Eleições Janaína diz precisar de mais tempo para decidir sobre ser vice de Bolsonaro A advogada Janaína Paschoal disse também que ter sido comparada a torturador da ditadura, durante convenção que confirmou candidatura de Bolsonaro, foi um 'soco na cara'

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 23/07/2018 18:29 Atualizado em:

Janaína Paschoal foi a terceira pessoa convidada a ser vice de Bolsonaro. Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press
Janaína Paschoal foi a terceira pessoa convidada a ser vice de Bolsonaro. Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press
Um dia depois de participar da convenção nacional do PSL, que confirmou a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, a advogada Janaína Paschoal voltou, nesta segunda-feira (23), a demonstrar discordâncias com o deputado fluminense e disse que precisa de mais tempo para decidir se aceita entrar na chapa do partido como vice.  

Em entrevista à rádio Jovem Pan, pela manhã, Janaína disse ter ficado muito incomodada quando foi comparada pelo filho de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ao ex-capitão do Exército Brilhante Ulstra, considerado um dos maiores torturadores da época da ditadura brasileira.

Segundo a advogada, que ficou conhecida nacionalmente por ser uma das autoras do pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a menção a Ulstra foi "um soco na cara". Ela, no entanto, disse que procurou ponderar a declaração, ressaltando que, para Eduardo, tratava-se de uma tentativa de elogiá-la.

Apesar de muito aplaudida na convenção realizada no domingo (22/7), Janaína desagradou Bolsonaro e seus seguidores em alguns momentos de seu discurso, como quando disse que não é preciso sair "falando para as pessoas acreditarem em Deus". Mais tarde, na coletiva de imprensa, Jair Bolsonaro minimizou qualquer atrito com a jurista. "Tem que ter a liberdade de se expressar. Ela tem a opinião dela. Não dá para afinar 100% o discurso", afirmou. 

Nesta segunda-feira, Janaína disse à Agência Estado que considera Bolsonaro uma pessoa bem intencionada, mas que ainda pondera se aceita o posto de vice. Ela tem dito que precisa saber se haverá espaço para defender os interesses de eleitores que não votariam em Bolsonaro, mas podem acabar dando o voto a ele devido à presença dela na chapa.

A advogada afirmou ainda que discorda da frase de Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José de Alencar e cotado como vice do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), de que um vice "não manda nada". "Definitivamente, não concordo com Josué de Alencar quando diz que vice não manda nada e ajuda quando não atrapalha", disse a jurista à Agência Estado. 

Janaína é o terceiro nome cotado para assumir a vice na chapa. Antes, Bolsonaro tentou o senador Magno Malta (PR-ES), que optou por tentar a reeleição ao Senado, e o general da reserva Augusto Heleno, que foi vetado pelo PRP.


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