Repercussão Após divulgação de vídeos de assédio em ônibus, Secretaria da Mulher se coloca à disposição de vítimas O órgão informou ainda que denúncias podem ser feitas na Ouvidoria da Mulher,pelo telefone 0800-281-818

Publicado em: 24/07/2018 16:21 Atualizado em: 24/07/2018 16:32

Quatro vídeos foram publicados pelo usuário anônimo. Foto: Reprodução/Twitter.
Quatro vídeos foram publicados pelo usuário anônimo. Foto: Reprodução/Twitter.
Após a repercussão do caso dos vídeos que mostram mulheres sendo assediadas em ônibus do Recife, a Secretaria da Mulher de Pernambuco se colocou à disposição das vítimas. O órgão informou ainda que denúncias podem ser feitas na Ouvidoria da Mulher,pelo telefone 0800-281-8187.

Em relação ao crime cibernético, a Secretaria dispõe de uma cartilha para orientar as mulheres e a população em relação ao assunto. O documento está disponível no site do órgão. "A Secretaria da Mulher de Pernambuco torna pública sua indignação e repúdio à conduta do usuário identificado como ‘observadorRecife’ que segundo informações da matéria Vídeos exibem assédio em ônibus publicada na página B1, do caderno Local, do Diario de Pernambuco, postou uma sequência de imagens de mulheres, supostamente assediadas, por ele mesmo, em sites de conteúdo pornô da rede mundial de computadores", ressaltou a secretaria por meio da assessoria de comunicação.

Quatro vídeos postados em um dos maiores sites de pornografia da rede mundial de computadores com imagens de mulheres sendo assediadas sexualmente no transporte público do Recife geraram indignação em internautas desde o fim de semana, quando o caso veio à tona após uma estudante de 17 anos divulgar as publicações em uma rede social. Apesar da repercussão da queixa feita pela adolescente, nenhuma denúncia foi formalizada na polícia. Dois dos vídeos foram desativados pelo site.

Nas imagens publicadas no site de conteúdo pornô, o usuário identificado como “ObservadorRecife”, que informa ter 27 anos e morar na capital pernambucana, publicou uma sequência de vídeos mostrando mulheres sendo assediada supostamente por ele mesmo. Em uma das postagens, “Encoxando a neguinha de leve (sic)”, o homem expõe o rosto da mulher em um ônibus. Sem saber que está sendo filmada, a vítima demonstra desconforto com a situação. 

Outros vídeos, intitulados “Encoxando braço da novinha (partes 1 e 2), reuniam quase 800 mil visualizações. O perfil do assediador somava mais de 1,3 mil inscritos e estava ativo desde 5 de janeiro de 2016. Na tarde desta segunda-feira, não era mais possível localizar os vídeos ou a página do usuário. “Eu postei a denúncia da existência desses vídeos na sexta-feira. A repercussão durante o fim de semana foi muito grande. Acho que o perfil foi apagado”, disse a estudante de 17 anos.  

A adolescente pretendia formalizar uma queixa na Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, localizada na Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, nesta segunda, mas, por orientação dos pais, preferiu não fazer a denúncia. “Como eu precisava da autorização deles, conversei. Meus pais, apesar de entenderem e me apoiarem, pediram que, por questões de segurança, eu não fizesse a denúncia, mas espero que alguém faça”, afirmou. 

Ela descobriu os vídeos quando, mexendo no celular, viu uma piada na internet com prints das imagens de assédio. Buscou as publicações originais no site e confirmou que as chacotas se referiam a casos reais. “Reconheci que realmente eram do Recife. Infelizmente, esse é um assunto que muitas pessoas esquecem por acharem normal. Não é. Mulheres são vítimas de assédio diariamente e isso precisa ser levado a sério. Precisamos denunciar sempre”, ressaltou. 

Quando as publicações estavam ativas no site, era possível ler comentários de apoio às postagens. “Ela gostou”, dizia um internauta em um dos vídeos. “Posta mais”, pedia outro. O próprio autor das postagens comentou em um dos posts que “não importa o que digam vou continuar fazendo isso e espero um dia encontrar suas mães, irmãs, namoradas, primas (sic)”.

Sobre a investigação dos vídeos, a assessoria de comunicação da Polícia Federal (PF) informou que o caso compete à Polícia Civil de Pernambuco, que esclareceu não ter recebido "qualquer denúncia dessa natureza envolvendo supostos casos de assédio ocorridos no Recife contra mulheres".


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Últimas