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Ciclismo A fabulosa oficina de bicicletas de Marcelo da Silva

Publicado em: 06/10/2013 09:00 Atualizado em: 06/10/2013 14:19

Na companhia do colega Antônio, Marcelo "cura" as magrelas doentes que chegam às dezenas toda semana. Foto: Gabriel Trigueiro/DP/D.A Press
Na companhia do colega Antônio, Marcelo "cura" as magrelas doentes que chegam às dezenas toda semana. Foto: Gabriel Trigueiro/DP/D.A Press
Fluente em três línguas estrangeiras, dono de uma casa no Sítio Histórico de Olinda, mestre de capoeira e produtor cultural. Marcelo da Silva, um pernambucano de 45 anos com voz e trato tranquilos, tem muitas vidas em uma. Mas sua mais dileta missão no momento nem é muito influenciada pelas credenciais citadas acima. De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, ele se dedica à tarefa de manter funcionando as 360 bicicletas de aluguel usadas e muitas vezes maltratadas por recifenses que descobriram no guidom e nas duas rodas uma alternativa para circular pela cidade de forma mais sustentável e, por que não, mais descolada.

Marcelo e as bicicletas - as laranjinhas do Bike PE e as amarelinhas do Porto Leve - se encontraram por motivos sobretudo sentimentais. Em 2005, oito anos antes das magrelas entrarem em cena nas ruas e pontes da capital pernambucana, o especialista voltou para o Brasil depois de 20 anos morando em Zurique, na Suíça onde chegou a ganhar nada menos que 4 mil euros se encarregando da manutenção de caríssimas mountain bikes de competição da Peugeot, Intercycle e outras fábricas e equipes europeias. “Fui para a Europa ensinar capoeira, mas logo o conhecimento sobre bilicletas, construído desde a infância, falou mais alto e me rendeu ótimas oportunidades”, relembra. Ótimas mesmo, mas não o bastante para segurá-lo pelo resto da vida por lá. “Juntei dinheiro suficiente para viver bem na Europa e ajudar minha família no Brasil, mas tinha muita saudade de Olinda. Então comprei uma casa no Amparo e dei adeus à quitinete que alugava a 700 euros por mês na Suíça”, lembra.

Cifras e línguas
Com seus euros e sua fluência em alemão, italiano e espanhol - garantida pela presença em um país e em um ramo nos quais o encontro de idiomas é lugar comum - Marcelo voltou. Montou um projeto de capoeira para crianças carentes e passou a atuar com produção cultural. Mas não deixou de lado o dom para mexer nas bikes, nem de longe tão bem recompensado quanto nos tempos em que deixava as máquinas prontas para que os profissionais cruzassem os Alpes a bordo delas.
 (Gabriel Trigueiro/DP/D.A Press)

“As bicicletas são a nossa área. Eu, por exemplo, comecei ainda criança no bicicross" relembra Antônio Rodrigues, 31, colega de Marcelo, que divide com ele os reparos nas cerca de 15 bikes quebradas que aportam diariamente no galpão da Serttel (administradora dos projetos) em Santo Amaro.

Atitude sustentável
Enquanto repara rodas tortas, pneus furados e outros ferimentos infligidos às guerreiras de lata que desbravam os buracos do Recife, Marcelo espera estar também contribuindo para uma mudança de atitude. “Nossa cidade não tem a quantidade de ciclofaixas nem a organização do trânsito da Europa. As bicicletas também não são tão bem feitas. Mas como um biker que pedala 10 km por dia, acredito no meio de transporte e na sua importância para o futuro da cidade”, resume.

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