
Foto: Teresa Maia/DP |
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Você também
pode ser um voluntário
Por POLLYANNA
DINIZ
Da Equipe do PERNAMBUCO.COM |
Gisele nasceu em 1988. Junto à celebração
por uma vida que chegava, os pais receberam uma notícia
temida por muitas famílias. A criança
tinha Síndrome de Down e, segundo os médicos,
não havia muitas expectativas: ela não
iria falar, andar, estudar. Albelena Lopes, prima de
Gisele, não aceitou aquele diagnóstico.
“Fui pesquisar, estudar. Eu e uma amiga fazíamos
parte da equipe de saúde do Conselho de Moradores
do Morro da Conceição. Um outro amigo
também se interessou. Então, decidimos
provar o contrário do que os médicos tinham
dito. E mais ainda, criar um espaço onde essas
crianças pudessem ser respeitadas”, explica
a fonoaudióloga. O primeiro passo de Albelena,
Mauricéia e Marcos foi visitar as casas da comunidade;
para a surpresa dos jovens, 64 famílias conviviam
com parentes com algum tipo de necessidade especial.
“Essas crianças não tinham assistência.
Assim, convidamos as mães para começar
um trabalho aqui no Morro”, relembra.
Essa é a história da criação
do Centro de Reabilitação e Valorização
da Criança (Cervac), que hoje, 19 anos depois,
atende 250 crianças e jovens. “Ainda é
um trabalho completamente voluntário. Naquela
época, a Casa Paroquial cedeu um espaço
para que a gente trabalhasse. Depois o Conselho de Moradores
também ajudou. Até que conseguimos comprar,
através de doações, a nossa sede”,
diz a fonoaudióloga, que coordena a equipe de
reabilitação da organização
não-governamental (ONG). O desejo de ajudar ainda
é o sentimento que move a instituição.
“Nós temos voluntários nas áreas
de educação, enfermagem. Muitas mães,
que antes apenas recebiam ajuda, hoje já são
voluntárias do projeto”, diz Albelena Lopes.
As crianças do Cervac recebem atendimento de
fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia e serviço
social. Hoje, a jovem Gisele está trabalhando,
estudando, faz curso de dança, vive uma vida
normal.
Apesar de ser um ótimo exemplo de voluntariado,
a história dos três jovens que montaram
o Cervac não precisa ser seguida à risca
por quem deseja ser voluntário. Iniciativas simples,
realizadas de acordo com o tempo disponível de
cada um, podem ajudar diversas instituições
que têm trabalhos sérios e muitas vezes
nem tão divulgados assim. De acordo com a titular
da Diretoria de Voluntariado da Prefeitura do Recife,
Gabriela Cordeiro, normalmente as pessoas que se dispõem
a fazer algum tipo de trabalho voluntário procuram
instituições conhecidas, que já
contam com um bom número de voluntários.
“Quando as pessoas pensam em voluntariado, imaginam
logo o NACC, a AACD, o Imip. Não quer dizer que
esses locais não precisem de voluntários.
Mas existem outros que também precisam de ajuda”,
explica Gabriela Cordeiro.
A ONG Lar Presbiteriano Vale do Senhor é um exemplo
de instituição que aceita o trabalho de
voluntários. No local, são atendidas 73
crianças de três a cinco anos de idade,
de 53 famílias da comunidade de Dois Unidos,
no Recife. As crianças recebem reforço
escolar e alimentação enquanto os pais
estão trabalhando. As mães das crianças
podem também participar dos cursos profissionalizantes
de corte e costura, manipulação de alimentos,
informática. Um grupo delas até já
montou uma cooperativa e hoje consegue gerar renda através
das técnicas de trabalhos manuais aprendidas
nos cursos.
O diretor-presidente da instituição, José
Bartolomeu dos Santos, começou a fazer trabalhos
voluntários há 15 anos, motivado pelas
crenças religiosas e pela igreja que freqüentava.
“Hoje o trabalho cresceu. Não é
só religião. E quem ajuda o outro também
cresce e aprende muito”, conta José Bartolomeu.
Muitos pais das crianças atendidas na instituição
trabalham como voluntários, seja em serviços
de limpeza ou restaurante, mas a ONG aceita a colaboração
de voluntários. “Pretendemos montar um
consultório odontológico e vamos precisar
de profissionais. Ou de pessoas que têm algum
projeto, sabem alguma atividade manual ou podem, simplesmente,
ajudar a tomar conta das crianças. Todos são
sempre bem-vindos. Vamos conversar antes apenas para
avaliar a motivação da pessoa e o compromisso
com o trabalho”, adianta o diretor-presidente.
Já quem sabe fazer trabalhos de pintura, teatro
de fantoches ou oficinas de leitura, pode aproveitar
para começar um trabalho voluntário na
Colônia de Férias que a Casa Menina Mulher
está organizando. A ONG existe há 14 anos.
Lá, 140 meninas, de 10 a 24 anos, são
atendidas pelos programas da instituição.
“Para quem tem entre 10 e 16 anos, fazemos reforço
escolar, atividades lúdicas, oficinas de leitura,
dança popular, percussão e teatro. A partir
de 16 anos, as atividades são profissionalizantes”,
explica a coordenadora Maria de Lurdes de Souza. Assim
como no Lar Presbiteriano Vale do Senhor, muitas mães
das meninas que participam dos projetos da Casa Menina
Mulher são voluntárias. “Elas acompanham
a importância do trabalho e a transformação
que acontece dentro de casa”, relata Maria de
Lurdes. Atualmente, 32 mães trabalham com serviços
gerais na instituição.
Como escolher uma instituição
– A Prefeitura do Recife possui uma Diretoria
de Voluntariado que mantém diversos projetos
voluntários nas áreas de educação,
saúde, meio-ambiente. “Nós temos
um leque enorme de atividades para quem quer ajudar
de alguma forma. Nós só pedimos que o
voluntário tenha compromisso, mas ele mesmo pode
fazer o horário”, diz Gabriela Cordeiro.
Além disso, a Diretoria de Voluntariado também
firma parcerias com instituições, para
que voluntários possam ser encaminhados. “Você
ajuda o outro, mas recebe muito em troca, cresce e aprende”,
conclui.
Seja
um voluntário
Cervac - 3268.8527
ONG Lar Presbiteriano Vale do Senhor – 3498.3042
(falar com Aldenize)
Casa Menina Mulher – 3231.0463
Diretoria de Voluntariado da Prefeitura do Recife –
3232.8378
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