Literatura Livro de dramaturgo pernambucano investiga relação entre gênero, sexualidade, política e cultura no teatro Bonecas Falando Para o Mundo, de Rodrigo Dourado, será lançado no Recife nesta segunda

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 25/07/2018 08:31 Atualizado em:

Publicado pelo Sesc, livro tem 288 páginas e custa R$ 40. Foto: Sesc/Divulgação
Publicado pelo Sesc, livro tem 288 páginas e custa R$ 40. Foto: Sesc/Divulgação

Espaço fundamental para a expressão de minorias, os palcos são local de debate sobre gênero e sexualidade. A questão é explorada pelo teatrólogo, dramaturgo e diretor Rodrigo Dourado, que escreveu a tese de doutorado em artes cênicas Bonecas falando para o mundo: Identidades “desviantes” de gênero e sexualidade no teatro, em 2014. Transformada em livro, a publicação será lançada nesta quinta-feira (25), às 18h, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE (Av. Prof. Moraes Rego, 1235, Cidade Universitária), durante VI Congresso Internacional de Arte Educação do Sesc/PE.

Publicado pelo Sesc, Bonecas falando para o mundo (Sesc, 288 páginas, R$ 40) investiga como o teatro se relaciona e aborda o gênero, sexualidade, política e cultura. “A cena contemporânea tem problematizado muito essa questão”, diz o pesquisador, que pretendia, inicialmente, resgatar a trajetória da cena teatral queer no Recife, mas, durante os estudos do doutorado, entrou em contato com dois espetáculos argentinos, Carnes tolendas: retrato escénico de um travesti e Luis Antonio-Gabriela.

A inclusão das peças internacionais não significou a exclusão da cena local da pesquisa, que analisa também espetáculos como Ópera, do coletivo Angu de Teatro, e Paloma para matar, de Lano de Lins. Embora sejam encenações recentes, de 2007 e 2009, respectivamente, a temática vem sendo explorada com mais ênfase nos palcos pernambucanos há mais tempo. Pioneiro, o grupo olindense Teatro Vivencial, realizou, entre 1974 e 1982, abriu espaço para transformistas e foi responsável pelo espetáculo Bonecas falando para o mundo, que dá nome ao livro.

Sobre o fato de minorias acabarem encontrando um espaço propício para diálogo e debate, Dourado considera que esse movimento deve-se ao caráter inclusivo do meio. “É uma arte que não é hegemônica, disponível para todo mundo. Todo mundo pode fazer teatro, o único recurso do teatro é o corpo e a voz”, opina. Por não demandar tecnologias específicas, como é o caso do cinema e da fotografia, é mais acessível, acredita o pesquisador.

Outro motivo, diz ele, seria mais subjetivo. “O teatro é um lugar de muita acolhida. No dia a dia, a gente muitas vezes é obrigado a esconder a sexualidade, a simular nossa identidade, fingir ser outra coisa. Tem essa teatralidade que as pessoas LGBT percebem desde muito cedo”, sugere. “O teatro acaba sendo um espaço possível para as pessoas viverem as fantasias, viverem aquilo que elas não podem viver no cotidiano, viverem essa identidade que é reprimida”.


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