Espanha Ex-presidente catalão Puigdemont voltará para Bélgica O ex-presidente regional catalão está na Alemanha desde que foi detido nesse país, em 25 de março

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 25/07/2018 08:02 Atualizado em:

Ele se encontrava na Bélgica, desde final de outubro, país onde se instalou para escapar da ação da Justiça espanhola. Foto: Reprodução/Internet
Ele se encontrava na Bélgica, desde final de outubro, país onde se instalou para escapar da ação da Justiça espanhola. Foto: Reprodução/Internet
O ex-presidente regional catalão Carles Puigdemont anunciou de Berlim, nesta quarta-feira (25), que voltará para a Bélgica "neste fim de semana", depois que a Justiça espanhola retirou o mandado de prisão emitido contra ele.

Puigdemont está na Alemanha desde que foi detido nesse país, em 25 de março, por ordem da Justiça espanhola, quando voltava de carro de uma viagem para a Finlândia.

Até então ele se encontrava na Bélgica, desde final de outubro, país onde se instalou para escapar da ação da Justiça espanhola dias depois da malsucedida declaração unilateral de independência no Parlamento catalão.

Em entrevista coletiva na capital alemã, ele assegurou que, a partir de agora, sua "atividade política se concentrará na Bélgica", com o objetivo de continuar promovendo seu projeto separatista para a Catalunha e de internacionalizar a causa.

Lá, buscará instalar o chamado Conselho da República, que há meses se colocou como um organismo dirigente do movimento separatista do exílio.

E, ao mesmo tempo, vai preparar o lançamento de um partido político que reúna as diferentes correntes do separatismo.

"Todo o mundo tem claro, nesse momento, que já não é um assunto doméstico espanhol que se possa resolver de portas fechadas, mas que há um olhar europeu sobre a questão catalã", garantiu o ex-dirigente, deposto com todo seu governo pelo Executivo central espanhol em 27 de outubro.

"Em Bruxelas, temos que continuar a tarefa (...) desenvolver atividades na linha do que o povo da Catalunha aprovou em 1º de outubro", prosseguiu o ex-presidente, em alusão ao referendo, declarado ilegal pela Justiça espanhola e que não contou com as garantias habituais desse tipo de consulta.

Puigdemont agora é livre para se mover pelo exterior desde que, na quinta-feira, o juiz espanhol responsável pelo caso contra a cúpula separatista retirou as ordens internacionais de prisão emitidas contra ele contra outros cinco líderes separatistas.

O juiz tomou a decisão depois que um tribunal da Alemanha descartou, recentemente, a possibilidade de extraditar Puigdemont pela grave acusação de rebelião. Esse crime tem pena prevista de até 25 anos de detenção.

O tribunal alemão confirmou que extraditaria o espanhol apenas pela acusação de malversação de fundos, menos grave, em relação aos gastos públicos empregados na organização do referendo de 1º de outubro.

Outros nove separatistas continuam em prisão preventiva na Espanha, acusados de rebelião.


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