LITERATURA Jogo de Cena, novo livro de Andrea Nunes, mescla narrativa local e crise energética mundial

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 04/06/2019 14:32 Atualizado em: 04/06/2019 14:44

O romance de espionagem, da Cepe, será apresentado em Pernambuco no dia 6 de junho. Foto: Cepe/Divulgação
O romance de espionagem, da Cepe, será apresentado em Pernambuco no dia 6 de junho. Foto: Cepe/Divulgação
Mãe d'água, Papa-Figo, Lobisomem, Mula-Sem-Cabeça. O que típicos representantes do folclore nordestino teriam a ver com conceitos de alquimia, química nuclear e crise energética mundial? No livro Jogo de Cena, da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), pelas hábeis mãos da romancista Andrea Nunes, são elos de uma cadeia insuspeitadamente interligada com coerência, articulação e muita inventividade. A autora, experiente na narrativa de textos de espionagem, suspense e policiais bem pode ser mal comparada, diga-se de passagem, ao mundialmente famoso escritor norte-americano, Dan Brown. A semelhança na narrativa de ambos em relação à busca por pistas para solucionar mistérios em pontos turísticos europeus relacionados à história antiga, entretanto, é a única intersecção entre eles. Nunes é dinâmica, não redundante e mescla, com maestria, universos geográficos aparentemente e apenas a primeira vista tão distintos como as cidades de Paris e a fictícia Mangueirinhas, no agreste pernambucano.

Encimando muitos dos capítulos, cápsulas de poesia e escritos de consagrados autores nordestinos com o Ascenso Ferreira, Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho e da poetisa portuguesa Florbela Espanca. Um mimo para quem já é brindado com uma narrativa tão envolvente. Após o lançamento inicial em Portugal, durante a 6ª edição da Primavera Literária Brasileira nos dias 28, 28 e 30 de maio, Jogo de Cena será apresentado aos pernambucanos no dia 6 de junho, a partir das 19h, no Museu do Estado de Pernambuco, bairro das Graças. O livro será comercializado a R$ 40 (impresso) e R$ 12 (e-book).

A trama é inspirada pelo tema do esgotamento das reservas de petróleo e o mais arrojado projeto de pesquisa de fusão nucelar atualmente em curso e que será, provavelmente, capaz de mudar a matriz energética mundial. Os densos protagonistas, Alexandra (delegada de Mangueirinhas) e Pedro, seu irmão indireto e historiador, tentam desvendar os sucessivos crimes – surpreendentemente conectados - a partir de pistas deixados pelo suposto biótico e suicida francês, Michel Simon, em um livro secreto.  Além dos crimes, acrescidos de doses de misticismo religioso regional, a narrativa ainda contempla aspectos como contrabando de minérios e organizações secretas em uma teia de intriga, ação e espionagem. O leitor mergulha em uma ficção emaranhada de temas já conhecidos por ele como a busca pela Pedra Filosofal e a tecnologia de ponta, além de personagens e instituições também reais como o Sistema Brasileiro de Inteligência, a Eletronuclear, o Centro de Fusão Nuclear Experimental (Iter, na França), a organização Skull and Bones, que tem, efetivamente, entre seus membros, ex-presidentes dos Estados Unidos e da Cia. No cerne de toda a história, o Brasil e a soberania nacional.

Para quem ainda tiver dúvidas sobre os méritos da autora, a contracapa do livro tem recomendação de Raphael Montes, em trecho de coluna assinada por ele no jornal O Globo, que "indica Andrea Nunes entre os sete novos autores brasileiros para ler e se divertir". O carioca Raphael é autor do aclamado Dias Perfeitos, romance best-seller de terror e suspense, publicado em março de 2014, e que foi lançado em mais de 14 países, incluindo Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Holanda, Itália e França. Seu primeiro romance, Suicidas (2012), já havia sido finalista dos prêmios Benvirá e Machado de Assis. Montes atua como colunista do jornal O Globo desde abril de 2015.

Sobre a autora – Jogo de Cena é o terceiro livro de Andrea Nunes, romancista e uma das poucas escritoras brasileiras a enveredar pelo gênero de suspense. É autora de outros dois títulos que seguem a lesma linha, Código Numerati (2010) e A Corte infiltrada (2014). Já ministrou palestras sobre literatura policial em universidades da Alemanha, Dinamarca, França e Portugal. Paraibana radicada em Pernambuco, é promotora de justiça de combate à corrupção no Estado e membro da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, suspense e terror (Aberst). É integrante, também, da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba e autora dos livros O Diamante Cor-de Rosa (infanto-juvenil), O Épico Papel Crepom (romance), Terceiro Setor, controle e fiscalização (jurídico).

Jogo de Cena é considerado, por ela, seu maior livro até então, pois foi o que “decantou” mais tempo, nos quatro anos em que amadureceu. Chegou a ter uma versão mais curta, escrita há três anos. “Neste ínterim, outras coisas foram acontecendo, minha pesquisa sobre energia foi se aprofundando e a narrativa sendo enriquecida. A parte da espionagem governamental foi mais fácil, poios os personagens e cenários descritos não estão distantes da minha realidade profissional. De resto, lapidei muita coisa em pesquisa posterior, desde a simples descrição de uma prato à inserção de alguns personagens, passando por alguns títulos que descartei. Tudo para que a história melhorasse a cada dia. No fim, acho que o resultado ficou realmente muito bom”. Fácil, para o leitor será concordar com o seu parecer a respeito da obra.


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