interatividade YouTube vai investir em plataforma para vídeos interativos

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 11/04/2019 07:42 Atualizado em:

Cena do filme interativo Black mirror: Bandersnatch: telespectador escolhe o enredo entre as opções disponibilizadas. Foto: Netflix/Divulgação
Cena do filme interativo Black mirror: Bandersnatch: telespectador escolhe o enredo entre as opções disponibilizadas. Foto: Netflix/Divulgação
A palavra da vez no mundo da alta tecnologia é interatividade. Depois de a Netflix lançar, no fim do ano passado, o filme Black mirror: Bandersnatch, que oferecia múltiplos enredos para o usuário escolher (era possível, por exemplo, decidir se o personagem principal seguia por um determinado caminho ou se comia sucrilhos, em vez de torradas), o YouTube resolveu fazer algo parecido.

A empresa acaba de criar uma plataforma para tornar a sua programação interativa. Segundo pesquisa realizada pela rede social de vídeos, é exatamente isso o que os usuários procuram: eles querem se sentir como parte importante da história e, mais do que isso, influenciá-la. “Vamos desenvolver ferramentas incríveis e oportunidades para criar histórias interativas e com diversas camadas”, disse Susane Daniels, diretora de programação original do YouTube, à agência Bloomberg. CEO do YouTube, Susan Wojcicki estabeleceu como uma das metas de sua gestão aproximar ainda mais os usuários da empresa. A interatividade é o caminho mais curto para desencadear esse processo.

Susane não deu detalhes da iniciativa, mas sites americanos especializados em internet revelaram que ela será parecida com o que a Netflix fez no filme Black mirror. A tecnologia permitirá que o serviço de streaming de vídeo apresente várias opções de cena para os usuários. A partir daí, eles escolherão aquelas que mais lhes agradam. Não é só. Segundo Suzane, a inovação será dotada de inteligência artificial. Ela vai armazenar as escolhas que a pessoa faz e, com base nesse histórico, fornecerá um determinado time de opção que se enquadre no perfil do usuário.

Para especialistas, essas mudanças indicam que o entretenimento está entrando em uma nova era. “Vamos viver tempos de grandes transformações”, diz Eduardo Tancinsky, consultor especializado em tecnologia. “E isso é apenas o começo. Já há startups desenvolvendo programas de realidade virtual que permitem que a pessoa entre literalmente na história.”

Tancisnky explica como a interatividade pode transformar a relação entre a pessoa e uma tela de computador ou TV. “Digamos que haja uma cena de um jogo de futebol no filme. No futuro próximo, o programa vai permitir que o espectador sinta como se estivesse na arquibancada e ele ainda vai escolher o vencedor da partida. É algo realmente espetacular.”

Não é a primeira vez que o YouTube investe em interatividade. Pouco tempo atrás, experimentou projetos de publicidade interativa, mas a iniciativa agora é mais ambiciosa e com potencial para gerar novas fontes de receita. Segundo especialistas, a tecnologia pode, se for bem aplicada, provocar revolução nos anúncios on-line.

O negócio da interatividade é tão promissor que até companhias de outras áreas apostam na tecnologia. Recentemente, o Walmart, maior varejista do mundo, pagou R$ 1 bilhão pela startup americana Eko, que produz série interativas.

O Walmart parece decidido a desbravar outras áreas de negócios, especialmente aquelas ligadas à alta tecnologia. A empresa tem um braço no Vale do Silício, chamado Walmart Labs, que emprega atualmente 6 mil funcionários dedicados a pesquisar novos produtos e serviços. De acordo com a imprensa americana, um dos interesses da empresa é o streaming de games, ramo ainda pouco explorado pelas grandes empresas de tecnologia, como Microsoft e Apple.

Impulso 
O YouTube tem a seu favor o fato de ser a maior plataforma de vídeos do mundo. Pesquisa recente da consultoria Statista revelou que ele é responsável por 37% do tráfego mundial de vídeos em dispositivos móveis, à frente do Facebook (8,4% do tráfego global), Snapchat (8,3%), Instagram (5,7%) e WhatsApp (3,7%). Por esses indicadores, é possível imaginar o impulso que a interatividade terá a partir da nova tecnologia que o YouTube pretende adotar.

Criado em 2005, por três funcionários do PayPal (Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim), que tiveram a ideia do negócio depois de encontrar dificuldades para compartilhar o vídeo de uma visita ao zoológico, o YouTube logo se transformou em febre mundial. Em 2006, foi comprado pelo Google por US$ 1,6 bilhão, uma verdadeira pechincha para um negócio que se tornaria companheiro indispensável de pessoas do mundo inteiro.

A empresa tem um longo histórico de inovação. Em 2014, lançou vídeos a 60 frames por segundo e, no ano seguinte, as versões em 360 graus. Atualmente, tem aproximadamente 2 bilhões de usuários ativos por mês, o que corresponde a impressionantes 25% de toda a população do planeta. No Brasil, é acessado por 95% das pessoas que têm acesso à internet, o que faz do país um dos campeões mundiais da plataforma.

Apesar dos números superlativos, o YouTube vê muito espaço para crescimento, e os vídeos interativos fazem parte da estratégia de conquistar novos mercados. Por enquanto, não há data para o lançamento da tecnologia, mas é certo que ela chegará à plataforma ainda em 2019.

Tudo indica que o acesso aos vídeos interativos será gratuito. Recentemente, o YouTube informou que toda a sua programação original será oferecida gratuitamente, como forma de popularizar ainda mais a plataforma. “Quando surgiu, o Youtube foi um marco da internet”, diz o consultor Eduardo Tancinsky. “Agora, quer ser um marco da interatividade.”


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