Partido Jucá diz que MDB está preparado para 'sair sozinho' na eleição O senador tentou minimizar o apoio do Centrão ao presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, sob o argumento de que essa adesão já era esperada

Por: AE

Publicado em: 20/07/2018 17:17 Atualizado em:

Foto: Arquivo/Agência Brasil
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O presidente do MDB, Romero Jucá (RR), disse nesta sexta-feira (20), que o partido está preparado para "sair sozinho" na campanha ao Palácio do Planalto. O senador tentou minimizar o apoio do Centrão ao presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, sob o argumento de que essa adesão já era esperada, e reafirmou a candidatura de Henrique Meirelles pelo MDB.

"A posição do Centrão não muda nada para nós. Temos tempo de TV suficiente no horário eleitoral e capilaridade nos Estados. Estamos preparados para sair sozinhos e não vejo qualquer problema nisso", argumentou Jucá. Embora Meirelles não tenha conseguido fechar qualquer aliança até agora, o presidente do MDB negou que ele esteja isolado na campanha. "Está todo mundo conversando com todo mundo. Até o fim do mês muita água pode rolar."

O bloco formado por DEM, PP, Solidariedade e PRB, conhecido como Centrão, decidiu apoiar Alckmin nesta quinta-feira, 19. A reviravolta de última hora ocorreu depois que o PR - chefiado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no processo do mensalão - se juntou ao grupo. Até então, a tendência do bloco era apoiar o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

"É natural o apoio desse grupo a Alckmin. Ir para o Ciro é que não seria natural", afirmou Jucá, em referência à divergência ideológica entre o Centrão e o pré-candidato do PDT. Pelo acordo o vice "arranjado" para o tucano seria o empresário Josué Gomes da Silva, filiado ao PR e filho do vice-presidente José Alencar, morto em 2011. 

Antes de o Centrão recuar no apoio a Ciro para fechar com Alckmin, Meirelles tentou atrair legendas do bloco para sua campanha. Chegou mesmo a oferecer a vaga de vice na chapa ao empresário Flávio Rocha, filiado ao PRB, que desistiu de ser candidato ao Planalto.

Em outra frente, o governo também ameaçou tirar cargos de quem se unisse a Ciro, que chamou o presidente Michel Temer de "quadrilheiro" e "ladrão". O PP, por exemplo, comanda os ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura. O bloco não fechou com o pedetista, mas também não quis ficar com Meirelles, que tem 1% das intenções de voto.

Jucá vai intensificar as articulações pró-Meirelles e desembarcará em Brasília, nos próximos dias, para pedir apoio ao pré-candidato do MDB. Pelas contas do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha - que também é vice-presidente do MDB -, Meirelles já tem maioria para vencer a convenção do partido, marcada para 2 de agosto.

O "mapa" de Padilha mostra que o ex-titular da Fazenda já conta com 443 dos 629 votos dos convencionais. Mesmo assim, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que lidera a oposição a Meirelles no MDB, está tentando derrubar a candidatura do ex-ministro, com o objetivo de deixar o partido "livre" para arranjos regionais.


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