados à venda, por não concordarem
com o preço, eles negociaram apenas 35 milhões. A estatal comprou o
litro do anidro a R$ 0,71 e do hidratado a R$ 0,60. Para os fornecedores
o preço razoável seria de R$ 0,75, para o anidro, e R$ 0,65 para o hidratado.
Do total de litros comercializados com a Petrobras, 27,5 milhões foram
de álcool hidratado e o restante de anidro. Vale ressaltar que Pernambuco
foi o único estado a comercializar o anidro, tipo que é misturado à
gasolina. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de
Álcool, Gustavo Maranhão, confirma que os fornecedores nordestinos,
por conta da insatisfação com o valor ofertado pela estatal, poderão
não oferecer o produto nos próximos três leilões. “Deixamos de produzir
cerca de 10 milhões de sacos de açúcar, que está com um preço bom lá
fora, para fabricar os 400 milhões de litros para abastecer o Centro-Sul
do País. O Governo tem o dever de oferecer preços satisfatórios”, argumenta
Maranhão. Ele acrescenta que caso não ocorra a mudança nos preços
mínimos ofertados pela Petrobras, os fornecedores vão voltar a produzir
o açúcar, como de costume. “Nosso compromisso é de abastecer o Nordeste.
E, esse já está garantido”, adianta .. Para ele, se o Governo quer praticar
os preços atuais, deve assumir o compromisso de abastecer o Centro-Sul
sozinho. A mesma posição é defendida pelo presidente do Sindicato
das Indústrias do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar/PE), Renato Cunha.
Segundo ele, os fornecedores não querem elevar preço do produto para
prejudicar os consumidores. “Queremos apenas o que é justo. E vender
álcool pelo preço oferecido pelo Governo, não é”, diz. Ele reclama
que não dá para entender a política de preços adotada pelo Governo.
“Importar álcool americano por R$ 0,90 e oferecer preço máximo de R$
0,71 para o nacional, não é uma atitude nada coerente”, critica.