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Minas Gerais » Tempo gelado aumenta lucro do turismo em Ouro Preto e Mariana Baixas temperaturas encantam turistas e incrementam economia em cidades históricas mineiras. Comércio comemora movimento em municípios

Valquiria Lopes -

Publicação: 07/07/2017 11:00 Atualização:

"Viemos de BH e estava frio. Mas aqui está ainda mais", Elisa Pereira, de 32 anos, com familiares em Ouro Preto. Foto: Jair Amaral/EM
"Viemos de BH e estava frio. Mas aqui está ainda mais", Elisa Pereira, de 32 anos, com familiares em Ouro Preto. Foto: Jair Amaral/EM


Uma estação aguardada durante todo o ano. Assim é o inverno nas cidades históricas de Minas, onde nos últimos dias os termômetros têm surpreendido não só turistas, mas até mesmo moradores já acostumados com o frio. Em Ouro Preto e Mariana, cidades coloniais da Região Central do estado, as temperaturas têm ficado abaixo dos 10 graus diariamente e, com isso, as ruas de piso de pedra se tornaram cenário para um desfile de agasalhos, gorros, toucas, botas e luvas. O clima congelante tem sido ainda atrativo para a boa gastronomia e, por todos os lados, tem alguém procurando algo quentinho para comer ou beber. Com a garoa e os ventos fortes, o cardápio de bares, restaurantes e cafeterias abriu espaço para caldos, sopas, fondues, chocolates quentes, vinhos e outras delícias. E durante os passeios, até mesmo a alma encontra alento com orações cheias de fé que esquentam o coração em igrejas seculares e cheias de história.

Fato é que, o frio tem sido um atrativo a mais nessas cidades. Há até quem diga que o frio combine com Ouro Preto, deixando a cidade mais charmosa e semelhante a um lugarejo europeu. Para turistas, contribuem para isso não só a mudança no figurino das pessoas mas, principalmente, a arquitetura barroca que molda as construções. Acostumado a viajar para o exterior, o aposentado Nivaldo Soares, de 61 anos, explica a semelhança. “Com as temperaturas mais baixas, andar pelas ruas de pedra, com casarões antigos, em estilo colonial, e ainda ver as pessoas todas bem agasalhadas, dá a impressão de que estamos em outro país, já que o Brasil é marcado pelo clima tropical e pelo calor”, afirma Nivaldo, enquanto toma um chocolate quente com os dois filhos e a esposa, Luiza Smarieri Soares, na cafeteria Império do Café, no Centro de Ouro Preto. Eles vieram do estado de São Paulo para visitar a cidade e disseram estar encantados com a atmosfera agradável que o inverno criou. “É um charme a mais”, diz Luiza.

Nivaldo Soares (D) e família em um café: "Dá a impressão que estamos em outro país". Foto: Jair Amaral/EM
Nivaldo Soares (D) e família em um café: "Dá a impressão que estamos em outro país". Foto: Jair Amaral/EM


Passeando em Ouro Preto em família, a psicóloga Elisa Pereira, de 32 anos, também disse ter se espantado com tanto frio. Resultado disso: todo mundo muito bem agasalhado e com lugar e horário marcados para o tradicional chocolate quente no fim da tarde. “Viemos de BH e estava muito frio. Mas aqui está ainda mais”, comentou Elisa. A única do grupo a não se queixar da baixa nos termômetros era a filha dela, Luiza Pereira, de 6. “Eu gosto muito do frio. Não gosto é de calor”. 

COMÉRCIO

Na cidade, por onde passam cerca de 40 mil turistas mensalmente, o comércio também tem comemorado. De acordo com o curador do Grande Hotel de Ouro Preto, Jarbas Avellar, ex-secretário municipal de Turismo, o mês de julho é muito esperado pelo setor. “É quando se comemora o aniversário da cidade, no dia 8, e se abre também o Festival de Inverno, época de intensa movimentação de turistas. Além das festividades, tem muita gente que vem não só pra apreciar a arquitetura da cidade, mas também porque gosta de curtir o frio na cidade e seus programas diferenciados que a época proporciona”, ressalta Jarbas. Segundo ele, o período é de grande ocupação no setor hoteleiro, que conta com mais de 3 mil leitos.

No sobe e desce de ladeiras de Ouro Preto, são muitas as curiosidades que frio traz. A primeira é que a baixa nos termômetros vira assunto principal do dia em qualquer roda de conversa. Por causa disso, também aumenta a movimentação de turistas nas lojas de roupas, onde os ‘desavisados’ vão procurar roupas de frio. Bebês, de tão agasalhados, ganham aparência de pequenos bonecos e até mesmo os cãezinhos ganham roupinhas para enfrentar o inverno.

Ruas de pedra ficaram movimentadas com turistas , para alegria de comerciantes. Foto: Jair Amaral/EM
Ruas de pedra ficaram movimentadas com turistas , para alegria de comerciantes. Foto: Jair Amaral/EM


“É muito engraçado porque nem todo mundo que vem pra cá imagina que esteja assim tão congelante. Tem gente que vem sem agasalho e com esse frio, acaba passando aperto”, conta Tatiana Ribeiro, subgerente da loja Fábrica de Chocolates Ouro Preto, na Praça Tiradentes, no centro histórico de Ouro Preto. Ela diz que a temperatura caiu desde o início da semana passada e que, desde então, o fluxo de turistas na cidade tem aumentado. “A gente aproveita para oferecer comidas e bebidas quentes, que são as mais procuradas durante a época, como fondue, cappuccino, cafés diferenciados e caldos. O chocolate quente, carro-chefe da casa durante o inverno, é o mais procurado”, disse Tatiana.

CULTURA
 
Foi em busca da bebida que as amigas Bianca Trotta, de 16, e Júlia Cordeiro, de 17, de Brasília, estiveram na Fábrica de Chocolates. “O chocolate quente tem que ter, né? Fica perfeito para acompanhar o passeio, conta Júlia. As jovens adoraram o passeio de seis dias por Ouro Preto. “A cidade é linda, tem um peso cultural enorme e arquitetura inigualável. Só não sabia que estava tão frio. Teve dia aqui que o termômetro marcou 4 graus e a sensação términa era ainda mais baixa”, disse Bianca.

Já moradores estão mais acostumados. “Aqui tem um subclima muito específico. É frio quase o ano inteiro. E basta sair de Ouro Preto e ir até bem perto, para ver como já está mais quente”, conta o empresário Mayron de Oliveira, dono da cafeteria Império do Café, no centro histórico. Ele também confirma as vantagens da época para o comércio. “É um período em que as pessoas gastam mais com comidas, geralmente acompanhadas de bebidas quentes ou vinhos”, disse.

Festival de Inverno é promessa de agito

Começa hoje a 50ª edição do Festival de Inverno 2017 de Ouro Preto e Mariana, tradicional evento que reúne milhares de turistas nas cidades históricas de Minas, com programação cultural que segue até 23 de julho. A abertura oficial será no sábado, 8, às 17h, no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto. Durante o festival estão previstos shows, palestras, apresentações teatrais, exposições e outros eventos. Neste ano, o evento leva o tema “Em tempos diversos” e com discussões e debates a respeito da vida na sociedade contemporânea. O bloco carnavalesco Zé Pereira do Club dos Lacaios, que comemora 150 anos de música e festa, será o homenageado do festival. Entre as atrações, estão confirmadas a Banda Cheiro de Amor, Diogo Nogueira e o Grupo Galpão. A criançada também terá uma atração especial no domingo, 9 de julho, com mostra de livros, filmes e show da Patrulha Canina, na Praça Tiradentes.As atrações do festival de inverno vão incluir também Mariana e João Monlevade, onde há campi da Ufop. A programação completa está no site festivaldeinverno.feop.com.br. 

Estação mais "gelada" aprovada

O frio tem servido também para dar fôlego aos turistas que querem conhecer as tantas igrejas, chafarizes, museus e pontos turísticos das cidades históricas. E, apesar de apresentar sensação térmica um pouco mais alta que Ouro Preto, a vizinha Mariana também está com termômetros em baixa nos últimos dias, o que deixou muita gente tremendo de frio. Uma delas foi a youtuber carioca Gabrielly Vasconcellos, de 26, que levou uma mala de roupas mistas, mas teve que repetir casacos e cachecóis.

A carioca Gabrielly Vasconcelos se surpreendeu positivamente com o frio em Mariana: "No Rio faz muito calor". Foto: Jair Amaral/EM
A carioca Gabrielly Vasconcelos se surpreendeu positivamente com o frio em Mariana: "No Rio faz muito calor". Foto: Jair Amaral/EM


“Sou apaixonada por frio, porque no Rio faz muito calor. E o frio aqui parece ser ainda mais rigoroso, porque é seco e até corta a pele, diferente do de lá também, que é úmido”, disse a jovem. Mas, mesmo com as mínimas batendo a casa de 7 graus, Gabrielly disse ter se aventurado na região: “Estive em Lavras Novas e até me arrisquei num banho de cachoeira. A água estava gelada, mas tinha feito uma trilha e foi muito legal. À noite, até tomei cachaça para esquentar o frio”.

"CHOQUE"

Também acostumados com calor, os irmãos Juliana Vale, de 24, e André Pacheco, de 22, naturais de Belém (PA), estavam adorando a sensação de frio nos passeios por Mariana. “De Belém, me mudei para Macapá, no Amapá, onde também é super úmido e quente. O clima aqui está agradável, a pele fica bonita e a gente não fica suando o dia todo, como é lá”, disse Juliana. O irmão confirma a preferência pelo frio. “Estivemos em Congonhas, Ouro Preto, Tiradentes e, agora, Mariana. Essa é uma região que combina muito com o frio, pela arquitetura e o clima tranquilo e bucólico dessas cidades”, ressaltou André.

O choque térmico também pegou de surpresa a auditora fiscal Núbia Oliveira, de 34, que há uma semana tinha enfrentado um calor de quase 40 graus em Fortaleza, no Ceará. Em viagem com a mãe, tia e o marido para Ouro Preto e Mariana, ela disse que a temperatura nas cidades históricas estava bem mais agradável. A mãe dela, a professora aposentada Lielza Cristina Etechebere, de 69, confirma a preferência da filha. “O barraco das construções já vale o passeio, que ganha ares clássicos e nos emociona. O frio é mais um ingrediente para deixar tudo perfeito”, afirmou.

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