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Alimentação é a base da folia saudável

Os foliões que pretendem aproveitar toda a semana carnavalesca, se esbaldando o dia inteiro nas ruas do Recife, nas ladeiras de Olinda ou em qualquer outro lugar onde se possa ouvir os clarins de Momo, devem levar a sério algumas recomendações de foliões mais experientes e médicos, como garantia de que a festa não vai acabar no primeiro exagero.

Em primeiro lugar, está o cuidado com a alimentação. No meio da multidão e na ânsia de aproveitar os animados desfiles de troças e blocos de rua, é difícil lembrar de se alimentar com constância e de forma adequada, considerando a procedência e a forma de preparo das comidas e das bebidas. Um descuido e os foliões podem se deparar com uma infecção intestinal ou com uma desidratação, doenças relativas à má nutrição que são mais constantes durante e depois dos dias de Momo.

Sendo assim, é importante procurar alimentos saudáveis e consumi-los em locais seguros. A nutricionista Michelle Galindo de Oliveira faz um alerta aos foliões para os momentos em que a sede e a fome baterem: “Na hora da sede, é importante não recorrer a líquidos em embalagens inadequadas, assim como a líquidos manipulados ou sem procedência segura. E, em relação à fome, não consumir alimentos manipulados ao ar livre”.

Além disso, é importante lembrar que um cardápio equilibrado e que possua todos os nutrientes é fundamental para suprir os gastos energéticos que são elevados durante os dias de festa. Portanto, não se deve deixar de realizar nenhuma das refeições principais (desjejum, almoço e jantar). Além de manter a regularidade na alimentação, a nutricionista indica também os tipos de alimento que devem estar presentes nas refeições: energéticos, ricos em carboidrato (pão, bolo, cuscuz, inhame, arroz, macarrão); construtores, ricos em proteína (leite, queijo, ovos, carne, peixe, frango) e alimentos reguladores, ricos em vitaminas e sais minerais (frutas e verduras). “Em cada refeição deverá ter, pelo menos, um alimento de cada grupo desses”, frisa a Michelle.

Finalmente, para evitar a desidratação, as orientações são, de certa forma, óbvias, mas, mesmo assim, ignoradas por alguns. Os foliões devem aumentar a ingestão de água em relação ao consumo rotineiro, pois, durante o carnaval, a necessidade hídrica aumenta. Mas, se mesmo com tantas orientações e alertas você não tomar os devidos cuidados e se deparar com uma diarréia ou com uma desidratação, o conselho da nutricionista é se alimentar bem, tomar muita água e repousar bastante. Vale lembrar que usar o soro caseiro (1 litro de água para uma colher de açúcar e uma pitada de sal) é fundamental.

Proteção e prevenção são palavras de ordem para os dias de folia

Para o folião curtir os dias de Momo com muita alegria e não ser surpreendido com problemas de saúde, sejam queimaduras na pele ou uma baita ressaca, o clínico geral Carlos Alberto Tavares Marinho e o dermatologista Emmanuel França dão algumas dicas. Ambos lembram que os cuidados devem ser tomados ainda em casa, antes de ir para o aglomerado das ruas e de se expor ao sol. É aconselhável, sempre, o uso de filtro solar de fator 15 ou maior. Além disso, os foliões devem se vestir com roupas leves e utilizar acessórios como chapéus e óculos escuros, para se proteger do sol, e um tênis adequado para enfrentar o sobe e desce das ladeiras e as pisadelas ocasionais. Finalmente, se hidratar e se alimentar bem para armazenar energia para o dia de festa também é fundamental.

Nessa época, lembra Carlos Marinho, há um aumento significativo no consumo de bebidas alcoólicas que, muitas vezes, são de procedência duvidosa. Por isso, todo cuidado é pouco. “O simples fato de haver aumento exagerado de bebidas pode vir a trazer problemas de saúde, desde uma simples ressaca, até problemas mais graves, como vômitos incoercíveis, desidratação e sangramento por lesão aguda da mucosa do estômago, ou laceração da mucosa do esôfago. Maior gravidade pode ainda acontecer, como a pancreatite aguda”, alerta o clínico.

Caso isso aconteça, o folião deverá “ingerir bastante líquido, fazer uma alimentação branda quando possível e usar sintomáticos como anti-eméticos”, orienta o médico. Mas, se não houver melhora, ou se o caso for mais grave, deve-se procurar um serviço de emergência.

PELE - Para aqueles que ficarem muito tempo sem proteção embaixo do sol, segundo Emmanuel França, as conseqüências são, inicialmente, vermelhidão na pele, que pode chegar até uma queimadura importante. Nas pessoas de pele clara, o risco aumenta e pode até levar ao desenvolvimento de melasma (mancha escura no rosto) e de melanoma (um tipo grave de tumor). Nesses casos mais graves, o certo é “procurar um médico para definir o diagnóstico correto e sugerir uma conduta terapêutica adequada”, diz o dermatologista.

Nos casos mais simples, deve-se, primeiro, hidratar a pele. As loções com calamina ajudam, inclusive, para as queimaduras de primeiro grau que, segundo Emmanuel França, sempre se resolvem espontaneamente.

O folião ainda deve tomar cuidado com uma brincadeira que, quando de má fé, pode trazer sérias conseqüências. São as pistolinhas de água e os sprays de espuma. Carlos Marinho lembra que muitos podem usar água contaminada, o que poderá causar, assim como as espumas, lesões corporais por substancias ácidas, ou mesmo lesão nos olhos. Então, Emmanuel França aconselha limpar as regiões afetadas o mais rápido possível.

Finalmente, mas não menos importante, Carlos Marinho faz um alerta para as doenças sexualmente transmissíveis. “Da maior importância nesta festa caracterizada pela liberalidade, o sexo seguro. O uso de preservativos é mandatório”.



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