Tradição Quadrilha Raio de Sol estreia novo espetáculo neste sábado em Caruaru 'Fábrica de Xilo' será apresentado a partir das 20h, no Pólo das Juninas

Por: Samuel Calado - Redes Sociais e Site

Publicado em: 31/05/2019 22:31 Atualizado em: 31/05/2019 23:12

Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP
Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP

A noite deste sábado promete grandes emoções na cidade de Caruaru, no Agreste Pernambucano. A partir das 18h, acontece a abertura do São João da cidade, que recebe milhares de pessoas nos 30 dias de festa. Em 2019, a decoração é assinada pelo artista J. Borges, que através das suas obras em xilogravuras, enaltece e divulga a cultura popular no mundo inteiro. Contudo, para quem acha que a emoção terminou por aí, se engana. Na ocasião, a grande quadrilha Raio de Sol, do bairro de Águas Compridas, em Olinda, estreará o espetáculo ‘Fábrica de Xilo’, enaltecendo justamente a arte da xilografia e coincidentemente, dando visibilidade ao artista. A apresentação está prevista para acontecer às 20h, no Pólo das Quadrilhas.  

Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP
Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP

O tema nasceu há aproximadamente um ano. Ele se apresenta como uma grande aula-espetáculo, iluminando os corações e as mentes de todos os presentes. Trata-se de uma fábula que tem como cenário, o universo da xilogravura e homenageia o artista J. Borges. O gigante foi descoberto pelo poeta e dramaturgo Ariano Suassuna, fundador do Movimento Armorial emergido na década de 1970. Borges foi carinhosamente batizado pelo poeta como “O melhor do Nordeste, do Brasil e do Mundo”. Mesmo tendo frequentado a escola por apenas um ano conseguiu aprender a ler, escrever e contar histórias. Além de xilógrafo, ele também é cordelista e foi justamente na literatura de cordel que ele encontrou o oásis para contar e recontar a história dos diversos personagens da cultura popular.

Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP
Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP

Assim como a arte talhada demanda minuciosidade, com ‘Fábrica de Xilo’ os quadrilheiros da Raio estão apresentando um trabalho detalhista, como explica a quadrilheira Leila Nascimento:  “A junina prioriza a criatividade nos figurinos. A gente gasta mais com a ideia e com o trabalho manual rico em detalhes, cores e formas. Tudo é feito em coletivo, hoje (sexta-feira), às vésperas da estreia, estamos aqui na sede ajustando os últimos detalhes das roupas”. Leila participou diretamente do desenvolvimento do tema junto com Vandré Cechinel e João Paulo Santos; da construção da coreografia junto com Wanderson José e do casamento com Xico Cruz. 

Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP
Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP

Já o figurino foi produzido por duas equipes, uma no Recife e a outra em Orobó, no Sertão Pernambucano. Fuxicos produzidos pelos brincantes irão ilustrar os elementos em preto e branco do espetáculo e parte da roupa. “A roupa é bastante trabalhosa e rica em detalhes. O processo artesanal está em todo o trabalho, os adereços de cabeça, por exemplo, foram confeccionados pela diretora Rute Andrade”, explica Leila. Colocar uma quadrilha na rua não é um trabalho fácil. Tudo demanda custo. Segundo os quadrilheiros, além das doações, o grupo se mobilizou de todas as formas para arrecadar dinheiro. “Fizemos bingo, rifas, sorteios e outras atividades. Vendemos também camisas personalizadas, que ajudaram bastante na arrecadação”, acrescenta.  

Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP
Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP

Com 23 anos de existência, a Raio é sinônimo de força e resistência. Ela começou Mirim e hoje ocupa um lugar de destaque entre as juninas adultas. Foi no ano de 1996 que Alana Nascimento e José Bonifácio, conhecido como Boni decidiram criar o grupo com a intenção de animar a festa da Escolinha Pantera Cor de Rosa. O brilho foi tão grande, que os limites do bairro olindense tornaram-se pequenos diante da radiação da junina. Ninguém imaginava que aquela simples apresentação no bairro era a semente de grandes espetáculos. O primeiro título veio no ano de 2000, quando ela se consagrou Campeã Pernambucana Mirim. Dois anos depois, lá estava a junina dando um passo mais longo e estreando na categoria adulta. De lá para cá, a quadrilha subiu inúmeras vezes nos pódios dos mais importantes concursos realizados no Brasil. Somente nos campeonatos promovidos pela Rede Globo - um dos mais esperados pelos quadrilheiros - ela levantou o troféu de campeã cinco vezes, sendo três locais e dois regionais. Outro de grande prestígio foi o da Fundação de Cultura da cidade do Recife, onde levou o primeiro lugar por seis vezes, a última no ano de 2015. Se já não bastasse o brilho nos arraiais, o grupo abriu as cortinas do Teatro de Santa Isabel, e se consagrou como o primeiro do segmento a realizar uma apresentação em um dos teatros mais prestigiados do Brasil. E quem disse que o Brasil era o limite para a Raio? Assim como a luz do sol alcança distâncias incalculáveis, o grupo venceu os próprios limites e no ano de 2016 levou o espetáculo ‘Sonho de Menino, Dominguinhos Tocador’ para a Europa, apresentando em Lisboa, Madri, Roma e Londres. Hoje, a quadrilha conta com uma parceria de três anos com o grupo Quinteto Violado. 
 
Confira o espetáculo de 2018 


Segundo os brincantes, pessoas de outras cidades estão se mobilizando para prestigiar a junina. Quadrilhas do Agreste, por exemplo, viabilizaram até ônibus para ir assistir a estreia. E como se sabe, toda estreia dá um frio na barriga, afinal são meses de preparação para tudo ocorrer bem. E para intensificar a sensação, essa é a primeira vez que a junina se apresenta na cidade de Caruaru. “Em mais de duas décadas de existência, nós nunca dançamos na terra dos caruaruenses, que é reconhecida como o palco do forró. Será uma satisfação e alegria imensa”, conta Dy Souza, que está há 12 anos na Raio de Sol.  “O coração fica a mil só de imaginar que vamos ver todos os integrantes vestidos e preparados para realizar um espetáculo resultado de um trabalho de quase um ano. A minha emoção é ver a quadrilha preparada para entrar no Arraial com um sorriso no rosto com o coração explodindo de felicidade ao perceber que tudo valeu a pena”, acrescenta. Além de Leila Nascimento, João Paulo Santos, Vandré Cechine e Wanderson José e Pedro Coelho, participam da produção Rulio Vangeles e (marcador), Fábio Santana. 

Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP
Espetáculo "Ventre Chão, Sagração%u201D, apresentado em 2018. Foto: Samuel Calado/DP
A forma da ‘Raio de Sol’ se mostrar nos arraiais encanta e conquista qualquer espectador. Cada movimento executado pelos quadrilheiros é milimetricamente pensado para transmitir o espetáculo com naturalidade e dessa forma falar para todos os públicos. Nenhum participante entra em cena se não tiver um ‘raio’ de conhecimento para mostrar. O quadrilheiro Pedro Coelho, que assina a cenografia junto com Fábio Santana, conta que dançar quadrilha nunca foi o objetivo dele até conhecer o grupo. “Lembro como ontem, quando fui assistir, em 2013,  as eliminatórias do concurso da Globo. Ela me conquistou pela sua forma única de ser, pelo seu estilo de dança, pelo figurino e pela simplicidade. Hoje, seis anos depois, eu me sinto totalmente lisonjeado de ser um integrante dessa quadrilha. Somos uma grande família. Quando eu digo que a Raio de Sol é uma junina muito especial não estou mentindo. Ela tem um toque que faz com que as pessoas se apaixonem. Eu me apaixonei por ela e se depender de mim, o laço afetivo que une o grupo continuará firme e forte”. relata. 


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