História
O Diario de Pernambuco começou a fazer parte da
história em 7 de novembro de 1825, sendo hoje o jornal mais
antigo em circulação na América Latina. Fundado pelo
tipógrafo Antonino José de Miranda Falcão, da Tipografia
de Miranda e Companhia, o DP era publicado todos os dias, exceto domingos,
com o objetivo de publicar anúncios e serviços trazidos pela população.
As informações eram trazidas por passageiros de embarcações que
aportavam no Recife, assim como as entradas e saídas do Porto, e números
referentes a importação e exportação de produtos. Prestou
serviço descentralizado de atendimento ao público.
A carta de Dom João VI nomeando imperador do Brasil seu filho Dom Pedro
de Alcântara foi escrita em 15 de novembro daquele ano, tendo sido publicada na
edição n° 43 de 31 de dezembro. O documento ainda confirmava a
independência do país em relação a Portugal e estabelecia as
leis regulamentando a propriedade de terras brasileiras.
No ano seguinte, Antonino Falcão foi preso e absolvido ao lutar pela liberdade
de imprensa. O processo foi o primeiro no Brasil a abordar essa questão.
Falcão também foi responsável ainda pela publicação
de versos contra Dom Pedro I em um pasquim de 1829, o que lhe rendeu outros 14 meses de
prisão. Morreu em 1878, no Rio de Janeiro, onde está seu túmulo no
cemitério São Francisco de Paula.
O Diario foi vendido em 1835 à Tipografia Pinheiro & Faria, assumido por Manoel Figueroa.
A nova linha do jornal buscou seguir a mesma qualidade gráfica das
publicações que circulavam na Corte. O jornal passou a contar com mais textos
e informações divididos por títulos, além de contos literários.
Em 9 de abril de 1835, o resultado da votação em Pernambuco para a
escolha do novo regente do Império ganhou as páginas do DP, com a disputa
entre Antonio Francisco de Paula e Holanda Cavalcante e o Padre Diogo Antonio Feijó.
A eleição em Recife e Olinda teve como escolhido Antonio Francisco, que obteve
80 votos no Recife e 15 em Olinda, enquanto Feijó recebeu 43 e 8, respectivamente.
A família Figueiroa conduziu o DP por 65 anos.
Quando, em 1901, o Diario de Pernambuco passou a ser controlado pelo então
vice-presidente da agora República Federativa do Brasil, o conselheiro Rosa e Silva,
os anúncios já haviam se consolidado. O periódico contava com quatro
páginas dedicadas a propagandas de diversos gêneros, principalmente de
remédios e produtos alimentícios.
O DP ganhou novo fôlego sob a direção de Chateaubriand e ao se
unir ao grupo dos Diários Associados em 1931. Chatô, como ficou conhecido,
considerava o jornal “a praça forte da liberdade”. As notícias
do mundo chegavam ao leitor do jornal com exclusividade através da United Press,
da Agence Press, do International News Service, do British News Service e do Chicago Daily News,
além da criação de novas seções.
Uma grande disputa política fez o jornal paralizar os equipamentos nessa época.
Esse fato se repetiu em 1945, quando a redação tinha como diretor Arthur Orlando
e entre os repórteres estavam Assis Chateaubriand e Gilberto Amado, responsável
pela coluna Golpes de Vista.
Grandes escritores da história literária do Brasil publicaram textos e contos
nas páginas do DP, como Clarice Lispector, Tristão de Ataíde,
José Lins do Rego e Franklin Távora, entre outros. Entre os suplementos
mais marcantes já publicados pelo Diario foi o relativo à II Guerra Mundial,
quando saíram às bancas semanalmente, opondo-se ao totalitarismo do chamado
Eixo do Mal, composto pelos países Alemanha, Itália e Japão.
O Diário de Pernambuco já ocupou sete edifícios ao longo de seus
quase dois séculos até chegar ao endereço atual, na Rua do Veiga,
n° 600, no bairro de Santo Amaro. Começou ocupando o edifício de
número 267 na Rua Direita, bairro de São José. Depois,
passou pelas ruas das Flores, da Soledade e do Sol, pelo pátio da Matriz
de Santo Antônio. No endereço seguinte, à Rua das Cruzes,
o jornal comemorou os cem anos de existência e a rua ganhou novo nome:
Rua Diário de Pernambuco. O periódico ainda passou pela Rua Duque
de Caxias e em 1903 mudou-se para o prédio de estilo neoclássico
de três andares da Praça da Independência, que acabou conhecida
como a “Pracinha do Diario”, onde teve como sede até 2004.
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