brumadinho Uma foto, dois finais felizes: cachorros Vitinho e Zeus voltam pra casa

Por: Cecília Emiliana - EM Cultura

Publicado em: 31/01/2019 10:45 Atualizado em: 31/01/2019 10:47

Vitinho e Zeus: cachorros foram resgatados e devolvidos a seus tutores. Foto: Arquivo pessoal
Vitinho e Zeus: cachorros foram resgatados e devolvidos a seus tutores. Foto: Arquivo pessoal
A história do cachorro resgatado pelo corpo de bombeiros que comoveu a web ao fazer vigília pelos donos em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, não tem um final feliz. Tem dois.

Clicado pelo equipe do jornal Estado de Minas, que pertence ao mesmo grupo do Correio Braziliense, nas proximidades da pousada Nova Estância - varrida pela lama derramada com o estouro da Barragem de Feijão, em 26 de janeiro -, o cãozinho não demorou a ser reconhecido. “Etaaa! É o Vitinho!”, disse o auxiliar administrativo Lucas Assis, de 32 anos, ao ver a foto do animal publicada nas redes sociais do jornal. 
 
Graças a repercussão do post, que engajou cerca de 15 mil pessoas no Twitter e no Instagram do EM, Vitinho foi encontrado e devolvido à família cerca de três dias após o reconhecimento. Ele agora curte o aconchego de sua residência, que ficou interditada de sexta-feira (26/1) ao início da noite de domingo (28/1). No sítio, localizado a 500 metros da pousada destruída, moram Lucas, a namorada dele, além dos pais do rapaz.

Algumas horas depois do encontro, o olhar atento de José Moreira, pai de Lucas, provocaria uma reviravolta no enredo. “Vitinho tem as orelhas maiores e mais caídas que este da foto de vocês. O cão que vocês fotografaram não é o nosso”, disse o aposentado à reportagem do EM, que chegou a ir à chácara da família registrar o reencontro. A namorada do jovem mineiro confirmou o veredicto. “São quase idênticos, por isso o Lucas acabou confundindo, mas não é ele. De qualquer forma, ficamos muito gratos, pois a mobilização gerada pelo post do jornal nos trouxe o Vitinho de volta”, comemorou Vanessa Monteiro, de 28 anos. 

A (outra) boa notícia é que a fidelidade do cão de pelagem tigrada que insistia em permanecer na lama à espera do donos foi recompensada. A postagem e a matéria publicadas pelo Estado de Minas sobre o assunto chegaram até a veterinária Larissa Alves, moradora de Casa Branca, distrito de Brumadinho. Ela encontrou, acolheu e viabilizou a devolução do pet aos proprietários. O nome dele, na verdade, é Zeus.
 
Matando a charada
É natural que, à essa altura, o leitor esteja se perguntando que evidências nos levam a atestar que, desta vez, a identificação do cachorro está correta, uma vez que há certamente muitos cães com características similares ao do clique feito pelo fotógrafo Alexandre Guzanshe. A resposta está num detalhe que Guzanshe não capturou com as lentes, mas com memória. “Eu me lembro que o animal tinha um machucado na parte de cima do pescoço e também na pata. O ferimento estava manchado de roxo, como se tivessem passado um remédio por cima”.  
 
Este dado bate com a descrição do animal procurado pela família de Kayck Junior Braga, 15 anos, que mora perto da família de Vitinho e criava vacas em um pasto que havia no terreno da pousada Nova Estância. “Por causa do desastre, a gente também teve que desocupar nossa casa por um tempo. O Zeus, na confusão, acabou ficando para trás. Minha mãe então publicou uma foto dele em seu perfil no Facebook. A Larissa entrou em contato com a família do Vitinho, achando que havia encontrado o cachorro deles. Eles então ficaram sabendo do post da minha mãe, nos ligaram e trouxeram o Zeus para nós”, relata o adolescente.
 
Lucas, o irmão Kayck de um ano e cinco meses, é quem parece ter ficado mais feliz com o retorno. “O cão, na verdade, é do meu irmão. Meu pai o trouxe pra morar com a gente logo quando ele nasceu. O menino estava muito triste, sentiu muita falta do companheiro. Agora, está mais calmo”, conta o rapaz. 

As vacas que a família criava no pasto da pousada Nova Estância não tiveram a mesma sorte. Segundo Kayck, foram todas soterradas pelos 12,7 milhões de metros cúblicos de lama despejados pela barragem da Vale sobre a comunidade do córrego do Feijão. 


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