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Origem do carnaval tem três versões, mas quem se importa??



Foto: Divulgação  
Os dias que antecedem o período da quaresma, data estabelecida pela Igreja Católica no início do século XI, são de extrema alegria para os foliões de todo o Brasil. Eles se esbaldam, sejam nos desfiles de escola de samba, atrás do trio elétrico, nos bailes a fantasia ou se misturando à multidão que segue as tradicionais troças e blocos de rua. Isto é o carnaval, manifestação popular que muitos desconhecem as origens. O importante, para os foliões, é que a festa faz parte do calendário anual!

A origem do carnaval ainda é um pouco questionada e três são as possíveis raízes para o início da comemoração. A corrente histórica mais ousada acredita que os primórdios da festa que um dia – muito, mas muito tempo depois - viria a se chamar carnaval tenha surgido 10 mil anos antes de Cristo, a partir de rituais agrários realizados pelos povos primitivos para honrar a chegada da primavera. Na ocasião, homens e mulheres se pintavam, bebiam e dançavam durante a festa.

Outra hipótese estudada é de que a festividade tenha se iniciado 2mil anos a.C., no antigo Egito, onde os povos celebravam a deusa Ísis ou o deus Osíris. A corrente que tem mais força, entretanto, é a que acredita que a comemoração tenha certa influência dos bailes de máscara do Renascimento e origem em Roma, onde havia uma homenagem a Deus Pã (as Lupercais) e a Baco (ou Dionísio para os gregos), os rituais Dionisaíacos ou Bacanais. Na região, ainda existia a Saturnália, festa em que um carro em forma de navio seguia pelas ruas cheias de gente que usavam máscaras e promoviam diversas brincadeiras.

É justamente dessa última manifestação que muitos acreditam ter derivado a palavra carnaval, que seria "carrum navalis" (carro naval), o que faz sentido, mas, de acordo com alguns pesquisadores, não é tão aceitável quanto a expressão "carnem levare" (adeus à carne, abstenção da carne). Para tais pesquisadores, esta última etimologia faz mais sentido, pois a festa se realizada antes do período da Quaresma, quando se pratica a abstinência da carne. Provavelmente, esta também tenha sido a origem da expressão "Dias Gordos" que denominava a transgressão da ordem de jejum até a quarta-feira de cinzas.

BRASIL – Certamente, a origem do carnaval do Brasil é européia. A festa chegou ao país, através dos portugueses, no início da colonização, sendo influenciada pelo entrudo português e, mais tarde, por volta do século XX, por elementos da cultura africana.

O termo entrudo é uma derivação do latim "introitus" (entrada, começo), nome que era utilizado pela Igreja Católica para designar o início das celebrações da Quaresma. O entrudo já existia antes do Cristianismo e ocorria no mesmo período do ano, mas era para comemorar a chegada da primavera. Com o início da Era Cristã, então, passou a fazer parte do calendário religioso.

A festa do entrudo foi influenciada pelos desfiles carnavalescos europeus, nos quais as pessoas usavam máscaras e fantasias, algumas utilizadas até hoje, como Pierrô, Colombina e Rei Momo, que foram incorporados às manifestações brasileiras.

A festa também tinha um caráter violento, uma vez que as pessoas tinham o costume de jogar uns nos outros, ovos, farinha de trigo, polvilho, cal, goma, laranja podre e restos de comida. Com o tempo, o entrudo passou a ficar mais pacífico e civilizado. As substâncias passaram a ser os limões de cheiro (pequenas esferas de cera cheias de água perfumada) e vinho, vinagre ou groselha, armazenados em frascos de borracha. Estas últimas foram as precursoras dos lança-perfumes introduzidos em 1885. Mais adiante, o confete e a serpentina também passaram a fazer parte da festa.

No século XIX, começaram a aparecer os primeiros blocos que não possuíam ritmos ou melodias que os simbolizassem. No século seguinte, entretanto, estes passaram a ser embalados pelas marchas, caracterizando o típico carnaval de rua que existe até hoje em cidades como Recife e Olinda. Nestas cidades o ritmo oficial é o frevo, mas o maracatu, o caboclinho, o samba e a ciranda, também embalam os foliões.


RITMOS

Frevo
Musicalmente falando, o frevo é genuinamente pernambucano e originou-se no século XIX, a partir da mistura do repertório das bandas militares da época, misturado com ritmos como o maxixe, a modinha, a polca e o tango.

Na década de 30, devido à popularização do ritmo pelas gravações de discos e pela transmissão em programas de rádio, o frevo passou ser dividido em três estilos: o frevo-de-rua, que é puramente instrumental; o frevo-de-bloco, executado por Orquestras de Pau e Corda e com letras, em sua maioria, saudosas, interpretadas, muitas vezes, por coral feminino; e o frevo-canção, que também é cantado, mas possui uma introdução instrumental e trata de temas diversos.

Já a dança tem origem nos antigos desfiles de rua, quando alguns capoeiristas ficavam na frente dos instrumentistas para defendê-los, dançando ao ritmo das músicas. Os movimentos da capoeira, então, geraram alguns passos do frevo como a tesoura, o ferrolho, a pernada e outros.


Caboclinho
O caboclinho é uma manifestação popular de origem indígena bastante tradicional em Pernambuco. A cidade de Goiana, que fica a 65 Km do Recife, é um grande celeiro dessa manifestação. Lá, existem os principais grupos do gênero como o Sete Flexas, o Canindé, o Caetés e o Tabajara.

O ritmo tem como base o pífano, o ganzá e a caixa de surdo e os passos da coreografia são marcados pelo som do arco e flecha dos integrantes que se vestem com tanga e cocar de penas.

Ciranda
A ciranda é uma dança comunitária típica do estado de Pernambuco. A manifestação cultural surgiu, simultaneamente, nas regiões litorâneas e na Zona da Mata e, hoje em dia, já é uma atração na capital também.

Em um roda, onde todos se dão as mãos, qualquer pessoa pode participar e não há limites de integrantes. À medida que as pessoas chegam, o círculo vai abrindo e quando a roda atinge um tamanho que torna difícil a movimentação, não tem problema. É só fazer um círculo dentro do outro e continuar a dança.

Maracatu
O maracatu é de origem africana, mas tem influências indígenas e portuguesas também. Ele é baseado nas festas coloniais de Coroação dos Reis Negros eleitos pelos escravos. Antigamente, a dança era executada em festas religiosas e, hoje em dia, é apenas uma das manifestações culturais do carnaval que encanta e diverte muitos foliões. O ritmo é dividido, atualmente, em dois tipos:

Maracatu Nação ou Baque Virado – É mais antigo e inspirado, justamente, nas cerimônias de coroação do Rei do Congo. São de 30 a 50 integrantes que assumem os papéis de Rei, Rainha, Porta estandarte (ou Porta bandeira), Dama do Paço ( que leva a boneca calunga), Caboclos de lança, a Corte: Duque, Duquesa , Príncipe, Princesa, Embaixador, Rei e Rainha mirins, Baianas e Baianas mirins, e o Chapéu-de-Sol para proteger o Rei e a Rainha do sol.

Maracatu Rural ou Baque Solto - É influenciado pelos folguedos populares do interior de Pernambuco, especialmente das regiões dos engenhos de cana-de-açúcar da Zona da Mata. Tem, como marca registrada, os caboclos de lança, que não fazem parte do Maracatu Nação. Eles se vestem com grandes golas enfeitadas de lantejoulas, um peruca de fitas coloridas e têm um grande chocalho nas costas.


Samba
O samba é outro ritmo popular que compõe o carnaval pernambucano. No estado, o ritmo é influenciado por elementos do maracatu, do frevo, da capoeira e das escolas de samba. O samba foi se tornando mais constante no calendário da folia como surgimentos das escolas de samba na década de 30. Entre os grupos do Estado, destacam-se as escolas Preto Velho, Gigantes do Samba, Limonil, Estudantes de São José e Galeria do Ritmo.


Afoxé
A origem do ritmo é africana e, no Brasil, apresenta elementos ligados ao Candomblé. Antigamente, os integrantes do Afoxé passavam por uma preparação espiritual, seguindo os rituais do Candomblé, para poderem desfilar no carnaval. Hoje, essa tradição não é mais seguida, já que muitas pessoas que participam da dança não possuem vínculos com a religião afro.

A grande maioria dos participantes do Afoxé são homens. Eles cantam em língua Nagô e dançam ao som dos atabaques, do agogô e do xerê.



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