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Sol e mar » Aruba é o destino certo de praia para os nordestinos o ano inteiro Ilha do Caribe se destaca pelas praias paradisíacas, passeios de barco e mergulho, boa gastronomia e diversão garantida

Paulo Goethe - Diario de Pernambuco

Publicação: 11/07/2016 16:50 Atualização: 13/07/2016 10:15

Aproveite o visual das praias de areia fininha e o barulho da água transparente indo e vindo para relaxar. Foto: Paulo Goethe/DP
Aproveite o visual das praias de areia fininha e o barulho da água transparente indo e vindo para relaxar. Foto: Paulo Goethe/DP

Primeiro, os tapetes psicodélicos do pequeno aeroporto Reina Beatrix, decorado ainda com colunas douradas no setor de desembarque. Depois, a porta de vidro se abre e ele aparece com toda a sua força. O calor. Olhando ao redor, para além dos prédios baixos ao longo da pista estreita, parece até que você está no sertão, com seus cactos e árvores rasteiras. Para os nordestinos, é como se Petrolina (PE) ou Picos (PI) ou Patos (PB) tivesse mar. Mas aqui venta. E muito (cuidado com os chapéus e bonés). Estamos em Aruba. Uma ilha do Caribe. Ou, como se diz em papiamento (uma das quatro línguas oficiais do país: as outras são inglês, espanhol e holandês), uma ilha “ducis”. Não entendeu? Mais à frente você vai concordar que os nativos têm razão.

Melhor deixar logo a bagagem no hotel ou resort entre os 27 estabelecimentos cadastrados para abrigar bem os forasteiros. Porque há muito o que não fazer. Afinal, a viagem foi para isso. A praia está logo em frente. Areia branca finíssima, com pedacinhos de concha, o mar indo e vindo calmamente, convidando você para entrar. Como no cinema, a água é transparente. De certa forma, você está no seu próprio filme, registrando tudo em imagens, estáticas ou em movimento. Vamos deixar que aproveite para relaxar das pouco mais de oito horas de voo, se a saída foi via Recife, com uma pequena escala no Panamá. Só não se esqueça do protetor solar, senão o paraíso se tornará um inferno já no primeiro dia. E inferno em dólar...

Aruba tem clima estável ao longo de todo o ano, com média de 28º C e poucas chuvas. Foto: Paulo Goethe/DP
Aruba tem clima estável ao longo de todo o ano, com média de 28º C e poucas chuvas. Foto: Paulo Goethe/DP

Quando os espanhóis desembarcaram neste pequeno pedaço de terra de 193 quilômetros quadrados em 1499, despacharam logo os indígenas locais – os caquetios - para trabalhar nas minas em Hispaniola, a ilha que hoje é dividida por Haiti e República Dominicana. Deserta e sem água potável, Aruba foi batizada como “ilha inútil”, criatório de cavalos e bodes. Mais de cinco séculos depois, os seus 120 mil habitantes riem por último.

Com o clima estável ao longo de todo o ano – média de 28º C – e poucas chuvas, Aruba é um roteiro à disposição o ano inteiro. Os norte-americanos, pela proximidade e a força do dinheiro reinam, sendo 70% dos cerca de um milhão de visitantes anuais, com direito até a um terminal aéreo próprio sem necessidade de visto. Em 2015, 20,8 mil brasileiros desembarcaram na ilha, que ainda tem a vantagem extra de ficar fora da rota dos furacões que castigam regularmente o Caribe.

Os arubianos gostam dos brasileiros e até têm saudade dos que não podem visitá-los por conta do câmbio atual. O motivo? Somos gastadores. Com o dólar caindo nas últimas semanas, a ilha quer se oferecer como alternativa para as próximas viagens. Atrativos não faltam. A questão é se planejar e não cair na tentação de jogar tudo no cartão de crédito.

Para os nordestinos, o melhor acesso para Aruba é através da Copa Airlines, que oferece duas saídas semanais para o Panamá a partir do Recife. Outra opção de chegar ao país é pela Avianca, com conexão em Bogotá. Malas desfeitas no hotel, vamos ao que interessa.

Confira a fotonovela de Aruba, com 53 páginas e 140 fotos extras


O PAPIAMENTO

A primeira coisa é a comunicação. Por serem fluentes em vários idiomas, não será difícil conversar com os arubianos. É no papiamento, a mistura de línguas praticada desde o século 17 no Caribe, que reside o charme desta ilha. Até os “hablantes” de portunhol se fazem entender. Palavra de honra.
O papiamento surgiu como um idioma comercial, uma mescla de palavras dos povos europeus que faziam colônias no Novo Mundo a torto e a direito com as línguas dos escravos trazidos da África e dos índios locais antes destes serem exterminados. Os cumprimentos são derivados do português: “bón dia”, “bón tardi” e “bón nochi”. O agradecimento vem do holandês/alemão: “danke”. E por aí vai.

O Recife tem participação direta na construção desta língua crioula praticada também nas ilhas de Curaçao e Bonaire. Quando os portugueses reconquistaram Pernambuco em 1654, os judeus tiveram que dar no pé (no caso, na água). Os que não voltaram para Amsterdã buscaram outras possessões neerlandesas. Nesta aventura, um grupo foi bater em Manhattan, ajudando a desenvolver depois Nova York. Outros deram com os costados no Caribe. Como homens de negócios, precisavam se comunicar. E não se trumbicaram. Foram os precursores do Google Translator com séculos de antecedência.

AS PRAIAS
Palm Beach, assim como Baby Beach, é ideal para quem viaja com crianças ou prefere um piscinão rasinho. Foto: Paulo Goethe/DP
Palm Beach, assim como Baby Beach, é ideal para quem viaja com crianças ou prefere um piscinão rasinho. Foto: Paulo Goethe/DP

O que se tem para fazer em Aruba? Ir à praia. Nisso, Aruba oferece opções para todos os gostos. A mais frequentada é Palm Beach, por concentrar a maioria dos hotéis. Não espere por vendedores ou barraquinhas de comes e bebes. A prática usual é já levar para a areia, em recipientes térmicos, o que vai consumir. Pergunte na recepção do local onde você está hospedado a localização da máquina de gelo.

Seguindo pela faixa de areia à direita pode-se ter acesso a barracas que oferecem boas opções para os adeptos de esportes náuticos e passeios aquáticos: jet-ski, parasail, jetlev, escalada, boat ride e tube ride são praticados com segurança e na presença de instrutores.

À esquerda de Palm Beach, a 20 minutos de caminhada – mas há ônibus também, se você decidiu não alugar um carro – encontra-se Eagle Beach, com uma faixa de areia ainda maior e muito mais sossegada. Encontre uma sombra embaixo de um dos guarda-sóis de palha, deixe suas coisas para um banho e depois contemple a passagem dos barcos até a chegada do pôr do sol. Aproveite para fazer também fotos das pitorescas árvores divi-divi, que tornaram-se um dos cartões-postais de Aruba.

Mais distante de Palm Beach encontra-se a praia ideal para quem viaja com crianças ou prefere um piscinão rasinho. Baby Beach – o nome já denuncia – é o paraíso para os menores e os não praticantes da natação. Dá para passar muito tempo dentro da água, vendo os pés e os peixinhos.

PASSEIO DE BARCO
Os turistas podem optar por passeios de catamarã, veleiro ou outros tipos de barco que levam para mergulhos onde se pode ver peixes. Foto: Paulo Goethe/DP
Os turistas podem optar por passeios de catamarã, veleiro ou outros tipos de barco que levam para mergulhos onde se pode ver peixes. Foto: Paulo Goethe/DP

Quer mais do que ficar na beira do mar? Então tem os passeios de catamarã, veleiro ou outros tipos de barco que levam para mergulhos onde se pode ver peixinhos do tipo Nemo e Dory. Em geral, uma jornada deste tipo dura cerca de três horas, com direito a duas paradas para usar snorkel e os demais apetrechos. A primeira é num cargueiro alemão naufragado de propósito pela capitão em 1940, para não ser tomado pelos holandeses na época da Segunda Guerra Mundial. Profundidade? Vinte metros.

A segunda parada tem apenas “fundura” de três metros e os mais confiantes podem abrir mão das nadadeiras. Quem fica a bordo tira foto dos outros com os peixinhos (uns nacos de pão jogados pela tripulação os convencem a colaborar) e aproveita o open bar incluso no pagamento do passeio.

Você pode tomar a cerveja local Balashi à vontade, mas o animador sugere o consumo de Aruba Arriba, um ponche feito com nove ingredientes. Leva rum, claro, e de nome “suspeito”: Carioca. A vantagem? Bebido sem moderação faz o milagre da pessoa ver o dobro de peixes. O efeito colateral se dá nas fotografias.
Todo mundo a bordo, é hora de regressar na companhia das gaivotas. Todo mundo feliz. Que nem a ilha.

PARQUE NACIONAL ARIKOK - AVENTURA
Para visitar o parque nacional Arikok, existem várias opções motorizadas: ônibus, caminhões adaptados, motos e até UTVs, pequenos veículos 4x4. Foto: Paulo Goethe/DP
Para visitar o parque nacional Arikok, existem várias opções motorizadas: ônibus, caminhões adaptados, motos e até UTVs, pequenos veículos 4x4. Foto: Paulo Goethe/DP

Ocupando 18% do território de Aruba - um dos maiores percentuais mundiais de preservação -, o parque nacional Arikok fica a 16 quilômetros de Palm Beach. Para visitá-lo, existem várias opções motorizadas: ônibus, caminhões adaptados, motos e até UTVs, pequenos veículos 4x4 que garantem uma emoção a mais nas trilhas acidentadas, poeirentas e pedregosas.

Dentro da área preservada, a piscina natural de Conchi, também chamada de Cura di Tortuga, é um cartão postal. Foto: Paulo Goethe/DP
Dentro da área preservada, a piscina natural de Conchi, também chamada de Cura di Tortuga, é um cartão postal. Foto: Paulo Goethe/DP

Na primeira metade do percurso, antes de entrar no parque, é como se você estivesse viajando pelo interior do Nordeste brasileiro, com as casinhas coloridas e muitos cactos. Dentro da área preservada, o primeiro objetivo é chegar à piscina natural de Conchi, também chamada de Cura di Tortuga. O lugar é um cartão-postal. Para mergulhar, ver peixinhos e tirar fotos por cerca de 25 minutos.

Tradição entre os turistas é colocar seis pedras uma em cima da outra e, se elas não caírem, sinal de que eles vão voltar a Aruba. Foto: Paulo Goethe/DP
Tradição entre os turistas é colocar seis pedras uma em cima da outra e, se elas não caírem, sinal de que eles vão voltar a Aruba. Foto: Paulo Goethe/DP

A próxima parada é no Bushiribana Gold Mill Ruins, uma antiga mina de ouro explorada pelos holandeses no século passado. A praia em frente das ruínas está cheia de pedras empilhadas. Antes um hábito dos pescadores locais de mostrar o melhor ponto para jogar a rede, agora é uma tradição turística. Coloque seis pedras uma em cima da outra. Se elas não caírem, sinal de que você vai voltar a Aruba. Estatisticamente, a ilha está bem neste quesito, com um excelente índice de 40% de retorno. Motivos não faltam.

PARQUE NACIONAL ARIKOK - CONTEMPLAÇÃO
Uma forma mais tranquila de conhecer o Arikok é na forma de observação da natureza típica de Aruba. O clima semidesértico favoreceu o surgimento de um bioma que lembra muito a nossa caatinga. É cacto para todo lado, com árvores e vegetação rasteira. Parecia que estávamos perdidos em algum lugar do nosso sertão.

Era nesse ambiente que viviam os índios caquetios, que sumiram literalmente do mapa graças aos conquistadores espanhóis. Deixaram inscrições rupestres em pequenas cavernas, preservadas agora com grades.

Confira no vídeo as belezas da ilha do Caribe:


O parque Arikok tem esse nome porque a área pertencia a um holandês chamado Arie Kock. A casa de taipa onde ele vivia foi preservada. Parece com as nossas nordestinas, com exceção do teto. Em vez de palha, ripas tiradas de uma espécie de cacto. O pioneiro criava bodes e trocava couro, carne e leite com agricultores vizinhos. E assim ia levando a vida.

Com uma sede bem estruturada, com direito até a um esqueleto de baleia e a um burrico de madeira, a sede do parque é o ponto de partida para as muitas trilhas. Crianças de escolas são o principal público, mas muitos turistas se aventuram neste cenário tão comum aos nordestinos. O ruim é que tem cobra. Pelo menos são de Aruba mesmo. E isso eles podem se orgulhar.

ORANJESTAD
Bondinho é gratuito e faz percurso de dois quilômetros pela área comercial de Oranjestad. Foto: Paulo Goethe/DP
Bondinho é gratuito e faz percurso de dois quilômetros pela área comercial de Oranjestad. Foto: Paulo Goethe/DP

Desde que foi inaugurado em 2012, o bondinho de Aruba é um sucesso. Leva turistas e moradores por um percurso de dois quilômetros pela área comercial de Oranjestad, a capital do país. É gratuito, porque segundo uma funcionária do simpático transporte me disse, o que os estrangeiros têm direito, os arubianos devem ter também. Nada mais justo.

Os trilhos estão sendo ampliados. Quando chega um transatlântico ou os hotéis estão lotados sai da garagem uma composição estilo ônibus inglês, com primeiro andar. Antes de começar a operar, a ideia foi criticada porque reduziria o espaço dos carros no centro e as lojas perderiam clientes. A prática mostrou que ganharam todos.

Andar no bondinho por aqui é pensar nos trilhos que o Recife abriu mão para o domínio do asfalto. Como seria bom um transporte desse passando pelo Marco Zero, pela Rua do Bom Jesus, cruzando pontes e até chegando na Rua Nova. Como era antigamente. Aruba mostra o caminho. É só respeitar o sininho.
Em Oranjestad existem muitas lojas de marcas de grife à disposição, instaladas em prédios com arquitetura holandesa. Parecem antigos, mas tratam-se de construções com poucos mais de 20 anos, projetadas por profissionais do país europeu, com a intenção de embelezar a capital de Aruba. O investimento deu certo.

Uma boa opção para conhecer mais as origens do país é visitar o Museu Antropológico, que reúne peças e informações a respeito dos primeiros habitantes da ilha e do processo de colonização. As crianças vão adorar interagir com o acervo e até entrar em uma oca.

VIDA NOTURNA
Keshi yena, preparado com frango desfiado coberto com fatias de queijo gouda, é um dos pratos típicos. Foto: Paulo Goethe/DP
Keshi yena, preparado com frango desfiado coberto com fatias de queijo gouda, é um dos pratos típicos. Foto: Paulo Goethe/DP

Palm Beach concentra a maioria dos restaurantes e bares que se localizam em uma avenida paralela à praia. Por conta do grande fluxo de turistas, a culinária é diversificada, com boas opções para todos os gostos. Uma boa refeição em um estabelecimento de classe custa em torno de US$ 25 a US$ 30 apenas o prato principal. Um drinque não sai por menos de US$ 7. Quer uma caipirinha? Desembolse US$ 8,5...

A contribuição de Aruba para a gastronomia mundial responde pelos pastechis (pequenos pastéis recheados de camarão, carne picante ou peixe) e a keshi yena (preparado com frango desfiado coberto com fatias de queijo gouda). Mas forte mesmo são os frutos do mar. A garoupa é o peixe mais servido, mas as opções são variadas neste quesito.

Depois da refeição - há opções mais baratas nas redes de fast-food – a pedida é caminhar pelo calçadão, comprar uma lembrancinha na feirinha, ficar em bares ou boates com show ao vivo ou tentar a sorte em um dos cassinos instalados nos hotéis mais luxuosos. Mas tudo de uma forma comedida, para poder voltar para casa

* Viajou a convite da Aruba Tourism Authority (ATA)

Sites úteis:

Restaurantes

Taste of Belgium - http://www.tasteofbelgium.aw/
Tango - http://www.tangoaruba.com/
Bugaloe - http://www.bugaloe.com/
Azia - https://www.facebook.com/AziaAruba/
Trattoria Il Faro Blanco - http://www.aruba-latrattoria.com/
Moomba Beach - http://www.moombabeach.com/
Boca Prins - http://www.aruba.com/things-to-do/boca-prins-bar-restaurant-0
Aqua Grill - http://www.aqua-grill.com/
Pinchos - http://www.pinchosaruba.com/

Passeios

- Passeio de Catamarã / Snorkeling – De Palm Tours - U$$ 89 (adultos) / U$$ 64 (crianças) - http://www.depalmtours.com/

- Passeio de UTV – Fofoti Tours – U$$ 195 + taxas por veículo - http://www.fofoti.com/

- Stand Up Paddle – VELA – U$$ 25/ hora - www.velaaruba.com
Museu Arqueológico - www.namaruba.org

- Parque Nacional Arikok – Entrada: U$$ 11 / Menores de 17 não pagam - http://www.arubanationalpark.org/main/

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