Brumadinho 'Eu te amo, fica com Deus", diz filho ao pai, pouco antes de a barragem de Brumadinho se romper

Por: Benny Cohen - TV Alterosa

Por: Francelle Marzano

Publicado em: 31/01/2019 12:12 Atualizado em:

Paulo Aniceto Gomes vai à Estação do Conhecimento todos os dias, desde a catástrofe, em busca de notícias. Foto: Jair Amaral/EM/DA Press
Paulo Aniceto Gomes vai à Estação do Conhecimento todos os dias, desde a catástrofe, em busca de notícias. Foto: Jair Amaral/EM/DA Press
Éverton Guilherme Ferreira Gomes era só felicidade na sexta-feira (25). Empregado havia 30 dias na Progen, empresa terceirizada da Vale, o jovem, de 21 anos, tinha planos de se casar com a namorada, com quem estava há dois anos.

Naquele dia, Éverton, cujo posto de trabalho como gestor de qualidade era na sede da Progen em Nova Lima, foi a Brumadinho conhecer o chefe, que estava na Mina Córrego do Feijão.

Pouco antes de a barragem se romper, o rapaz trocou mensagens via whatsapp com o pai, Paulo Aniceto Gomes, que não via há alguns dias.

"Bom dia pai ontem eu não fui porque estava em outra cidade e hoje estou de novo. Em Brumadinho. Minas Corrégo do Feijão. Eu te amo! Fica com Deus." O pai respondeu. "Amém meu filho papai também te ama muitoooooo..."

Paulo Aniceto vai à Estação do Conhecimento todos os dias, em busca de informações sobre Éverton. Ele acredita que o filho possa ter escapado da tragédia. "Eu conversei com ele pouco tempo antes e ainda acredito que ele possa estar vivo, que tenha corrido pra mata. Não era pra ele estar aqui", lamenta.

A convicção de Paulo na sobrevivência do filho é tanta que, nos dois dias seguintes, ele enviou novas mensagens pelo celular. Esta, no dia 26. "Amo você meu filho. Senhor Jesus cuida do meu filho...". E outra, no dia 27: "Oi meu filho estou com muita saudade!!! Oi meu amor papai com muita saudade de você beijos te amo..."

Éverton está incluído na lista de desaparecidos. "A Vale tá falando em dar dinheiro, R$ 100 mil, mas eu não quero dinheiro. Quero meu menino!”


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