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NECROTURISMO » A beleza fúnebre e nada convencional de cemitérios com visitas guiadas Túmulos decorados com obras de arte, celebridades sepultadas e propostas inovadoras fazem dos cemitérios uma opção inusitada de passeio. Além de aprender história, é possível apreciar a arquitetura

Rafaela Pancery - Especial para o Correio - Correio Braziliense

Publicação: 20/02/2017 09:02 Atualização: 17/02/2017 15:28

Foto: Vivi Zanatta/AE
Foto: Vivi Zanatta/AE

Visitar um mausoléu é uma programação nada óbvia. Por isso, há grandes chances de que essa seja uma experiência inesquecível. O necroturismo não é tão popular quanto outros estilos de viagem por carregar uma dose de mistério e medo, mas atrai gente de todo tipo — desde os que têm uma queda pela atmosfera sombria até os simples curiosos.

Visitas guiadas a cemitérios são comuns em várias cidades, inclusive brasileiras, e estão aí para provar que a morte pode ensinar — e muito. Passear entre catacumbas, onde repousam os restos mortais de personalidades históricas, sentir a energia de um Buda enterrado, observar obras de arte ou ler epitáfios bem-humorados são coisas que fazem da visita a esses espaços uma verdadeira aventura.

É na Europa que estão os mais antigos, com mais séculos de existência, sobreviventes de várias guerras. Muitos serviram de galeria para as obras representantes da arte tumular. Os Estados Unidos ficam com os exemplares clássicos, mas têm uma alternativa para quem adora água: guardar as cinzas em alto-mar.

No Brasil, o Cemitério da Consolação é um museu a céu aberto fundado em 1858. Oferece visitas guiadas entre túmulos de Monteiro Lobato, marquesa de Santos, Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade — todos decorados com obras de arte de valor inestimável. Continue a explorar cemitérios pelo mundo e inclua-os em sua próxima viagem.

» Programe-se

Cemitério da Consolação
- Visitas gratuitas todas as terças e sextas-feiras, de 9h30 às 11h e de 14h às 15h30
- Agendamentos por e-mail: assessoriaimprensa@prefeitura.sp.gov.br. Enviar nome completo, dia e horário desejados e número de acompanhantes.
- Mais informações aqui.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Cemitério Alegre (Sapanta, Romênia)

Ele é diferente da maioria dos cemitérios, pois a atmosfera é divertida e poética. Localizado em uma pequena aldeia próxima da fronteira com a Ucrânia, o local tem lápides coloridas, esculpidas em madeira. Em vez de nome e ano de nascimento e morte, a sepultura é decorada com poemas que sintetizam como foi a vida de quem está enterrado ali. Os turistas caminham entre os túmulos e se divertem com os versinhos. O conteúdo não é nada mórbido. Pelo contrário, os poemas são bem-humorados e expõem características positivas (ou cômicas) do morto.

Foto: Paris East Village/Reprodução
Foto: Paris East Village/Reprodução

Cemitério do Père-Lachaise (Paris, França)
www.pere-lachaise.com
Essa é uma das atrações turísticas mais importantes da capital, com 2 milhões de visitas ao ano. O terreno foi comprado em 1803, por ordem de Napoleão I, e foi inaugurado sob o princípio da igualdade: ricos e pobres poderiam ser enterrados ali. Atualmente, o total de corpos é de um milhão. Ao longo dos anos, o número de concessões perpétuas começou a diminuir. A saída foi apelar para as celebridades. Restos mortais de Molière e La Fontaine foram transferidos para lá. Como resultado, outros notáveis passaram a ser enterrados no local — Honoré de Balzac, Eugène Delacroix, Marcel Proust, Benjamin Constant, Alan Kardec, Jim Morrison e outros. É um verdadeiro museu a céu aberto, com obras de todos os estilos e áreas dedicadas a judeus e muçulmanos.

Foto: Reddit Travel/Reprodução
Foto: Reddit Travel/Reprodução

Cemitério de Oukunoin (Koyasan, Japão)

Com mais de 200 mil sepulturas, o cemitério é o maior do país, mas sua importância vai além de quantidade. Kobo Daishi, fundador da escola Shingon de budismo, está enterrado ali. Acredita-se que ele não está morto, mas meditando enquanto aguarda o Buda do futuro. Por isso, o lugar é um ponto popular de peregrinação e isolamento, cercado por montanhas. O mausoléu é cheio de simbolismos, como a pedra de Miroku. Os visitantes são desafiados a transportá-la de uma plataforma baixa para outra, mais alta, com apenas uma mão. Diz a lenda que o trabalho é mais leve para boas pessoas e mais pesado para as más. Ao tocá-la, acredita-se que uma conexão com Buda é estabelecida.

Foto: Tony Hoffarth/Reprodução
Foto: Tony Hoffarth/Reprodução

Hollywood Forever (Los Angeles, Estados Unidos)
www.hollywoodforever.com
Além de ser lugar de descanso de estrelas e fundadores de Hollywood, o mausoléu fez parte do crescimento da cidade desde 1899, quando foi inaugurado. A Paramout Pictures, um dos principais estúdios de cinema do país, funciona nos fundos do cemitério. A proximidade indica uma tendência: vários escritores, diretores, músicos e atores escolheram passar a eternidade por lá – Douglas Fairbanks, conhecido por atuar em filmes mudos, Rudolph Valentino, ator que virou astro após Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, Johnny Ramone, um dos maiores guitarristas de punk rock da história, e centenas de outras estrelas. O cemitério organiza eventos culturais periodicamente.

Foto: John Shaun/Pinterest
Foto: John Shaun/Pinterest

Cemitério Monumental de Staglieno (Gênova, Itália)
www.staglieno.comune.genova.it
É um dos maiores da Europa – ocupa mais de um quilômetro quadrado de área com obras de arte em cima das covas. O cemitério foi inaugurado no século 19, quando a cidade era um importante centro de estudos do interior do país. Na mesma época, a burguesia queria construir túmulos suntuosos para lembrar suas realizações mesmo após a morte. Unindo oferta e demanda, a tradição de escultura funerária nasceu ali. Há bons exemplares do estilo no local, esculpidos por célebres artistas italianos da época. A obra mais emblemática é uma réplica do Panteão de Roma.

Foto: AP Photo/Wilfredo Lee
Foto: AP Photo/Wilfredo Lee

Neptune Memorial Reef (Key Biscayne, Estados Unidos)
www.nmreef.com/r
O memorial fica em um recife artificial a leste de Key Biscayne, aldeia próxima de Miami. A estrutura é uma interpretação artística da cidade de Atlântida, mencionada pela primeira vez por Platão. O lugar reúne urnas funerárias e não túmulos. Por isso, não é chamado de cemitério. A proposta é uma alternativa ecológica ao enterro, reconhecida por organismos internacionais como o Green Burial Council. Muita gente visita o lugar, que fica cheio de barcos na superfície. Debaixo d’água, o recife é explorado por mergulhadores, biólogos marinhos, estudantes, pesquisadores e ecologistas.

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