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Conexão » Comum em voos internacionais, wi-fi a bordo chega aos trajetos domésticos As companhias aéreas Gol e Avianca são as primeiras a oferecer o serviço no Brasil

Correio Braziliense

Publicação: 12/12/2016 11:13 Atualização: 12/12/2016 11:18

A estudante Marianne Paim aprovou a novidade e aproveitou para concluir um trabalho da faculdade. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal (A estudante Marianne Paim aprovou a novidade e aproveitou para concluir um trabalho da faculdade. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
A estudante Marianne Paim aprovou a novidade e aproveitou para concluir um trabalho da faculdade. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
 
Quem costuma viajar de avião sabe que o tempo dentro da aeronave pode ser cansativo, principalmente em um país continental como o nosso. A maioria dos trajetos são longos e encarar duas, três, até mesmo quatro horas de voo não é fácil. Sem falar nos roteiros internacionais, quando o tempo de percurso pode pular para seis, oito, doze horas. De olho na fidelização e mais conforto para os passageiros, as companhias aéreas investem em meios de entretenimento. Assim como nos ônibus, nos metrôs e, ainda que perigoso e proibido por lei, nos carros, agora é a vez de acessar a internet durante o voo.

A recente novidade nas aeronaves que voam no Brasil é o wi-fi no avião. O sistema não é novo, pelo contrário, em voos internacionais é bem comum. A Latam começou a utilizar o serviço nneste ano, mas apenas para os passageiros acessarem a programação de diversão da companhia, não há — pelo menos por enquanto — acesso à internet. Para navegar na rede, Gol e a Avianca saíram na frente e oferecem a tecnologia aos seus viajantes.
 
As empresas se tornaram as primeiras a contar com internet a bordo em voos domésticos no país. Para iniciar o serviço, a Gol preparou três aeronaves e, pelo cronograma, uma a cada mês receberá o sistema. Nos primeiros seis meses, a internet será gratuita e não há estimativa de quanto custará após o período de lançamento. A previsão é de que, em até dois anos, toda a frota esteja equipada com sistema de conectividade e entretenimento, assim como tomadas bivolt ou USB.
 
Como a Gol, a Avianca está instalando a tecnologia gradativamente. A empresa colombiana pretende instalar o serviço em toda a frota até o fim de 2017. Ele será gratuito apenas nos três primeiros meses. Durante esse período, a companhia fará pesquisas junto aos clientes a fim de garantir que as características do produto atendam plenamente às necessidades dos usuários e definir os preços, que ainda não estão previstos. “Nosso principal objetivo, ao oferecer internet a bordo, é aprimorar cada vez mais a experiência de viagem dos clientes”, destaca José Efromovich, presidente do Conselho da Avianca Brasil.
 
Ainda não é possível saber qual a aeronave, nas duas companhias, conta com o serviço. Em ambas, os aviões conectados estão em rotas variadas e o passageiro só descobre depois que compra o bilhete. A Avianca revela o serviço por meio de folders e os comissários avisam sobre possibilidade pelo sistema de som do avião. Já a Gol avisa logo após a compra. “Se o voo no qual a pessoa adquirir o bilhete contar com o serviço, o passageiro será informado via e-mail e quando embarcar”, afirma Paulo Miranda, diretor de Produtos e Experiência com o Cliente da Gol.
 
Sistema
Para contar com internet a bordo, as duas companhias precisaram da autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A Gol teve o apoio da americana Gogo, empresa especializada em soluções de banda larga durante o voo, responsável pela instalação da antena na primeira aeronave, realizada em Miami (Estados Unidos). Os demais aviões serão configurados por técnicos da própria Gol no centro de manutenção em Confins (aeroporto de Belo Horizonte, MG). Todo o serviço é homologado pela FAA (Administração Federal de Aviação, na sigla em inglês — entidade governamental dos Estados Unidos de regulamentação da aviação civil).
 
Já na Avianca, o serviço é fornecido em parceria com a Global Eagle Entertainment (GEE), empresa mundial de conteúdo e conectividade. Nas duas companhias o acesso é garantido via satélite. Assim, os passageiros podem usar seus dispositivos eletrônicos pessoais — como laptops, smartphones e tablets — para acessar a internet, enviar e receber mensagens por aplicativos e por e-mail. A colombiana ainda conta com uso adicional da tecnologia SpeedNet, exclusiva da GEE, que, segundo Efromovich, proporciona uma melhor experiência quando conectado.
 
Comodidade
A estudante Marianne Paim, 21 anos, moradora de Águas Claras, usou o serviço de internet a bordo pela primeira vez no fim de outubro, em um voo entre São Paulo e Brasília. Ela diz que se surpreendeu com a facilidade. “Foi muito bom poder utilizar a internet durante o voo. Lembro que tinha que fazer um trabalho da faculdade com uma amiga e tínhamos o prazo para aquele dia. Eu passei o voo todo escrevendo no avião, conectada com essa amiga pelo celular. Não travou em momento algum, funcionou normalmente. Quando vi, já estava pousando e com o trabalho finalizado”, lembra.
 
Para a estudante, ter internet a bordo é um diferencial importante para poder escolher a companhia aérea. “Estamos conectados o tempo todo e durante o voo não poderia ser diferente. Tanto para trabalho quanto lazer, acredito que ter esse upgrade tem o seu peso. Tem quem opte por descansar, mas tem quem não goste de ficar off-line por muito tempo”. Ela acredita que é uma boa forma de fazer o tempo passar dentro da aeronave. “É uma boa distração durante o voo, e ainda pode ajudar a quem tem medo ou alguma fobia relacionada a avião”, aponta.
 
Segurança
Como em metrôs e ônibus, o uso da internet durante o trajeto contribui para dar mais conforto aos passageiros, além de aproveitar o tempo
Como toda rede aberta, utilizar a internet no avião necessita de cuidados. De acordo com Rodrigo Favarini, especialista em segurança da 7COMm, os usuários precisam observar alguns pontos para evitar dores de cabeça com os harckers. “Na hora que estiver conectado em um wi-fi público, procure acessar tudo pelos aplicativos e evitar o navegador. A grande maioria dos APPs são seguros, principalmente os de e-mail. Outro detalhe é evitar fazer compras on-line”.

Para o especialista, a internet no avião não será nem mais, nem menos segura do que outros tipos de rede aberta. “Como toda conexão, o importante é utilizar de forma segura. O maior risco vem do comportamento do próprio usuário. É mais pelo que se acessa do que por onde se acessa”, destaca Favarini. Outro ponto é observar os sites . “Aqueles que utilizam WPA2, estão mais protegidos. Basta olhar se aparece um cadeado na barra de busca do navegador, antes do endereço. Se tiver, ele terá uma proteção maior. Se não, é melhor não acessar”, ressalta o especialista.   

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