brumadinho Luto atinge também os coveiros que, em breve, enterrarão conhecidos

Por: Paulo Galvão - Estado de Minas

Publicado em: 31/01/2019 07:52 Atualizado em:

Profissionais têm que sepultar familiares e amigos que perderam na tragédia. Foto: Mauro Pimentel/AFP
Profissionais têm que sepultar familiares e amigos que perderam na tragédia. Foto: Mauro Pimentel/AFP
Discretos, como convém à profissão, os coveiros de Brumadinho não são muito de expressar sentimentos. Porém, em conversas com a reportagem, mostraram a tristeza de saber que, em breve, vão enterrar amigos e vizinhos, além de conhecidos. “Vocês não sabem a dor que estamos sentindo. Também perdemos gente querida, mas é nosso trabalho, e temos de passar por cima”, afirma João Batista Serafim Brandão, que não é funcionário do mais antigo cemitério da cidade, mas se voluntariou para ajudar nesse momento crítico.

Ontem, ele ajudava Atenagos Moreira de Jesus, que há 20 anos é o responsável por abrir e fechar túmulos em Brumadinho. Apesar de toda a experiência, o titular não escondia a tristeza com tudo o que ocorreu desde sexta-feira — até ontem, havia sido confirmada a morte de 99 pessoas em decorrência da tragédia. “A gente fica um pouco nervoso com todo este movimento, o barulho de helicópteros o dia todo buscando corpos. Tem hora que dá vontade de chorar, somos de carne e osso como todo mundo, mas temos de nos manter firmes e fortes”, disse Atenagos.

Como praticamente todos em Brumadinho, eles têm ligação grande com as mineradoras. João Batista trabalhou na própria Vale e chegou a ajudar a construir a barragem de rejeitos que se rompeu há sete dias. “Nunca pensei que fosse acontecer uma coisa dessas. Que Deus conforte as famílias e que Brumadinho volte a ser uma cidade feliz, boa para se viver”, desejou o coveiro, que não perde as esperanças de que mais sobreviventes sejam resgatados.    

Já o companheiro momentâneo de trabalho também torce por um milagre. Um primo e um amigo que estavam próximos da barragem no horário do rompimento conseguiram escapar “por pura sorte”. Já alguns conhecidos continuam desaparecidos, com poucas chances de sobrevivência, segundo os próprios bombeiros. “As pessoas têm de suportar, o sofrimento faz parte da vida”, disse Atenagos, resignado.


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